Integração harmoniosa entre contemplação e atividade
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Integração harmoniosa entre contemplação e atividade
Redação - 2012/10/17

Durante o dia, ninguém se mostrava mais sociável do que São Domingos, mas, à noite, ninguém era mais assíduo do que ele na vigília da oração.

Hoje a Igreja celebra a memória de São Domingos de Gusmão, Sacerdote e Fundador da Ordem dos Pregadores, chamados Dominicanos. Já numa Catequese precedente, falei sobre esta figura insigne e acerca da contribuição São Domingos de Gusmao.jpgfundamental que ofereceu para a renovação da Igreja do seu tempo. Hoje, gostaria de evidenciar um aspecto essencial da sua espiritualidade: a sua vida de oração.

"Sempre falava de Deus, ou com Deus"

São Domingos foi um homem de oração. Apaixonado por Deus, só teve aspiração pela salvação das almas, em particular daquelas que caíam nas redes das heresias da sua época; imitador de Cristo, encarnou radicalmente os três conselhos evangélicos, unindo à proclamação da Palavra o testemunho de uma vida pobre; sob a guia do Espírito Santo, progrediu no caminho da perfeição cristã. Em todos os momentos, a oração foi a força que renovou e tornou sempre fecundas as suas obras apostólicas.

O Beato Jordão da Saxônia, falecido em 1237, seu sucessor na direção da Ordem, escreveu: "Durante o dia, ninguém se mostrava mais sociável do que ele... Vice-versa à noite, ninguém era mais assíduo do que ele na vigília da oração. O dia era dedicado ao próximo, mas a noite era oferecida a Deus". Em São Domingos podemos ver um exemplo de integração harmoniosa entre contemplação dos mistérios divinos e atividade apostólica.

Segundo os testemunhos das pessoas mais próximas, "ele falava sempre com Deus ou de Deus". Tal observação indica a sua comunhão profunda com o Senhor e, ao mesmo tempo, o compromisso constante de conduzir os outros para esta comunhão com Deus.

Os nove modos de rezar

Não deixou escritos sobre a oração, mas a tradição dominicana reuniu e transmitiu a sua experiência viva numa obra intitulada: Os nove modos de rezar de São Domingos. Este livro foi composto entre 1260 e 1288 por um padre dominicano; ele ajuda-nos a entender algo da vida interior do Santo e também a nós, com todas as diferenças, a aprender como rezar.

Portanto, são nove os modos de rezar segundo São Domingos e cada um deles, que recitava sempre diante de Jesus Crucificado, exprime uma atitude corporal e uma espiritual que, intimamente  compenetradas, favorecem o recolhimento e o fervor. Os sete primeiros modos seguem uma linha ascendente, como passos de um caminho, rumo à comunhão com Deus, com a Trindade: São Domingos reza em pé; inclinado para expressar a humildade; estendido no chão para pedir perdão pelos próprios pecados; de joelhos, fazendo penitência para participar nos sofrimentos do Senhor; com os braços abertos, fixando o Crucificado a fim de contemplar o Amor Supremo; com os olhos dirigidos ao céu, sentindo-se atraído pelo mundo de Deus. Portanto, são três formas: em pé, de joelhos, estendido no chão; mas sempre com o olhar dirigido para o Senhor Crucificado. Os dois últimos modos, sobre os quais gostaria de refletir brevemente, correspondem a duas práticas de piedade habitualmente vividas pelo Santo.

Meditação pessoal e ação de graças pela Criação

Antes de tudo, a meditação pessoal, na qual a oração adquire uma dimensão ainda mais íntima, fervorosa e reconfortante. No final da recitação da Liturgia das Horas, e depois da celebração da Missa, São Domingos prolongava o diálogo com Deus, sem pôr limites ao tempo. Sentado tranquilamente, recolhia-se em atitude de escuta, lendo um livro ou fixando o Crucificado. Vivia estes momentos de relação com Deus de modo tão intensoPapa Bento XVI.jpg que até exteriormente se podiam notar as suas reações de alegria ou de pranto. Portanto, assimilou em si, meditando, as realidades da Fé. As testemunhas narram que, às vezes, entrava numa espécie de êxtase, com o rosto transfigurado, mas imediatamente depois retomava humildemente as suas atividades diárias, revigorado pela força que vem do Alto.

Também a oração durante as viagens de um convento para outro; recitava as Laudes, a Hora Média, as Vésperas com os companheiros e, atravessando os vales ou as colinas, contemplava a beleza da criação. Então, do seu coração brotava um cântico de louvor e de ação de graças a Deus por tantos dons, sobretudo pela maior maravilha: a redenção realizada por Cristo.

Necessidade de encontrar momentos para rezar

Queridos amigos, São Domingos recorda-nos que na origem do testemunho da Fé, que cada cristão deve dar em família, no trabalho, no compromisso social e também nos momentos de distensão, estão a oração, o contato pessoal com Deus; só esta relação real com Deus nos dá a força para viver intensamente cada evento, em particular os momentos mais difíceis.

Este Santo recorda-nos também a importância das atitudes exteriores na nossa oração. O ajoelhar-se, o ficar em pé diante do Senhor, o olhar fixado no Crucificado, o deter-se e recolher-se em silêncio não são secundários, mas ajudam-nos a colocar-nos interiormente, com todo o nosso ser, em relação com Deus.

Gostaria de lembrar mais uma vez a necessidade, para a nossa vida espiritual, de encontrar diariamente momentos para rezar com tranquilidade; devemos procurar este tempo, especialmente nas férias, deixar um espaço para falar com Deus. Será um modo também para ajudar quem nos está próximo a entrar no raio luminoso da presença de Deus, que traz a paz e o amor dos quais todos temos necessidade. (Audiência Geral em Castel Gandolfo, 8/8/2012) - (Revista Arautos do Evangelho, Out/2012, n. 130, p. 8-9)

 

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