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Contos Infantis


Qual será sua glória no Céu?
 
AUTOR: IR. PATRÍCIA VICTORIA JORGE VILLEGAS, EP
 
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Havendo encontrado um valioso anel em seu chapéu, o pobre mendigo estava prestes a vendê-lo, quando foi admoestado por sua consciência: "Este anel não é teu! Deves ser honesto!"...

Os toques de trombeta e os brados dos arautos interromperam a monótona rotina dos habitantes daquele povoado e a notícia se espalhou rapidamente, enchendo de alegria todos os corações:

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Notando a presença do mendigo, a duquesa
fez um sinal muito elegante para
que se aproximasse

– Senhoras e senhores! Em três dias o duque e sua digníssima esposa, senhores deste burgo, virão inaugurar o novo hospital que mandaram construir e percorrerão as ruas para cumprimentá-los! Preparai-vos para recebê-los!

Logo se iniciaram as providências para homenagear o célebre casal. Enquanto as mulheres se empenhavam na decoração das varandas das casas, os músicos se reuniam para ensaiar algumas peças especiais, e os artesãos e lavradores se puseram a escolher os melhores produtos de seu trabalho para com eles presentear os ilustres visitantes.

Embora participando do contentamento geral, um pobre lenhador que costumava mendigar pela cidade, pois ficara ferido da perna e não mais conseguira um emprego, olhava-se e dizia de si para consigo:

– Meu Deus! Não posso apresentar-me assim diante do duque e da duquesa! Minhas roupas estão rasgadas e sujas. Ficarei num lugar bem discreto para não ser visto por eles, mas quero ao menos contemplá-los à distância…

Passados os dias de preparativos, a manhã da chegada do nobre casal raiou estupenda! O Sol brilhava como nunca e a natureza parecia rejubilar-se com os moradores do lugarejo. Homens, mulheres e crianças, vestidos com seus melhores trajes, aguardavam cheios de expectativa. Tapetes vermelhos cobriam as ruas e os parapeitos das janelas encontravam-se cobertos por tecidos vistosos e flores abundantes.

Em certo momento soaram as trombetas. Uma belíssima carruagem despontou no horizonte conduzindo o duque e a duquesa, escoltados por sua guarda. As aclamações de entusiasmo ecoaram pelas redondezas e não cessaram ao longo de todo o trajeto. Depois de inaugurar o hospital e receber os cumprimentos agradecidos dos doentes, o cortejo passou lentamente pelas ruas, entre aplausos e ao som de instrumentos musicais.

Quando chegaram à via principal, a duquesa avistou ao longe o lenhador, afastado da multidão. Notando sua condição de mendigo, fez um sinal muito elegante para que se aproximasse e jogou-lhe uma moeda de ouro no chapéu. Encantado com tal gesto de bondade, o homem nem prestou muita atenção na esmola, aproveitando aqueles breves instantes para fitar enlevado sua distinta benfeitora.

Ao anoitecer as ruas voltavam à sua tranquilidade habitual. Nas casas, as velas bruxuleavam sobre as mesas de jantar, incentivando as animadas conversas sobre a memorável visita. O bom andarilho foi guardar seu presente e, surpreso, encontrou no chapéu algo mais valioso do que o esperado:

– Um anel?! Que linda pedra! Parece ser um diamante! Porém… quem será que me deu isto? Da duquesa recebi somente uma moeda… Hoje houve tanta movimentação pelas ruas que será impossível adivinhar como esta joia veio parar aqui!

De manhã, foi ele à procura do joalheiro e mostrou-lhe a vistosa peça. Ao tomá-la nas mãos, percebeu ele tratar-se de uma preciosidade e ofereceu mil moedas de ouro em troca. O mendigo estava prestes a aceitar a tentadora proposta, quando ouviu uma voz interior que o admoestava:

– Este anel não é teu! Deves ser honesto! Talvez alguém venha buscá-lo.

Por alguns segundos sua consciência cambaleou: “E agora, que faço? Quantas vantagens me traria este negócio… Não posso, contudo, violar a Lei de Deus! É melhor pedir esmolas a ser desonesto!”.

Recusou a proposta do joalheiro e voltou a vaguear pelas ruas.

Poucos dias depois, mendigava ele de porta em porta quando deparou-se com um pajem da duquesa, que lhe perguntou:
– O senhor, que conhece bem os caminhos deste burgo, por acaso não encontrou um anel de ouro com uma linda pedra? A senhora duquesa o perdeu quando passava por esta região.

– Ah! Não será este? – disse o mendigo, tirando de seu bolso surrado o valioso objeto.

O jovem ficou admirado com a retidão do mendigo! Levou imediatamente à sua senhora a tão procurada joia e contou-lhe o sucedido.

No dia seguinte, estava o lenhador batendo de casa em casa, como de costume, quando viu aproximar-se uma carruagem. Desceram dela dois homens muito respeitáveis e vieram ao seu encontro:

– Senhor, viemos aqui por ordem da duquesa. Ela deseja receber-vos em seu palácio.

O pobre não escondeu sua alegria ao ser convidado a subir naquele veículo: por primeira vez sentava-se numa carruagem! Tinha até medo de sujar o assento…

Transcorrida a viagem, começou a entrever as torres da admirável residência. Era uma construção esplendorosa, adornada por um fabuloso jardim. Estava completamente absorto e só ao chegar diante do magnífico portão de ferro ocorreu-lhe pensar: “Ih!!… Por que me estará procurando a duquesa? Terei feito algo errado?”.

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“Caro senhor, há alguns dias perdi uma preciosa joia, herdada de meus
antepassados. Pensei que houvera sido roubada…”

Os guardas o conduziram a um amplo salão. Julgando-se indigno de sentar-se, e um pouco preocupado, permaneceu de pé à espera da anfitriã. Não tardou muito e um criado veio anunciar a presença da ilustre senhora. Abriram-se as duas grandes portas e ela entrou, rodeada de algumas damas. Cumprimentando o mendigo, disse:

– Caro senhor, há alguns dias perdi uma das minhas mais preciosas joias, herdada de meus antepassados. Pensei que houvera sido roubada e que, decerto, o ladrão a venderia por um alto valor. Quase sem esperança, mandei meus lacaios procurarem no burgo onde estivera com o senhor duque. E para minha surpresa tu a tinhas guardado. Quero retribuir tua retidão de alma, convidando-te a fazer parte do serviço de minha casa.

O lenhador caiu de joelhos e explicou-lhe sua situação: a ferida na perna o impediria de servi-la e certamente mancharia os belos uniformes de lacaio da casa. A nobre dama, entretanto, não voltou atrás em sua decisão. Chamou o médico da família e mandou-lhe tomar as providências para que a perna fosse curada.

A partir de então, ele passou a servir no palácio, com toda fidelidade. Se tal fora o prêmio daquele mendigo na Terra, qual será sua glória no Céu? (Revista Arautos do Evangelho, n. 174, Junho/2016, p. 46-47)

 
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