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Um dos mais belos modos de se fazer a meditação sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo consiste em rezar a Via-Sacra.

Reze agora e contemple os mistérios da Paixão do Senhor!
 
 
 
 
Oração
Inicial

Sem Mim nada podeis fazer (Jo 15, 5)

Ó meu Jesus, preparo­-me neste instante para acompanhar-­Vos em Vossa Via Sacra. Nela eu Vos encontrarei chagado, sem forças e ensanguentado. Forte expressão usa a Escritura ao referir­-se à Vossa Paixão: “Eu porém, sou um verme, não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe” (Sl 21, 7). Muito diferente está Vossa Divina figura d’Aquela que os Apóstolos contemplaram no Tabor, ou caminhando sobre as águas, ou curando os enfermos. Nessa divina tragédia verei estampada a feiura e a maldade de meus pecados. Aos Vossos pés deposito minhas misérias e peço-­Vos perdão pela enorme culpa que tenho em Vossos tormentos!

Recorro, para isso, à intercessão da Virgem Dolorosa. Que Ela me cubra com seu maternal manto, auxiliando­-me a unir­-me a Vós e também a abraçar a minha cruz.

Amém..

 
 
 
I
Estação
Jesus é condenado
à morte
 
 
 
 
I
Estação
Jesus é condenado à morte

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


P ilatos tornou a entrar no pretório, chamou Jesus e disse­-Lhe: “Tu és o rei dos judeus?” (...) Respondeu Jesus:” O Meu Reino não é deste mundo; se o Meu Reino fosse deste mundo, pelejariam os Meus servos, para que Eu não fosse entregue aos judeus; mas o Meu Reino não é daqui” (Jo 18,33 e 36).

Pilatos (...) fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: “Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco!” E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!” Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado (Mt 27, 24­26).

Jesus, ao afirmar não ser o Seu reino deste mundo, não deixa de querer ser o Rei dos nossos corações. Ele irá entregar­Se nas mãos dos carrascos por amor a nós. Neste momento de Sua prisão, não devemos oferecer-­Lhe também nossos corações?

Não quero ser neutro face a esse profundo desejo de Jesus. Essa foi a grande falta cometida por Pilatos: a neutralidade diante de um apelo divino e de uma criminosa acusação.

Jesus está a implorar meu coração neste passo da Paixão, Ele quer a minha santificação.

Ó meu adorável Jesus, vejo o enorme peso dos meus pecados no ódio dos que Vos rejeitam. Aceitai, Senhor, o meu pobre coração e assumi-­o como Rei e dono absoluto. Estou seguro de que se assim o fizerdes, jamais Vos ofenderei.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
II
Estação
Jesus carrega a
Cruz às costas
 
 
 
 
II
Estação
Jesus carrega a Cruz às costas

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


E le próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota (Jo 19, 17). Em verdade, Ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos (Is 53, 4).

Jamais um romano poderia ser condenado à morte de crucifixão, por ser a cruz o símbolo máximo da desonra, reservada aos piores criminosos. Mas o sinal da vergonha por excelência foi abraçado por Jesus, “Ele próprio carregava a sua cruz...”

Neste passo da Paixão, Jesus toma sobre Seus ombros adoráveis os meus pecados. Entretanto, o Divino Redentor é Rei tão grandioso que transformará a cruz em objeto de elevada nobreza e distinção. Ela será colocada no alto das igrejas, nas coroas dos reis... e será a paixão dos santos.

Que devo eu oferecer a Jesus neste momento em que O vejo beijar a cruz?

Ó Jesus meu! Ao ver­-Vos ajoelhado para abraçar o instrumento do Vosso suplício, lanço­ me a Vossos pés contrito e humilhado. Consumi todas as minhas culpas na Vossa infinita misericórdia e transformai-­as em mais uma coroa de Vossa glória.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
III
Estação
Jesus cai pela
primeira vez
 
 
 
 
III
Estação
Jesus cai pela primeira vez

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


M as Ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades. O castigo que nos salva pesou sobre Ele, e fomos curados graças às suas chagas (Is 53, 5).

Terríveis são os nossos crimes, eles fazem cair um Deus feito homem!

Não era longo o caminho até ao Calvário. Contudo, o esgotamento produzido pela flagelação... a coroação de espinhos... a noite sem dormir...

