Rothenburg, cidade-jóia
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Rothenburg, cidade-jóia
Pe. Julio Cameron F. Ubbelohde, EP - 2010/10/27

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Quem passeia pelas ruas desta cidadezinha teutônica sente uma repousante e plácida felicidade de situação

Pe. Julio Cameron F. Ubbelohde, EP

Rothenburg... pequena e encantadora cidade medieval situada às margens do Rio Tauber, no centro da velha Alemanha. Seu nome é repetido com saudades no mundo inteiro por aqueles que tiveram a felicidade de visitá-la ou, pelo menos, a conheceram de alguma outra forma.

Sim, repetimos, do mundo inteiro. Pois inclusive turistas dos países asiáticos lotam numerosos ônibus que partem da vizinha Francfurt para irem ver em Rothenburg a loja de presentes e enfeites de Natal, onde gira uma enorme árvore iluminada, mantendo vivo durante todo o ano o espírito da festa do santo Nascimento de Jesus.

Qual é o atrativo desta cidadezinha teutônica, obra do Sacro Império Romano-Alemão? Seu tamanho não ultrapassa a dimensão ideal de uma cidade: uma pessoa parada em seu centro pode ver a ponta final de suas principais ruas. Rothenburg cativa, causa admiração, o que levou à decisiva intervenção de um general norte-americano para evitar que fosse totalmente reduzida a escombros a minúscula cidade já parcialmente destruída, em 1945. E que moveu os países vencedores da Segunda Grande Guerra a contribuírem financeiramente para a restauração de suas fortificações medievais, únicas no gênero, belíssimas e... inúteis na era moderna.

Capital do Reino

A história de Rothenburg começa por volta de 970, com a inauguração da paróquia do mesmo nome, por Reinger, um nobre da Francônia do Leste, que construiu também os castelos de Comburg, na vizinha cidade de Schwäbisch Hall, e de Grafenburg, na margem do rio Tauber. Em 1137, o novo Rei da Alemanha, Konrad, estabeleceu provisoriamente sua corte na cidade, que assim se tornou famosa em todo o Sacro Império. Nessa época construiu-se a primeira muralha circundante, da qual existem ainda a Torre Branca, a Torre de Markus e o Arco de Röder.

No decorrer do tempo, os "rothenburgueses" ficaram, no campo moral, menos vigilantes do que simbolizam as fortificações
de sua cidade. Deixaram-se arrastar por suas paixões, que se tornaram descontroladas e provocaram no território imperial as mais profundas divisões de caráter ideológico e, sobretudo, religioso. A cidade viu-se envolvida nas incipientes guerras de religião, pálido reflexo dos conflitos mundiais de nosso tempo.

Em 1631, durante a Guerra dos 30 Anos, a cidade - que havia se tornado protestante - foi vencida pelas tropas da União Católica, comandadas pelo Conde Tserclaes von Tilly, famoso general, vencedor de 70 batalhas. Nessa ocasião, ocorreu um fato pitoresco.

O "trago magistral"

Tilly declarou que iria saquear e queimar a cidade. Angustiados pela terrível perspectiva, os Conselheiros Municipais Rothenburg_2.jpgrecorreram ao Kellermeister (Chefe da Adega) da cidade. Este logo apareceu, oferecendo solicitamente ao general uma enorme caneca contendo mais de três litros de excelente vinho. Apaziguado e sorridente pelo ingênuo oferecimento, o vencedor prometeu poupar a cidade se algum Conselheiro estivesse disposto a tomar de uma só vez todo o conteúdo da
caneca. O ex-alcaide Nusch, cheio de "senso do dever" e de... gosto pelo bom vinho, apresentou-se para realizar a façanha. Esvaziou a caneca e passou três dias em estado de coma!

Até hoje esse fato é comemorado todos os anos com a encenação de uma peça teatral histórica intitulada Der Meistertrunk (O Trago Magistral).

A festa começa na sexta-feira antes de Pentecostes. Atores locais - todos amadores - fazem o papel das tropas dos exércitos rivais, combatendo "autenticamente" pelas ruas da cidade, revivendo durante alguns dias o clima da batalha travada em 1631. Depois, no palco da Sala Imperial, é encenado o "épico" episódio do "grande trago". O ponto alto da representação se realiza no domingo: uma grande marcha dos soldados, com trajes da época, que desemboca no acampamento militar situado diante da Porta do Galgen. Este festival tem contribuído para aumentar a fama de Rothenburg.

Para os que vieram passar ali apenas um dia, chega a hora de abandonar a cidadezinha. É esta a hora em que Rothenburg evidencia seu maior encanto: o final do entardecer e o início lento e suave da noite.

Os ônibus de turistas já se foram, os ruidosos e intrusos automóveis não mais perturbam um passeio tranqüilo pelas ruelas medievais calçadas de pedra, nas quais se refletem as luzes das janelas encortinadas, das cervejarias e das acolhedoras hospedarias (felizes os que podem lá passar a noite!). As lâmpadas de cor dourada fazem jogos de sombras e destacam as silhuetas das torres na muralha.

Nesse momento, o visitante de alma maravilhável experimenta algo que, infelizmente, as grandes cidades modernas não lhe proporcionam: a repousante e plácida felicidade de situação.

(Revista Arautos do Evangelho, Fev/2004, n. 26, p. 49 à 51)

 

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