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Nossa Senhora das Graças e a Medalha Milagrosa
 
AUTOR: REDAÇÃO
 
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Colunas de mármore, impecavelmente brancas, destacam a alvura do ambiente, iluminado pelos raios do sol que penetram pelas amplas janelas. A idéia de uma pureza imaculada, aliada a uma sensação de densa unção sobrenatural domina até hoje a capela da Congregação das Filhas da Caridade (mais conhecidas no Brasil como Irmãs Vicentinas), na Rue du Bac, em Paris, 170 anos depois de ela haver abrigado a mais augusta visitante que se possa imaginar: a própria Mãe de Deus. E ainda agora, reinando sobre esse ambiente abençoado, uma alva imagem de Nossa Senhora, coroada como Rainha, espargindo raios de suas mãos, parece ainda dizer a quem a contempla: “Venha ao pé deste altar. Aqui serão derramadas graças sobre todos os que as pedirem”.

          Ainda se encontra na Capela a cadeira na qual Nossa Senhora sentou-se, para conversar longamente com a humilde religiosa do convento. E quem é esta? A resposta está sob um altar lateral, onde se vê um esquife de vidro, dentro do qual jaz uma freira miúda, tão serena que parece adormecida. É Santa Catarina Labouré que, em 1830, recebeu da Santíssima Virgem a mensagem sobre a Medalha Milagrosa.

Foi essa humilde irmã de caridade o instrumento escolhido por Deus para impulsionar em todo o mundo a devoção a Maria, por meio dessa medalha que, de fato, fez jus ao nome de “milagrosa”.

O relato do que então acontecera é desenvolvido ao longo destas páginas por MonsenhorJoão Scognamiglio Clá Dias, EP com seu conhecido talento de narrador e mais ainda com sua fervorosa piedade marial e desejo de evangelizar o maior número possível de pessoas.

A história dessa santinha francesa e de seus encontros – pois foram vários – com Nossa Senhora, narração de uma encantadora simplicidade, de uma candura virginal e de um celestial esplendor, não poderá deixar de nos maravilhar e atrair, despertando em nós o desejo de maior devoção a Maria, o meio mais seguro de chegarmos a Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Santa Catarina Labouré

Ela se chamava Catarina, ou Zoé, para os mais íntimos. Sua maior alegria era levar a ração diária para a multidão de pombos que habitava a torre quadrada do pombal de sua casa. Ao avistarem a camponesinha, as aves se lançavam em direção a ela, envolvendo-a,São Vicente de Paula.jpgsubmergindo-a, parecendo querer arrebatá-la e arrastá-la para as alturas. Cativa daquela palpitante nuvem, Catarina ria, defendendo-se contra as mais afoitas, acariciando as mais ternas, deixando sua mão deslizar pela brancura daquelas macias penugens. Durante toda a vida, guardará nostalgia dos pombos de sua infância: “Eram quase 800 cabeças”, costumava dizer, não sem uma pontinha de tímido orgulho…

Catarina Labouré (pronuncia-se “Laburrê”) veio ao mundo em 1806, na província francesa da Borgonha, sob o céu de Fain-les-Moutiers, onde seu pai possuía uma fazenda e outros bens. Aos nove anos perdeu a mãe, uma distinta senhora pertencente à pequena burguesia local, de espírito cultivado e alma nobre, e de um heroísmo doméstico exemplar. Abalada pelo rude golpe, desfeita em lágrimas, Catarina abraça uma imagem da Santíssima Virgem e exclama: “De agora em diante, Vós sereis minha mãe!”

Nossa Senhora não decepcionará a menina que se entregava a Ela com tanta devoção e confiança. A partir de então, adotou-a como filha dileta, alcançando-lhe graças superabundantes que só fizeram crescer sua alma inocente e generosa. Essa encantadora guardiã de pombos, em cujos límpidos olhos azuis se estampavam a saúde, alegria e vida, assim como a gravidade e sensatez advindas das responsabilidades que cedo pesaram sobre seus jovens ombros, essa pequena dona-de-casa modelo (e ainda iletrada) teve seus horizontes interiores abertos para a contemplação e a ascese, conducentes a uma hora de suprema magnificência.

Com as Filhas de São Vicente de Paulo

Certa vez, um sonho deixou Catarina intrigada. Na igreja de Fain-les-Moutiers, ela vê um velho e desconhecido sacerdote celebrando a Missa, cujo olhar a impressiona profundamente. Encerrado o Santo Sacrifício, ele faz um sinal para que Catarina se aproxime. Temerosa, ela se afasta, sempre fascinada por aquele olhar. Ainda em sonho, sai para visitar um pobre doente, e reencontra o mesmo sacerdote, que desta vez lhe diz: “Minha filha, tu agora me foges… mas um dia serás feliz em vir até mim. Deus tem desígnios sobre ti. Não te esqueças disso”. Ao despertar, Catarina repassa em sua mente aquele sonho, sem o compreender…

Algum tempo depois, já com 18 anos, uma imensa surpresa! Ao entrar no parlatório de um convento em Châtillon-sur-Seine, ela depara com um quadro no qual está retratado precisamente aquele ancião de penetrante olhar: é São Vicente de Paulo, Fundador da congregação das Filhas da Caridade, que assim confirma e indica a vocação religiosa de Catarina.

Com efeito, aos 23 anos, vencendo todas as tentativas do pai para afastá-la do caminho que o Senhor lhe traçara, abandona para sempre um mundo que não estava à sua altura, e entra como postulante naquele mesmo convento de Chântillon-sur-Seine. Três meses depois, em 21 de abril de 1830, é aceita no noviciado das Filhas da Caridade, situado na rue du Bac*, em Paris, onde tomará o hábito em janeiro do ano seguinte.

Primeira aparição de Nossa Senhora

Desde a sua entrada no convento da rue du Bac, Catarina Labouré foi favorecida por numerosas visões: o Coração de São Vicente, Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, o Cristo Rei e a Santíssima Virgem. Apesar da importância das outras aparições, devemos nos deter nas da Rainha Celestial. A primeira teve lugar na noite de 18 para 19 de julho de 1830, data em que as Filhas da Caridade celebram a festa de seu santo Fundador. De tudo quanto então sucedeu, deixou Catarina minuciosa descrição:

A Madre Marta nos falara sobre a devoção aos santos, em particular sobre a devoção à Santíssima Virgem – o que me deu desejo de vê-La – e me deitei com esse pensamento: que nessa noite mesmo, eu veria minha Boa Mãe. Como nos haviam distribuído um pedaço do roquete de linho de Sã Vicente, cortei a metade e a engoli, adormecendo com o pensamento de que São Vicente me obteria a graça de contemplar a Santíssima Virgem. Enfim, às onze e meia da noite, ouvi alguém me chamar:

– Irmã Labouré! Irmã Labouré!

Acordando, abri a cortina e vi um menino de quatro a cinco anos, vestido de branc