Ele bem poderia negar­-Se a continuar a Sua Via Sacra. Bastaria todo o ocorrido para justificar uma incapacidade de prosseguir. Mas, Ele deseja ensinar­-nos a nunca desanimar, a jamais desistir. Neste passo, Ele demonstra estar disposto a nos reerguer de nossas quedas, por piores que sejam.

Ó Jesus, castigado pelos meus crimes, elevai-­me desta situação em que me encontro, produzi em mim uma verdadeira conversão, para que eu retorne ao caminho de minha salvação e nunca desanime de a alcançar. Que eu deteste tudo aquilo que me separa de Vós. Que eu morra para o pecado e, quando cair, jamais desconfie do Vosso socorro.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
IV
Estação
Encontro de Jesus com
sua Mãe Santíssima
 
 
 
 
IV
Estação
Encontro de Jesus com sua Mãe Santíssima

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


S imeão abençoou-­os e disse a Maria, sua mãe: “Eis que este Menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma (Lc 2, 34­35).

Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta (Lm 1, 12).

“Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (Lc 2, 51). Devia Ela lembrar­-se com exatidão das palavras do Arcanjo São Gabriel durante a Anunciação: “Ele será grande e chamar-­se-­á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente na casa de Jacob, e o seu reino não terá fim” (Lc 1, 32­33).

Mas como será esse trono e esse reino, deveria pensar Ela, se meu Filho é uma só chaga da cabeça aos pés, sem forças sob o peso da cruz?

Maria, por sua sabedoria, conhecia profundamente a imensa gravidade do pecado. Mas seria necessário levar as coisas a esse ponto? Quem poderia imaginar cena mais trágica? Uma espada de dor penetrou em sua alma puríssima e ali depositou um sofrimento lancinante.

Ó Virgem Dolorosa, perdão! Perdão pela grande culpa que tenho neste passo da Paixão. Agradeço-­Vos por Vos terdes associado aos tormentos de Vosso Divino Filho para me redimir. Ó celeste Co­redentora, invoco essa sagrada troca de olhares entre Mãe e Fillho, em circunstâncias tão dramáticas, para implorar perdão.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
V
Estação
Simão Cirineu ajuda a
Jesus a carregar a Cruz
 
 
 
 
V
Estação
Simão Cirineu ajuda a Jesus a carregar a Cruz

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


P assava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram­-no que Lhe levasse a cruz (Mc 15, 20­21).

Os soldados romanos receiam que o Divino condenado venha a morrer, antes mesmo de chegar ao Gólgota. É urgente encontrar alguém que O auxilie a terminar o percurso.

O centurião que comandava os soldados romanos vê Simão. Quem era ele? Sabe­se somente que era de Cirene, quase um anônimo. Porém, embora obrigado, ajudou a levar a cruz de Jesus, e de alguma forma cooperou com a obra da Redenção.

Oh! exemplo extraordinário para mim! Mesmo que fosse inocente, devo lembrar­-me das palavras do Divino Mestre: “Quem não toma a sua cruz e não Me segue, não é digno de Mim” (Mt 10, 38).

É indispensável que eu tome a minha cruz, ou seja, aquela responsabilidade, aquela humilhação. A cruz da honestidade, da retidão de consciência e da prática da virtude. Sim, é preciso que eu seja perfeito.

Ó Jesus que neste passo de Vossa Paixão pedis a minha ajuda, quero seguir­-Vos com a minha cruz. Mas, ajudai-­me a ajudar-­Vos, Senhor.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
VI
Estação
Verônica enxuga o
rosto de Jesus
 
 
 
 
VI
Estação
Verônica enxuga o rosto de Jesus

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


F azei brilhar sobre nós, Senhor, a luz da vossa face. Confiado na Vossa justiça, eu contemplarei a Vossa face; ao despertar, saciar­-me-­ei com a visão de Vossa imagem.(Sl 4, 7; 16, 15).

“Vera ícona”, ou seja, verdadeira imagem. Este é o significado do nome daquela que se compadeceu de Jesus e Lhe enxugou o rosto. Que poderia oferecer Ele, naquele momento, em retribuição por tão distinta atitude? A Sua verdadeira Face! Jesus quis deixar-­nos esta preciosa mensagem: sempre que, de alguma forma, eu Lhe enxugar a Face, sua fisionomia se estampará em minha alma, serei outro Cristo. Sim, “christianus alter Christus”, o cristão é um outro Cristo.

