Nosso Senhor carregando a Cruz às costas
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  Seu nome no Coração de Maria

Nosso Senhor carregando a Cruz às costas
Mons. João Clá Dias, EP - 2009/03/30

Meditação do quarto Mistério Doloroso

Vamos dirigir-nos a Nossa Senhora para pedir graças especiais para bem fazer essa meditação, em reparação ao seu Sapiencial e Imaculado Coração.

Oração Inicial:

Ó Virgem Santíssima, Vós que tantas ofensas recebestes de todas as partes do mundo e ao longo da história, e especialmente nesses dias em que a humanidade dá as costas a Deus, em que a humanidade prefere muito mais o pecado do que a virtude e vosso Imaculado Coração se sente chagado de dor de tantas loucuras que no mundo se pratica.

Vós que estivestes presente durante a Via-Sacra de Nosso Senhor Jesus Cristo; Vós que durante a vossa vida na Terra após a subida dEle aos Céus; Vós quantas e quantas vezes realizastes esta Via-Sacra. A Vós que sois a Mãe de nosso Redentor e que sois, por esta razão e por terdes sofrido junto com Ele Co-Redentora nossa, a Vós nós nos dirigimos para oferecer esta meditação que faremos e ao mesmo tempo para Vos implorar graças especialíssimas no sentido de bem realizar esta meditação, e que ela atinja inteiramente os seus objetivos desagravando os vosso Sapiencial e Imaculado Coração.

Vamos realizar agora a nossa devoção reparadora deste primeiro sábado de abril. Foi o que Nossa Senhora determinou em Fátima. Além do Rosário, além da comunhão, além da confissão que nós devemos fazer dentro da oitava, temos também esta meditação de um dos mistérios do Rosário. E hoje nos cabe meditar "Nosso Senhor carregando a Cruz às costas".

Introdução:

Entramos no pórtico da Semana Santa. Assim, escolhemos um dos mistérios dolorosos, em união e desagravo ao Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, acabrunhado de aflição durante a Paixão de Jesus.
Rezemos: Ave Maria, cheia de graça, ...

I - Compondo o ambiente deste mistério:

Nós devemos nos reportar ao momento em que Nosso Senhor está no Pretório de Pilatos.

Está ali aquele pátio da Torre Antônia, o povo todo aglomerado; Pilatos está sentado em seu trono; ele é o representante do imperador e ele vai pronunciar a sentença. Nosso Senhor já foi oferecido ao povo em troca de Barrabás, Nosso Senhor já foi flagelado, coroado de Espinhos, está Ensangüentado. Jesus é uma Chaga da Cabeça aos Pés, antes mesmo de ser Crucificado.

Diz um salmo a respeito dEle: "Verme sou e não homem" - Eu sou um verme. E dir-se-á dEle também depois que foi possível contar todos os ossos dEle dada a Flagelação horrível pela qual Ele passou. Coroado de Espinhos está diante de Pilatos, que pronuncia a sentença para ser crucificado.

O povo aglomerado vê no outro extremos da praça uma cruz que vinha alta, levantada, para ser entregue a Nosso Senhor Jesus Cristo. Aquela massa que era constituída de curiosos, de alguns revoltados, de alguns que odiavam a Nosso Senhor. Por que razão? Outros que estavam ali com dor no coração vendo aquela cena. Era uma multidão toda misturada, mesclada.

Essa cruz, quando é levantada para poder ser passada por essa gente toda; essa gente se espreme e abre caminho para que a cruz passe. Essa Cruz, símbolo de divisão, começando a dividir os campos; e já, ali, neste momento ela simbolicamente representa que aconteceria na história.

II - A Cruz divide a História.

Na história nós temos os que são pela Cruz; os que são contra a Cruz. Essa cruz é a Cruz que virá como cetro de Nosso Senhor Jesus Cristo no dia do Juízo Final; no dia em que a humanidade - aí sim - reunida não mais na Torre Antônia, não mais no Pretório, mas no Vale de Josafá - todos nós que aqui estamos nos encontraremos - talvez muitos de nós estamos nos encontrando por primeira vez, e talvez por única vez aqui dentro dessa catedral (ou igreja, capela), pois saibamos que nós nos encontraremos de novo no dia do Juízo! Dia solene, dia grandioso, dia majestoso. Dia em que toda a história será conhecida. Dia em que todos conhecerão a todos; e que todos os pecados e todas as virtudes sairão a lume. Dia em que de fato a verdade brilhará por todos os séculos dos séculos pela eternidade afora.

