O Bem-aventurado Nevolon, nascido no século XIII, em Faença, na Romanha, exercia o mister de sapateiro. Teve a infelicidade de se afastar na juventude das santas veredas do Evangelho; uma doença grave que sofreu na idade de vinte e quatro anos foi um meio da graça para o reconduzir à virtude. Reconquistando a saúde, deu provas de sincera conversão, primeiro, por uma mudança completa no procedimento, depois, pelo sacrifício do pouco que possuía, em favor dos pobres, aos quais consagrou todo o fruto de seu trabalho.
Não contente com praticar as obras de misericórdia, o novo convertido, a fim de castigar o corpo, abraçou o gênero de
vida mais austera; jejuava três vezes por semana, a pão e água, quando os jejuns eram ordenados pela Igreja. As peregrinações estavam muito em uso naquele século; por espírito de mortificação, Nevolon empreendeu a do túmulo dos Santos Apóstolos, a Roma e a de São Tiago, na Galícia; fê-las como verdadeiro penitente e terminou a segunda, descalço.
De regresso à pátria, o servo de deus teve muito que sofrer do mau humor de sua esposa, que ao vê-lo ocupar-se unicamente de sua salvação e fazer abundantes esmolas, queixava-se amargamente. Ele suportava-lhe as queixas com paciência e continuava a caminhar com coragem na estrada da perfeição.
Um dia, um mendigo lhe pediu uma esmola e ele disse à esposa que lhe desse um pedaço de pão. Não temos mais nada no armário, respondeu ela. Como ele insistisse, ela deu-lhe várias vezes a mesma resposta. - Em nome do Senhor, vai, disse ele por fim, e dá esmola a esse pobre. - Comovida por tais palavras, ela abriu o armário, e qual não foi o seu espanto! Encontrou lá uma grande quantidade de pão. Aquele prodígio a comoveu de tal modo, que mudou de sentimento sobre seu santo esposo, e o acompanhou, desde então, em suas viagens de devoção. Ela morreu, de volta de uma dessas peregrinações, e Nevolon que não deixava passar nenhuma ocasião para aliviar os indigentes, distribuiu às viúvas, aos órfãos e aos pobres, todos os objetos que constituíam a herança recolhida de sua esposa.
Sua generosidade para com os pobres, o reduziu também à extrema indigência e ele abrigou-se na casa do irmão Lourenço, assim chamado, porque um eremita desse nome, da ordem de Valumbrosa, morava lá com cinco irmãos e levava um gênero de vida muito austera.
Nevolon dormia sobre uma tábua ou sobre a terra nua, dava pouco tempo ao sono e o tomava de maneira que aquele descanso se tornava para ele, um ato de mortificação. Ele deixava às vezes esse lugar, para fazer peregrinações. Um dia, quando estava a caminho e sentia fome, pediu inutilmente a um hoteleiro que lhe desse um pedaço de pão; não o pode conseguir, porque não tinha dinheiro e aquele homem disse-lhe que o fosse pedir de porta em porta. A essas palavras o servo de Deus, ergueu os olhos ao céu e rogou ao Senhor que o socorresse na sua necessidade. Depois os abaixou e viu a seus pés uma moeda que lhe serviu para pagar o pão que antes tinha pedido por esmola. O socorro inesperado da Providência comoveu o hoteleiro que, lembrando-se de que Deus lhe pedira contas um dia, em seu juízo, se tinha auxiliado os pobres, tornou-se daquele momento menos insensível às suas necessidades.
O bem-aventurado Nevolon, chegou à mais provecta velhice, morreu santamente em Faença a 27 de Julho de 1280. Afirma-se que os sinos da igreja na qual ia rezar, tocaram sozinhos, para anunciar sua morte. Admirado com aquele prodígio, o vigário da igreja foi com várias testemunhas à pequena casa onde morava os ervo de Deus e o encontrou de joelhos, pensando que estava em oração; mas logo, examinando-o, de perto viu que estava morto. O vigário procurou informar de tudo o Bispo. O prelado acompanhado por uma grande multidão de povo, veio buscar o santo corpo e o depositou em sua catedral, onde lhe foi erguido um monumento de mármore. A confiança dos fiéis nesse bem-aventurado foi autorizada por vários milagres, que ele operou. Seu culto foi aprovado pelo Papa Pio VII, a 31 de Maio de 1817. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 373 à 375)