Fale conosco
 
 
Receba nossos boletins
 
 
 
Artigos


Palavra dos Pastores


Tomai ânimo, não temais!
 
AUTOR: REDAÇÃO
 
Decrease Increase
Texto
Solo lectura
0
0
 
É certamente alarmante, muito alarmante, não o fato de existir o mal que sempre existiu, mas o de ver e sentir o fogo do vício exaltado e glorificado...

Cardeal Norberto Rivera Carrera
Arcebispo Primaz do México

Um dos mais importantes sinais messiânicos, anunciado poeticamente por Isaías na primeira leitura de hoje, é a esperança; a esperança daqueles que estão encadeados pelas trevas, pelo silêncio e pela paralisia: “Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Então se abrirão os olhos do cego e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres” (Is 35, 4-6).

E Jesus realizou o que anunciara o profeta, como acabamos de ouvir na leitura do Evangelho: quando Lhe apresentaram um homem surdo-mudo, Ele “levantou os olhos ao Céu, deu um suspiro e disse: ‘Éfeta!’, que quer dizer ‘Abre-te!’. No mesmo instante os ouvidos se lhe abriram, a prisão da língua se lhe desfez e ele falava perfeitamente” (Mc 7, 34-35).

É muito alarmante ver o vício exaltado e glorificado

É verdade que onde estiver o homem haverá sempre erros, maldades, aberrações, pois estamos feridos pelo pecado. Entretanto, é igualmente certo que, se não se cuidar da consciência moral dos seres humanos, o mal se multiplicará em todos os sentidos. Mais ainda, quando o programa ideológico-moral que se propaga ou se impõe é radicalmente contrário aos direitos humanos fundamentais, perde-se a base para uma autêntica convivência humana. Se os valores básicos são defraudados, com que autoridade pode-se difundir ou exigir os valores ­humanos que tornem possível a dignificação das futuras gerações?

Jesus cura o surdo-mudo..jpg
Necessitamos de Jesus para iluminar nossos
olhos, abrir nossos ouvidos, soltar nossa
língua e fortalecer nossos pés

Jesus cura o surdo-mudo – Biblioteca do Mosteiro
de Yuso, São Millán de la Cogolla (Espanha)

Todos nós somos destinatários das notícias que patenteiam o pouco valor atribuído à vida humana e a normalidade com que se ouvem e se ­veem as cenas de maus tratos, de violências, de assassinatos e todo tipo de injustiças, de impunidade e de glorificação do delito, que estendem seus tentáculos em todas as direções e atingem todos os extremos. Investigam-se as causas do que está acontecendo, e saímos pela tangente. Custa muito pôr o dedo na raiz dos problemas, desses gravíssimos problemas de vida e de convivência.

A perda da consciência do mal é o princípio e fundamento do triunfo e da difusão de todo tipo de maldades. Não é possível lutar contra o mal quando dele não se tem consciência, menos ainda quando a confusão chega ao extremo de confundir o bom com o mau e o verdadeiro com o falso. É impossível proclamar valores quando se diz que tudo é relativo. Agrava-se a situação quando se silenciam ou se perseguem a verdade e o bem, e se proclamam e exaltam a mentira e a maldade.

É certamente alarmante, muito alarmante, não o fato de existir o mal que sempre existiu, mas o de ver e sentir o fogo do vício exaltado e glorificado… Por isso nós, homens e mulheres de nosso tempo, damos voltas dentro do fogo, assistindo à nossa autocremação, sem poder sair porque não sabemos onde está a porta: a recuperação da consciência, a restauração do senso do pecado. Estamos cegos, surdos, mudos e paralíticos. Necessitamos de Jesus para iluminar nossos olhos, abrir nossos ouvidos, soltar nossa língua e fortalecer nossos pés.

Sem Cristo, o homem não tem futuro

Disse alguém, com toda razão, que “o homem não tem futuro sem Cristo”. Cristo é a Verdade, a Vida, o Caminho; devemos dizer e repetir isto, convencidos de que proclamar nossa Fé não é de forma alguma intolerância nem falta de apreço pela fé dos demais. A cultura do Evangelho é a cultura da verdade, da vida, da justiça, da fraternidade, da doação generosa e desinteressada em favor dos demais. Cristo é o criador do grande sulco do perdão no seu mais elevado grau. Cristo conhecido, seguido, imitado, feito consciência própria dentro do homem, eis a única solução. Esta selva de asfalto da grande cidade pode mudar, e mudará certamente, se decidirmos abrir a Jesus Cristo as portas de nosso coração.

O trecho do Evangelho que hoje ouvimos (Mc 7, 31-37) mostra-nos como aquele homem, acompanhado por seus familiares, junto com eles, experimenta uma radical mudança em sua vida. Após seu encontro com Jesus, ele já não é o mesmo: seus ouvidos se abriram, destravou-se sua língua, começou a falar sem dificuldade. Deu-lhe Jesus capacidade para escutar a Palavra e poder assim descobrir em sua vida o projeto de Deus. Soltou-lhe a língua e ele pôde proclamar, junto com muitos outros, que Jesus “fez bem todas as coisas. Fez ouvir os surdos e falar os mudos!” (Mc 7, 37). Recordemos o que nos disse no Estádio Asteca o Papa São João Paulo II: “O ideal que Jesus Cristo vos propõe e ensina com a sua vida é sem dúvida muito nobre, mas é o único que pode dar plenamente sentido à vida” (Discurso, 25/1/1999). Vocês se encontraram com Jesus Cristo, já não podem continuar surdos à voz do Senhor; já não estão mudos, vão e convidem os outros, dizendo-lhes: “Venham e comprovem como é bom o Senhor!”

(Homilia pronunciada em 6/9/2015, na Catedral Metropolitana  Texto original em www.arquidiocesismexico.org.mx)

– Revista Arautos do Evangelho, Novembro/2015, n.167, pp. 38-39.

 
Comentários