Essa Cruz virá do Céu simbolizando Aquele que na frente dEla descerá: uma grande Cruz e Ele na frente o grande Juiz. O Juiz virá para julgar, e essa Cruz dividirá a humanidade à direita e a humanidade à esquerda. Aqueles que viveram na graça de Deus, morreram na graça de Deus estarão à direita com seus corpos gloriosos; os outros, à esquerda também ressurrectos mas sofredores.

Esta Cruz - Cruz de divisão - Ela entra, o povo todo se espreme, olha e, é evidente, todos recebem graças suficientes para entender o que estava se passando. Uns correspondem e choram, outros rejeitam e odeiam. É o que acontecerá com esta Cruz ao longo de toda a história.

Os bons sempre terão alegria vendo a Cruz. Os maus rangerão os dentes e blasfemarão contra ela.

Jesus está ali ao lado de Pilatos com as mãos atadas. Começam a Lhe desamarrar as Mãos para que Ele possa carregar aquela Cruz. Ele quando se encontra com a Cruz tem uma verdadeira emoção: aquele é o instrumento que vai servir para Ele fazer a vontade do Pai. Aquele é o instrumento que vai servir para Ele poder reparar todos os pecados da Humanidade. Aquele é o instrumento que vai servir salvar a todos nós.

Nesse momento é possível - nada indica que não seja - que Ele viu novamente toda a Humanidade. Ele nos viu! Ele nos viu nesse momento em que nós realizamos esta meditação este passo da Paixão dEle. Ele olha para a Cruz com amor; Ele olha para a Cruz com entusiasmo; Ele se ajoelha, abraça essa Cruz [beija-A] e com amor Ele recebe essa Cruz no ombros; e Ele começa assim a Sua Via-Sacra! Durante essa Via-Sacra, Ele vai cair três vezes, e meditando neste primeiro ponto, vemos como devemos receber, acolher a nossa cruz; como devemos reagir face às cruzes que nos são dadas durante a vida. São calúnias que soltam por cima de nós, são as incompreensões, são perseguições, são obstáculos, são doenças; são discussões, são dissensões dentro da própria família: o marido não entende, a senhora não leva em consideração, os filhos se revoltam... são as ruas da amargura de nossa vida. Nossa vida, por causa do Pecado Original, por causa dos pecados de nossos antepassados e de nossos pecados atuais, nós temos as nossas cruzes, as nossas dificuldades; ora, em relação às cruzes, às dificuldades, em relação às dores, obstáculos e tormentos... tudo o que é contrário aos nossos desejos, nós devemos tomar com alegria, tomar com resignação, tomar com amor tal qual Nosso Senhor Jesus Cristo o fez com a própria Cruz dEle. Ele se ajoelhou, tomou a Cruz e sobre os seus ombros. É o que nós devemos fazer. E nós não devemos nos revoltar nunca; e devemos ter sempre como modelo ideal para nosso comportamento a Nosso Senhor Jesus Cristo neste passo em que Ele se abaixa, toma a sua Cruz e a põe nos Ombros e continua. Jesus toma a Cruz aos ombros e Se dirige para o Calvário sem lamentar-Se, sem gemer, sem reclamar. Jamais, jamais poderíamos pensar numa revolta, inteiramente disposto a levar seu sofrimento até o fim. Assim devemos ser nós! E por isso pedimos, em rápidas palavras a Nossa Senhora neste primeiro ponto:

Oração: Ó Virgem Santíssima, dai-nos a graça de imitar ao Vosso Divino Filho. Dai-nos a graça de ser tal qual Ele foi na hora de sua Paixão. Ele nos deu o exemplo; Ele foi quem nos mostrou concretamente como devemos nós reagir face às cruzes e às dores que nós temos em nossa vida, por isso nós Vos pedimos ó Mãe, obtende dEle as graças superabundantes, eficazes, místicas; graças que nos transformem inteiramente face ao sofrimento. É duro o sofrimento, mas como ele é aceito quando aceitou o Vosso Divino Filho; quando Ele é aceito como Vós mesma aceitastes - aí sim - ele produz a verdadeira alegria de alma. Dai-nos, ó Mãe, esta alegria!

III - Simão Cirineu ajuda jesus a carregar a Cruz.

Em certo momento a Cruz, quando Nosso Senhor passava por uma pedra, por um buraco, por este obstáculo; a Cruz balançava e, sobre aquele ombros chagados, feridos; sobre aquele Corpo já todo ele quase exangue, sem forças; essa Cruz ia renovando as feridas; essa Cruz lhe pesava sobre os ombros a ponto de Ele já estar para desfalecer no meio do caminho. Os guardas se dão conta; o oficial que estava comandando aquela operação disse: se não conseguirmos alguém para ajudá-lo a carregar essa Cruz, Ele não chega no Calvário. Nosso Senhor não diz nada. Do meio da multidão que está ali, um homem cujo nome ficou histórico; dele não se sabe senão que era de Cirene, não se sabe senão que era pai de dois jovens e só isso; ele foi apanhado para ajudar a carregar a Cruz de Nosso Senhor.

