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Eucaristia


Uma voz que ressoa no silêncio
 
AUTOR: IR. BRUNA ALMEIDA PIVA, EP
 
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Nós não vemos, mas cremos na Presença Real de Cristo na Sagrada Eucaristia. Devemos, então, ter a certeza de que Ele entrará em nosso coração ao comungarmos e decerto terá algo a nos dizer.
Santa Missa.jpg
 Missa presidida por Mons. João Scognamiglio Clá Dias
na Basílica de Nossa Senhora do Rosário

Bruna Almeida Piva

Pouco antes de consumar o sacrifício expiatório que venceria a morte e o pecado, e nos restauraria o reino da graça, abrindo-nos as portas dos Céus, quis Jesus reunir-Se com seus discípulos no Cenáculo e ali celebrar a grande festa que recordava a Antiga Aliança: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer” (Lc 22, 15).

Presença Real de Cristo

Sabia Ele que em breve voltaria para junto do Pai, mas não deixaria órfãos os seus, pois permaneceria eucaristicamente em todos os altares da Terra, desejando, também com ardor, celebrar a nova Páscoa com cada um de seus filhos. Foi com este intuito que instituiu a Sagrada Eucaristia na Última Ceia: “Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu Corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de Mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu Sangue, que é derramado por vós…” (Lc 22, 19-20).

A cada vez que na Santa Missa o sacerdote repete estas palavras no momento da Consagração, ele atua in persona Christi, ou seja, ele empresta sua laringe a Cristo, que transubstancia as Sagradas Espécies.

Quer dizer, Nosso Senhor Jesus Cristo está real e verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento. Porém, não O está sensivelmente, não O podemos ouvir, ver ou tocar, pois Se oculta sob a aparência do pão e do vinho, que já não têm mais a substância anterior, senão que passaram a ser seu próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

O mérito de crer sem ver

Deus assim o quis para provar nossa fé, a fim de alcançarmos méritos para a bem-aventurança eterna, pelo fato de crermos sem ter uma comprovação material, como disse Jesus a Tomé: “Felizes aqueles que creem sem ter visto!” (Jo 20, 29).

Imaginemos se isto não fosse desta forma e Nosso Senhor Se fizesse perceptível aos nossos sentidos. Se nós pudéssemos ver, por exemplo, “um pequeno movimento de sua mão divina, e observar seu pulso, considerando que ali pulsa o Sagrado Coração de Jesus, uma vez que a pulsação do coração se reflete nas veias”; se pudéssemos ouvir sua divina voz, grave, séria e, ao mesmo tempo, muito suave, dizendo-nos palavras de consolação ou até de correção…

Que respeito, que júbilo, que alegria teríamos em relação a tão sublime Sacramento! Não teríamos, contudo, o mérito de crer sem ter tido a comprovação sensível.

Voz misteriosa de Cristo

Ora, se Nosso Senhor está presente na Sagrada Hóstia e não O vemos, mas cremos, ao chegar a hora da Comunhão, na Santa Missa, devemos ter a certeza de que Ele, de fato, entrará em nosso coração e decerto terá algo a nos dizer.

Sim! No interior de nossas almas Ele dirá: “Meu filho, quando dois estão juntos, um sente o outro. Será que quando Eu estou em ti não sentes nada? Ouve a linguagem silenciosa de minha presença, que não te fala aos ouvidos. […] Presta atenção em Mim! Eu estou em ti, a graça te fala. Tu não sentes nada?”.

Esta voz é a voz de Cristo, voz misteriosa da graça que ressoa no silêncio dos corações, que murmura “no fundo das nossas consciências palavras de doçura e de paz”. É um silêncio eloquente que diz muito mais que mil palavras, “que comunica luz, amor, força. E permanece em nossa alma, embora para muitos pareça ser passageiro”.

comunhão de Santa Francisca Romana - Basílica de Santa Maria em Trastevere, Roma.jpg
Comunhão de Santa Francisca Romana – Basílica de Santa
Maria em Trastevere, Roma

Apesar de não O podermos perceber através dos sentidos, Ele não deixa de nos falar à alma e de nos enriquecer com sua presença. Além de nos transformar com sua graça, mesmo que a sensibilidade da alma pareça ausente.

Efeitos da Comunhão na alma

Quando comungamos somos assumidos por Cristo, que “nos diviniza e transforma em Si mesmo. Na Eucaristia alcança o cristão sua máxima cristificação, na qual consiste a santidade”.5 A alma que recebe a Sagrada Comunhão com boas disposições e em estado de graça, intensifica sua união com Ele, pois, “além da inabitação da Santíssima Trindade, acrescenta-se a presença do Corpo glorioso, Sangue e Alma de Nosso Senhor Jesus Cristo: ‘mens impletur gratia’, a alma fica repleta de graça”.6

A cada Comunhão recebida, pelos rogos de Maria Santíssima, nossa inteligência se torna mais perspicaz para os assuntos da Fé, o amor a Deus e ao sobrenatural cresce, e a força para vencer as tentações e fazer sacrifícios, bem como para ter vontade de lutar contra nossos pecados e más inclinações, “se multiplica por si mesma”.

Alegria inefável e gloriosa

Nesta vida, é uma provação o não podermos ver a Nosso Senhor na Eucaristia. Todavia, se ficarmos firmes na fé e formos ardorosos devotos do Santíssimo Sacramento, na vida futura isto nos será motivo de grande alegria, como diz São Pedro: “para que a prova a que é submetida a vossa fé (mais preciosa que o ouro perecível, o qual, entretanto, não deixamos de provar ao fogo) redunde para vosso louvor, para vossa honra e para vossa glória, quando Jesus Cristo Se manifestar. Este Jesus vós O amais, sem O terdes visto; credes n’Ele, sem O verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas” (I Pd 1, 7-9).

Sejamos assíduos frequentadores das Santas Missas e fervorosos ouvintes das misteriosas vozes divinas da graça que clamam em nós – quer seja em meio às consolações ou durante as tribulações – e, no Céu, poderemos ver, sentir e até mesmo abraçar Nosso Senhor Jesus Cristo, num sacrum convivium que perdurará por toda a eternidade. (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2016, n. 174, pp. 22-23)

 
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