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Arautos


Arautos no Mundo


Testemunhos: E Deus não os abandonou…
 
AUTOR: PE. DAVI WERNER VENTURA, EP
 
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Ao receber os confortos da Igreja, a sensação de abandono e tristeza cede lugar à serenidade, à alegria e à coragem cristãs, com benefício para toda a família. Eis a experiência de quem faz trabalho pastoral com os doentes da Paróquia Nossa Senhora das Graças.

Poucas imagens são tão expressivas do infinito carinho e benevolência de Deus pelos homens quanto os desvelos de uma boa mãe com seu filhinho. Capaz de extremos de abnegação que tocam no heroísmo, o verdadeiro afeto materno não conhece restrições nem limites, nem poupa esforços quando se trata de amparar e proteger aquele sobre quem se debruça.

Essa afeição natural característica das boas mães não passa, porém, de pálido reflexo do inefável amor de Deus por cada um de seus filhos, quer sejam eles obedientes e dedicados, quer sejam negligentes ou até mesmo rebeldes… Sua divina ternura está pronta a beneficiar a todos a cada instante, mas o faz com especial abundância nos momentos de dificuldade.

É esta a alentadora realidade com a qual se deparam os sacerdotes e diáconos arautos ao prestar assistência espiritual aos idosos e doentes da Paróquia Nossa Senhora das Graças.

Aumentam os pedidos de Unção dos Enfermos

Para melhor entender em que consiste esse trabalho, comecemos por lembrar uma cena ocorrida meses depois que a Diocese de Bragança Paulista erigiu a Paróquia Nossa Senhora das Graças e a confiou aos cuidados pastorais dos Arautos do Evangelho. Naquela época, com palavras cheias de simplicidade, um paroquiano explicava a uma das irmãs: “Não, não está havendo mais falecimentos do que antes aqui no nosso bairro! Sempre houve doentes e mortes, mas passavam despercebidos. Agora as pessoas aprenderam a pedir o auxílio da Igreja quando sentem que está chegando sua hora. Isso antes não acontecia…”

Até a nova paróquia ser criada, muitos habitantes desse extenso território rural da Serra da Cantareira viviam afastados da Religião. Pouco a pouco, porém, Nossa Senhora foi trabalhando as almas, proporcionando a cada um a oportunidade de compreender a importância dos Sacramentos e, em consequência, os pedidos de viático para enfermos e agonizantes foram se multiplicando de maneira paulatina.

Visita a um enfermo com
mal de Wilson; seu estado
atual é tão grave que não
consegue receber a Comunhão

Conforto para o corpo, amparo para a alma

Um belo testemunho nesse sentido nos é enviado por Rosa Maria Molena, que recorda com gratidão os benefícios recebidos: desde a Primeira Comunhão de seu filho, ainda em 2009; o Batismo, Crisma e Primeira Comunhão do seu marido, em 2010; e uma graça singular, alcançada pouco tempo depois.

“Em março de 2011, meu filho André, então com onze anos, encontrava-se internado para a realização de uma cirurgia de retirada de um tumor no cérebro. Pedi a um sacerdote arauto que fosse dar-lhe um dia antes a Unção dos Enfermos. Enquanto este fazia algumas orações, meu filho André nos disse que estava sentindo uma mão passando sobre a sua cabeça e senti naquele momento a presença de Deus Nosso Senhor tocando no meu filho. No dia seguinte, a cirurgia foi realizada com sucesso. Hoje ele está com dezoito anos e, para nossa alegria, curado, graças a Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Outro tocante relato é feito por Felipe Lima Silva, na época aluno da catequese, que se empenhou em proporcionar este amparo espiritual a um de seus parentes, e hoje declara: “Eu e minha família somos muito agradecidos aos padres dos Arautos do Evangelho, que sempre que precisamos nos auxiliaram, principalmente quando meu tio Roberto recebeu a Unção dos Enfermos, pois estava doente de câncer. A minha avó, mãe do meu tio, ficava muito contente quando o padre vinha em nossa casa para atendê-lo, e por isso sempre lhes será grata, pois ela via que a cada visita meu tio ficava mais tranquilo, resignado, e, sobretudo, crescia na fé. Graças aos conselhos do padre, ele passou a rezar o Terço todos os dias nas últimas semanas que esteve entre nós. Ele faleceu no ano de 2012, e desde então seu filho, Marcos Vinicius, meu primo, frequenta assiduamente a capela e hoje é um dos principais coroinhas. Ele é muito grato por tudo o que o padre fez pelo seu pai, sobretudo por sempre rezar por ele na Santa Missa”.