Não foi ele que carregou a Cruz, mas ele evitou que a Cruz tivesse aqueles abalos que tanto atormentavam o Corpo chagado e Sagrado de Nosso Senhor. Ele ajuda também, sem reclamar; e certamente também recebeu graças, e certamente correspondeu a essas graças. Certamente esse homem hoje está no Céu contemplando o Corpo Sagrado de Nosso Senhor não mais chagado mas glorioso. Ele correspondeu às graças que recebeu ajudando Nosso Senhor - exemplo para nós! Exemplo para nós porque nós temos os nossos sofrimentos, mas muitas vezes encontramos pelo caminho almas, pessoas, irmãos, irmãs, parentes ou então amigos que precisam de nosso auxílio, que precisam regarem a cruz; nós devemos aliviar o peso dos outros.

Com isso nós estaremos fazendo exatamente o que fez Simão de Cirene - Simão Cirineu - ele ajudou Nosso Senhor: quando nós ajudamos alguém, quando nós estendemos a mão a alguém, quando nós somos caridosos e damos tudo o que é necessário, tudo o que esteja a nosso alcance a quem necessita, aquele que está em situação precária, que está necessitando de um conselho, de uma ajuda; porque enganam-se aqueles que julgam que auxílio é só auxílio material, é só auxílio físico, é só auxílio alimentício: há outro auxílio que é mais importante que o auxílio material: é o auxílio da palavra, é o auxílio do exemplo, é o auxílio do estímulo para a prática da virtude. Ajudar os outros, ajudar as outras a serem santas, a serem santos.

Por isso pedimos a Nossa Senhora nesse segundo ponto da meditação: Ó Mãe, fazei com que nós saibamos ajudar a todos carregarem suas cruzes. Que nós saiamos de nossos egoísmos, de nossos fechamentos em nós mesmos e que sejamos abertos aos outros e que queiramos fazer com os outros o que Simão Cireneu fez com Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho.

Stabat Mater Dolorosa . . .

. . . (Em pé a Mãe dolorosa estava em prantos junto à Cruz, da qual seu Filho pendia).

IV - As Santas mulheres..

As mulheres, como nos diz o texto, estavam no caminho e começavam a chorar: choravam por ver Nosso Senhor! Curioso isso! Se nos formos analisar com lupa os episódios todos da Paixão, nós vamos ver que todas as ofensas, todos os horrores, todas as revoltas, todos os ódios partem dos homens. Os homens são os que ofendem, flagelam, crucificam! E há exceções - é evidente; acabamos de considerar: é Simão Cirineu. Este toma uma atitude boa; Nicodemos, José de Arimatéia, São João Evangelista. Estes todos estão ali para ajudar a Nosso Senhor; mas de resto nós encontramos mulheres chorando, mulheres apoiando, mulheres defendendo. Há uma que está acima de todas as mulheres: Maria Santíssima sai também a procura de seu Filho. Ela não assistiu a Flagelação, mas Ela bem poderia saber por todas as revelações que deveriam ter sido feitas a Ela, por que transes terríveis deveria estar passando seu Filho. Ela sabia que o pior dos piores estava acontecendo, mas Ela não tinha visto a Flagelação. Ela sabia que Ele já tinha sido condenado e Ela estava pelo caminho, conduzida por São João, com Santa Maria Magdalena que chorava aos soluços e às vezes aos gemidos, com outras Santas Mulheres ela ia pelo caminho serena, cabeça baixa, com os olhos um tanto vedados. Não ia - nós não podemos imaginá-La - desesperada - jamais - nem aos gritos, nem aos lamentos espalhafatosos. Ela era a imagem perfeita da virtude da prudência. Ela estava tomada pelo Espírito Santo, como um Santuário de todas as virtudes e orações, de todas as submissões e de toda a obediência: Ela era muito mais do que todos os Anjos. Naquele transe ela tinha mais graças do que todos os Anjos e Bem-Aventurados juntos como foi em toda a sua vida. E Ela estava à procura de seu Filho. Ia pelo caminho e de repente Ela via uma mancha grossa de sangue no chão: era o Sangue do Filho dEla. Ela tinha vontade de se ajoelhar, de recolher aquela areia, de recolher aquelas pedras, de fazer daquelas pedras uma catedral. Ela tinha desejo de tomar tudo o que tinha sido deixado pelo seu Divino Filho pelo caminho e guardado aquilo: Ela ia adorando esse Sangue Preciosíssimo que Ele tinha derramado pelo caminho até que Ela se encontra com Nosso Senhor; e esse Encontro é pungente: Ela deu o exemplo perfeito de como se deve considerar a Paixão.

