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Espirito Santo


Uma pomba… por quê?
 
AUTOR: LUAN FELIPE DE SOUZA
 
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Esta ave mora junto às correntezas de água, pela razão de que quando vir o gavião poder escapar submergindo.

“Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água, e o céu se abriu. E Ele viu o Espírito de Deus descer, como uma pomba, e vir sobre Ele”. O texto sagrado é claríssimo, o Espírito de Deus veio em forma de pomba. Porém, ainda resta uma dúvida: Porquê uma pomba? Não seria melhor uma andorinha, ou uma águia?

A razão pela qual o Espírito Santo apareceu em forma de pomba e não de outro animal, é explicada por São Tomás[1] com sua característica singeleza:

1º Todo aquele que deseja ser batizado não pode ansiar esse sacramento de maneira fingida e superficial, mas sim de modo
simples, como a pomba que é um animal sem nenhuma ganância. E por isso o evangelista São Mateus aconselha: “Sede simples como as pombas”. (Mt 10, 16)

2º Através do Batismo o homem possui os sete dons do Espírito Santo, os quais estão simbolizados na Pomba, pois:

a. Esta ave mora junto às correntezas de água, pela razão de que quando vir o gavião poder escapar submergindo. Isto se relaciona com o dom de sabedoria, porque os santos moram junto as correntezas das Sagradas Escrituras, com o objetivo de escaparem das tramas do demônio.

b. A pomba escolhe os melhores grãos para o seu alimento, o que se relaciona com o dom de ciência, com o qual quem a possui escolhe as melhores opiniões para alimento de sua vida espiritual.

c. Este amável animal alimenta os filhotes alheios. Dom de conselho, com o qual se busca alimentar àqueles que estão afastando-se de Deus ou já caíram no pecado.

d. A pomba não despedaça seu bico, o que se relaciona com o dom de inteligência. Aqueles que o possuem não pervertem as boas opiniões, dilacerando-as como fazem os hereges.

e. Esta ave não tem fel. Dom de piedade, o qual livra o homem da ira.

f. Este astuto animal faz o seu ninho no alto das rochas. Dom de Fortaleza, os fortes têm o seu refúgio naquilo que é mais sólido e mais alto, em Deus.

g. A pomba arrulha, em vez de cantar como outros pássaros. Dom de temor: onde se tem prazer em chorar as próprias misérias, por amor a Deus.

E aqui estão simbolizados neste singelo animal os sete dons do Espírito Santo.

3º Para simbolizar o efeito próprio do sacramento do Batismo: a remissão dos pecados e a reconciliação com Deus.

4º Com o fim de significar o efeito geral do Batismo, a construção da unidade da Igreja. Pois a pomba é um animal que sempre está em bandos, ou seja, busca sempre a unidade.

E além de todas estas razões, há uma que se relaciona com a perpetuidade do sacramento do Batismo. Como explica São João Crisóstomo[2], sempre no começo das experiências espirituais aparecem sempre sinais sensíveis, por causa daqueles que tem mais dificuldade de entenderem o sobrenatural, sendo assim mesmo que não se repitam, passam a acreditar por meio daqueles que constataram na primeira vez. Ou seja, Deus quis fazer-Se visível, em forma corporal de pomba sobre Cristo, com o fim de que posteriormente todos acreditassem que Ele desceria invisivelmente sobre todos aqueles que fossem batizados.

E, continua São João Crisóstomo, também porque este animal apareceu no dilúvio, levando um ramo de oliveira e anunciando a boa nova da paz sobre a terra. Pois, quando as coisas haviam chegado a um estado de desespero, o Senhor trouxe a solução e o remédio. Naquela época, Deus agiu por meio do severo castigo. Agora, através da Graça e de seus dons sobrenaturais. E por isso agora aparece a pomba, não trazendo um ramo de oliveira no bico, mas sim para assinalar que vinha para livrar os homens de todos os males e para nos garantir as mais belas esperanças. Essa pomba não vinha para tirar só um homem da Arca, mas para levantar ao céu a terra inteira, e em vez de trazer o ramo de oliveira no bico, trouxe para todo o gênero humano, a filiação divina.

Por Luan Felipe de Souza

[1] AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. III- q.39. a.6. p.573.
[2]CRISÓSTOMO, Juan. “Obras de San Juan Crisóstomo: Homilias sobre San Mateo,1-45. BAC: Madrid, 2007.p.226.

 
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