Para narrar apenas mais um fato, referimos aqui a despretensiosa iniciativa de uma menina de treze anos, também aluna da catequese no ano de 2012. Depois de uma aula sobre a Unção dos Enfermos, sua primeira preocupação foi transmitir à mãe o que aprendera, rogando-lhe que tomasse as providências necessárias para que o patrão desta, que se encontrava internado numa clínica havia quatro meses devido a um traumatismo craniano, se beneficiasse de tal conforto da Igreja. Os familiares do doente ficaram tão comovidos com esse gesto que consentiram na visita do sacerdote, apesar de não serem praticantes da Religião. O enfermo veio a falecer serenamente algumas horas após receber os Sacramentos, como se estivesse apenas esperando essa preparação para apresentar-se diante de Deus.

Dá-se início a uma “pastoral domiciliar”

Tão frequentes se tornaram os casos desse gênero que, em meados de 2014, decidiu-se organizar na paróquia um setor especial para assistir os enfermos e idosos.

O lance inaugural desse novo empreendimento foi uma Missão Mariana nos arredores de uma das capelas da paróquia. Ao se fazer um levantamento dos fiéis que, por razões de idade ou doença, não podiam deslocar-se até o local das celebrações, oito pessoas foram cadastradas, e já naquele fim de semana receberam em sua casa o sacerdote.

À medida que se espalhou entre os moradores da região a notícia a respeito do trabalho, o volume de atendimentos foi aumentando: ora pedia-se por um vizinho, ora por um familiar ou amigo pertencente a outra capela… Assim, em menos de um ano, o número de inscritos beirava os cinquenta. Hoje, esse número se mantém, sendo preciso percorrer entre seiscentos e setecentos quilômetros por mês para atendê-los.

Deus nunca abandona os que O amam

Após algumas semanas de trabalho, tendo conhecido mais de perto os idosos cadastrados, o sacerdote responsável pôde notar um traço comum entre vários deles: quando eram pessoas ativas haviam se dedicado a alguma forma de apostolado, seja como ministros da Eucaristia, seja como catequistas ou até mesmo como membros de confrarias religiosas. Não seria exagero dizer que o consolo espiritual que receberam no fim da vida foi um dos modos pelos quais a Mãe de Deus quis mostrar seu carinho por esses filhos que não temeram dar testemunho d’Ela diante dos homens.

É significativo nesse sentido o fato ocorrido a propósito de um atendimento rotineiro a um idoso. Certa manhã, ao dar-lhe a Comunhão, o sacerdote percebeu que ele chorava, aflito, e tentou consolá-lo perguntando- -lhe a causa de seu pranto. O ancião, já muito enfraquecido, apenas conseguiu dizer, com a voz entrecortada: “Coitada… ela se queimou… está morrendo…” O único familiar ali presente esclareceu tratar-se de uma parente também idosa e muito católica, que havia sofrido um acidente doméstico na noite anterior e estava à beira da morte. 

O padre se dispôs a levar-lhe os Sacramentos, mas não se sabia o nome completo dela, nem onde se encontrava hospitalizada. Algo, entretanto, parecia impelir-lhe a socorrer aquela alma… Ao sair dali, foi à procura de outros familiares que decerto teriam melhor noção do caso e, depois de muitos vaivéns, obteve afinal as informações necessárias para chegar até ela.

