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Espiritualidade


A arte de voar
 
AUTOR: GUSTAVO ADOLFO KRALJ
 
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Se o privilégio de voar pertence às aves e aos Anjos, foi dada aos homens a capacidade de alçar as asas da fé e com elas elevar-se às alturas do mundo do pensamento, da contemplação e da palavra.

   O desejo de voar é um desses anelos que, com frequência, arrancam de nós um sorriso, fazendo-nos participar de um encanto semelhante ao das crianças que contemplam extasiadas, nas vitrines, tesouros inalcançáveis de brinquedos ou guloseimas.

   E, convenhamos, quem não gostaria de possuir asas de ave – ou de Anjo! – para poder planar magnificamente, conduzido pela força dos ventos? A quem não agradaria elevar-se a um idílico mundo de nuvens, alvas como a neve, e explorá-las em singular cavalgata aérea? Quem não ficaria fascinado ao realizar piruetas cerradas que desafiam a força de atração da Terra e ­lançar-se
vertiginosamente das alturas, para mergulhar como uma flecha nas águas cristalinas de um oceano paradisíaco? Aos olhos de quem sabe observar, vencer a lei da gravidade e torná-la inexistente, ao menos na aparência, é um espetáculo digno do maior entusiasmo e admiração.

   Não pense o leitor, porém, que nos referimos aos legendários condores dos Andes, às míticas águias-de-cabeça-branca da América do Norte ou aos ágeis falcões europeus. Falamos de
outras habilíssimas mestras na arte de voar: as gaivotas.

   Poucos são os lugares da terra em que estas aves podem exercitar sua arte com tanto esplendor como no cenário maravilhoso da histórica Veneza, onde cúpulas e palácios, torres e canais figuram como joias encastoadas em águas de esmeralda, acariciadas por gôndolas de fábula…

   Nesse ambiente feérico, Veneza e as gaivotas formam um inseparável conjunto, que a todo momento se entrelaça e se complementa. Tanto à luz de amanheceres rutilantes, como em crepúsculos de fogo, na majestade bizantina da Praça de São Marcos ou junto à solidez imponente das torres e cúpulas de San Giorgio Maggiore ou de  Santa Maria della Salute,  as gaivotas ensaiam, incansáveis, suas ousadias aéreas, ornando a placidez serena dos monumentos venezianos com a frescura de suas acrobacias inesperadas e brincalhonas.

   Mas, se o privilégio de voar pertence às aves e aos Anjos, foi-nos dada a nós a capacidade de alçar as asas da fé e com elas elevar-nos às alturas do mundo do pensamento, da contemplação e da palavra. Assim como o voo das aves corta o azul do céu, cabe ao homem, levado pelos ventos da graça, atingir o firmamento espiritual dos ideais e da virtude, da ação e do heroísmo, para culminar nos cimos da piedade e da vida interior, em altíssima comunicação com Deus.

   Inspirando e conduzindo esses voos de espírito, ora retilíneos e serenos, ora fugazes e inesperados, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana modela e orienta as almas com suavidade de mãe, e as guia, tais como gaivotas, rumo a uma Veneza ideal que se encontra mais além… o próprio Céu! (Revista Arautos do Evangelho, Abril/2017, n. 184, p. 50 à 51)

 
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