Há outra mulher que aparece também no Evangelho nessa circunstancia, inteiramente apagada e depois a piedade católica vai glorificá-la: é a mulher de Pilatos. Chamava-se Cláudia.

Recebeu título de Cláudia Procla, ou Prócula. Ela passou a noite atormentada porque teve sonhos e mais sonhos; aparições, revelações a respeito de Nosso Senhor e ela fica impressionadíssima com o que vê nos seus sonhos a respeito de Nosso Senhor e apronta-se e vai rápida para o pretório e, na impossibilidade de chegar até Pilatos ela manda um recado a Pilatos: eu estive a noite inteira atormentada por causa deste Nazareno; não te metas com este justo. Ela dá um conselho a ele que tomem cuidado e pede a ele que não condene a Nosso Senhor. Esta é a única mulher durante a Paixão que defende Nosso Senhor, que enfrenta o próprio Pilatos para impedir que Nosso Senhor seja crucificado.

Ela, frágil porque é mulher, não é judia, é romana e portanto contra os judeus e, entretanto defende os judeus. Ela não tem o menor interesse em fazer isso. Ela faz isso contra a própria opinião. Ela não esperava o Messias, ela era romana e, entretanto, passa por cima de tudo isso e defende a Nosso Senhor. Ela é considerada pela Liturgia Grega como santa: Santa Prócula, porque evidentemente quem tomou uma atitude dessas provavelmente foi para o Céu.

As outras mulheres que encontram Nosso Senhor no caminho são as Santas Mulheres; ao verem Jesus naquela situação choram. É uma cena pungente que se passa; porque Nosso Senhor está todo chagado, está exangue e sem forças, está exausto, ofegante, com febre alta devido ao Sangue que perdeu; por estar desidratado, está a morrer. Entretanto, dá-se nessa cena algo extraordinário: esse era o momento em que Nosso Senhor deveria estar pensando em Si mesmo, em suas dores, no seu último hausto - já não agüentava mais - Ele passa por cima de todas as suas dores e preocupa-se com elas. Olhando para elas Ele vê o castigo que viria sobre Jerusalém e se dá conta do que seria a reação do próprio Deus face àquele povo que cometia o maior dos crimes: o crime do Deicídio, e Ele diz: "Não choreis sobre Mim, mas chorai sobre os vossos filhos e o que vai acontecer", e como que oferecendo a elas ajuda.

Elas lhe ajudavam com seu apoio afetuoso chorando; Ele faz esta profecia como que dizendo: Nesses dias recorram a Mim que Eu estarei com todas. É uma cena tipicamente evangélica, cristã: digna de Nosso Senhor Jesus Cristo: é o que nós devemos fazer. Sempre sermos gratos por todo o bem que Ele nos faz.

E nós pedimos a Nossa Senhora neste terceiro ponto que Ela nos dê a graça dessa retribuição a todos que nos fazem o bem: Ó Virgem Santíssima, que sejamos nós sempre reconhecidos a todo o bem que nos fizerem. Dai-nos a graça de assim repararmos ainda mais o Vosso Sapiencial e Imaculado Coração por tantos horrores.

Oração final:

Ó Mãe, sede-nos propícia. Nós vos oferecemos esta meditação para reparar o Vosso Sapiencial e Imaculado Coração de tantos horrores que Vós recebeis da Humanidade e nós Vos imploramos: dai-nos a graça de nesta meditação reconhecermos que nesse ou naquele ponto não andamos bem e que aproveitemos essa meditação, nessa quaresma, para mudar de vida. Dai-nos a graça de encetarmos o caminho verdadeiro e, abraçando as nossas cruzes, os nossos sofrimentos com inteira resignação sem nunca nos revoltarmos. Dai-nos a graça de sermos como Vós; dai-nos a graça de sermos como Vosso Divino Filho e, na hora de nossa morte assisti-nos com as vossas bênçãos e com a vossa Maternalidade.

Assim seja!

PS. Meditação de autoria do Mons. João S. Clá Dias, Catedral da Sé, 1o de abril de 2006; sem revisão do autor.

Mons. João S. Clá Dias (www.joaocladias.org.br)

 

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