Era por volta das vinte e três horas quando o sacerdote e o diácono que o acompanha entraram numa grande e lotada UTI, onde a pobre senhora, já em coma, ocupava o último leito. Atenderam-na, administraram-lhe os Sacramentos e mais tarde souberam que ela falecera pouco depois de ser confortada pelos auxílios da Igreja.

No dia seguinte, ao considerar as peripécias pelas quais haviam passado para atender essa única alma, os dois clérigos se perguntaram por que tinham dado tanta importância ao caso. Pareceu-lhes um esforço desproporcionado, tanto mais que ninguém havia pedido que fossem até lá para atendê-la… Tudo se esclareceu quando, conversando com os familiares, estes comentaram que ela dedicara boa parte de sua vida a amparar os doentes do bairro, inclusive levando-lhes a Comunhão.

O testemunho de Ana e Waldenir Koga, familiares de um antigo ministro da Eucaristia, é outro exemplo dessa particular proteção do Céu a esses filhos zelosos: “Nós, da família do Sr. Alarico Pereira da Silva, queremos agradecer a atenção que recebemos da Associação dos Arautos do Evangelho em todas as visitas eucarísticas que fizeram a nossa casa no tempo em que o Sr. Alarico ficou acamado e doente. Pedimos ao padre que mandasse alguém levar a Comunhão a ele em casa, e fomos atendidos; primeiramente, vinha um ministro da Eucaristia da capela, mas depois vinham os próprios sacerdotes, acompanhados de um diácono. Essa assistência se deu de 2014 até o seu falecimento, em 26 de junho de 2015, pelo que agradecemos”.

O Diác. Carlos Roberto Segatto leva a
Comunhão na casa de um dos doentes

“O conforto que precisávamos”

Entre essas almas fervorosas esteve uma simpática nonagenária, que certo dia externou ao sacerdote as boas lembranças que guardava de Dr. Plinio Corrêa de Oliveira. Ela o vira discursar no Congresso Eucarístico Nacional de 1942, do qual participara como membro das Filhas de Maria.

A respeito do atendimento dispensado a essa saudosa senhora, atesta um familiar: “Meu nome é Elizabeth Maria Fornasaro e sou sobrinha de Odette Fornasaro, falecida em dezembro de 2014. Ela era frequentadora assídua das Missas na capela, até o momento em que, por enfermidade, ficou impossibilitada de comparecer às celebrações. Isso a deixou muito triste. Na época, estava com noventa e seis anos, mas sempre muito lúcida, até o fim. Foi com grande alegria que passou a ser visitada por um sacerdote arauto, que lhe trazia a Comunhão todos os sábados à tarde. Católica fervorosa, isto lhe foi um grande alento, e acredito que lhe trouxe o conforto que precisava – ou melhor dizendo, precisávamos – naquele momento de dor. Por isso posso dar aqui o meu testemunho do quanto esse trabalho é importante para idosos e enfermos que não podem se deslocar de suas casas, como no caso da minha tia, ou para os que estão em hospitais, e que assim recebem a Comunhão e uma palavra de esperança. Meu total agradecimento a vocês, e acredito que, lá no Céu, tia Odette me faz veículo de seu igual sentimento”.

Ânimo para carregar a cruz até o fim

A recepção fervorosa dos auxílios da Igreja traz como benefício, mais do que a aceitação resignada da dor, verdadeiro ânimo para carregar a cruz até o fim, sem se deixar abater. Numerosos testemunhos de idosos comprovam o quanto a sensação de abandono e tristeza, tão comum nessa fase da vida, cede lugar à serenidade, à alegria e à coragem cristãs, o que acaba incentivando os familiares mais próximos à prática da Fé.

Assim descreve o Dr. Mário Sérgio Rodrigues Motta e Silva sua experiência pessoal: “Minha mãe recebeu durante uns dois anos a visita semanal do padre arauto, pois ela havia sofrido um AVC e já não podia mais caminhar. Ela nunca desanimou, mesmo em meio aos grandes sofrimentos da doença, e o apoio do padre foi um dos principais fatores para isso, ao lado da grande devoção a Nossa Senhora que ela possuía. Um dia antes de falecer, já no hospital, ela recebeu os últimos Sacramentos, e com isso morreu muito tranquila. Agora quem é aquinhoado por esse apostolado do sacerdote sou eu. Para mim, as visitas dele significam que não estou só, mas com Deus e com Nossa Senhora, e me estimulam a continuar na minha Religião. Agradeço de todo o coração ao sacerdote e aos Arautos, cujo carisma é muito bonito e dá um novo impulso à Igreja. Minha inteira gratidão a Mons. João, e toda minha admiração a Dr. Plinio Corrêa de Oliveira: suas ideias são geniais, e sua vida, um exemplo para todos nós. E o mesmo a Da. Lucilia. Aliás, fiquei muito contente quando descobri que Dr. Plinio foi aluno do Colégio São Luís, dos padres jesuítas, pois eu também estudei lá quando menino. Essa remota ligação com ele é uma honra para mim”.

Disposição para socorrer qualquer pessoa

A abertura para socorrer a quem quer que seja é uma nota marcante desse trabalho pastoral. Se no meio do caminho o sacerdote se depara com algum acidente de trânsito, nunca segue adiante sem parar e verificar se há vítimas necessitadas dos Sacramentos.

Certa ocasião, o beneficiado foi um assaltante pego em flagrante pela polícia e gravemente baleado, cujo atendimento contou com o apoio da população presente no local e anuência da própria polícia. Noutra circunstância, um pobre atropelado, que, como se soube mais tarde, recuperou-se do acidente, contrariando as expectativas clínicas.

Há também casos de pessoas que inscrevem no roteiro de visitas um parente afastado da vida sacramental, visando sua conversão. Tal foi a atitude de Da. Maria Aparecida do Prado em relação ao seu esposo, então com noventa anos de idade. Eis o seu testemunho: “Meu marido já estava bastante debilitado quando o padre veio visitá-lo na primeira vez. Embora nunca tenha sido uma pessoa religiosa, ele quis comungar naquele dia, e também nas visitas seguintes. Ele estava com a memória falha, a ponto de não reconhecer os próprios filhos, mas sabia direitinho quando era o dia de o padre vir. Graças a essa ajuda, ele ficou mais calminho, pois antes era nervoso, e minha casa virou outra, entrou uma bênção! Mais tarde ele teve um problema que o deixou imóvel, sem fala e sem reação nenhuma. Entretanto, quando o sacerdote veio visitá- -lo, uns quinze dias antes de falecer, ele abriu os olhos e ficou claramente consciente, recebendo assim os últimos Sacramentos. Agradeço muito ao padre e peço sempre a Nossa Senhora de Fátima que abençoe a todos os padres e arautos. Vocês trabalham maravilhosamente”.

Sempre pródiga em auxiliar os que n’Ela depositam sua confiança, Nossa Senhora estende suas bênçãos maternais também aos que velam assim pelo bem espiritual de seus familiares, como comprova este relato de Roseli Aparecida Jammini: “Meu marido sempre foi ateu, mas depois que os Arautos chegaram aqui, ele passou a frequentar a capela comigo; hoje, confia muito em Nossa Senhora de Fátima. Há seis anos, porém, ele sofreu um AVC, teve de amputar a perna e perdeu a visão. Com isso, ficou depressivo e chegou inclusive a ter alucinações. As visitas do padre começaram num momento em que eu estava já desesperada, e foram a salvação não só para meu marido, mas para a minha família inteira. Tudo melhorou – e muito! Eu só tenho a agradecer a vocês por tudo o que fizeram por nós, trazendo-nos a paz, a alegria, enfim, tudo o que precisamos”.

Os fatos aqui narrados dão apenas um esboço geral desse trabalho, durante o qual podemos avaliar melhor a importância de proporcionar a assistência da Igreja a essas pessoas especialmente sofredoras, pois, em meio às decepções e dificuldades da vida, elas encontram nos Sacramentos Aquele que é a Fonte de toda consolação. (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2018, n. 200, p. 36-39)

 
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