Se, na vida de todos os dias, me empenhar em auxiliar o próximo a trilhar as vias do Evangelho, a buscar a Salvação, a face de Cristo se fixará em meu espírito, e eu me tornarei semelhante a Ele.

Senhor, compreendo agora, por um auxílio da Vossa graça, o Vosso mandamento: “Amai-Vos uns aos outros, como Eu vos tenho amado” (Jo 13, 34). Quereis de mim que eu seja atencioso com os necessitados de meu auxílio, bondoso para com os humildes, forte para com os orgulhosos. Estou disposto a assim proceder.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
VII
Estação
Jesus cai pela
segunda vez
 
 
 
 
VII
Estação
Jesus cai pela segunda vez

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


N ão abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. O Senhor torna firmes os passos do homem e aprova os seus caminhos. Ainda que caia, não ficará prostrado, porque o Senhor o sustenta pela mão (Sl 36, 23­24).

Apesar do auxílio do Cireneu, o peso da cruz vai se tornando esmagador. Quem, ao cair pela segunda vez naquelas circunstâncias, não se deixaria permanecer no chão? Era a oportunidade para desistir. Mas Jesus quis levar até ao fim o holocausto. E como eram suaves aquelas pedras do caminho em comparação com os sofrimentos que ainda viriam pela frente...

Mais uma vez, quis Jesus mostrar-­nos qual deve ser a extensão de nossa confiança, mesmo quando recaímos em nossas faltas. O Salvador está sempre disposto a nos perdoar. Tendo Ele assumido nossas culpas, jamais deixará de nos reerguer.

Pelos infinitos méritos dessa Vossa segunda queda, confirmai­-me na Vossa graça, por Maria Santíssima eu Vo­lo imploro.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
VIII
Estação
Jesus consola as Filhas
de Jerusalém
 
 
 
 
VIII
Estação
Jesus consola as Filhas de Jerusalém

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


S eguiam uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e O lamentavam. Voltando­-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos (Lc 23, 28).

Jesus, embora mergulhado nos tormentos da Paixão, caminhava para o triunfo do cumprimento de Sua missão. Mas, na sua infinita justiça, não deixava de advertir as santas mulheres da necessidade de repararem o pecado coletivo. Não bastava comoverem­-se com a tragédia de um Deus injustiçado. Era indispensável aplacar a cólera divina contra os homens, pelo crime cometido.

Ó Jesus, Senhor da Justiça que a todo bem premiais e a todo mal castigais, dai-­me a graça de ter plena consciência de minhas loucuras, crimes e pecados, a fim de pedir-­Vos perdão com sinceridade. Quanto mais profundamente eu reconhecer minhas faltas, melhor será o meu arrependimento e mais completa será a Vossa absolvição.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
IX
Estação
Jesus cai pela
terceira vez
 
 
 
 
IX
Estação
Jesus cai pela terceira vez

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


M as aprouve ao Senhor esmagá-­Lo pelo sofrimento (Is. 53, 3). Também Cristo padeceu por vós, deixando­-Vos exemplo para que sigais os Seus passos. Carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça (I Pe 2, 21, 24).

Aí está, diante dos meus olhos, e sob o peso da cruz, a luz do mundo caída ao chão pela terceira vez. De que serviu o Cireneu para carregar a Cruz? Por que não tomou ele sobre seus ombros pelo menos a parte mais pesada? Se os soldados haviam já decidido convocar compulsoriamente o Cireneu, não lhes faltava compreensão para perceber o estado de esgotamento de sua vítima. Por que lhe exigem continuar a caminhada? Uma vez mais é a imagem da nossa miséria. Assim somos nós.

Se eu fosse o Cireneu, procederia de outra forma? Quantas e quantas vezes não fui relaxado no cumprimento de meus deveres, na prática da virtude, no evitar as ocasiões que me levam ao pecado... Como estou longe da perfeição, deixando Jesus ser quase esmagado sob o peso da Cruz, sem me preocupar em ajudá-­Lo!

Jesus dá­-me o divino exemplo: se me abandonam ou me perseguem, e caio sob o madeiro das decepções, jamais o desânimo me abaterá. Sempre há mais para dar, mesmo quando as forças parecem já não existir. Essa é também uma das lições conti-das nesta Estação.

Ó meu Jesus, eu Vos agradeço o exemplo de generosidade e entrega totais que neste passo da Paixão me dais, e rogo-­Vos graças eficazes para Vos servir continuamente com amor desinteressado e ânimo forte.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
X
Estação
Jesus é despojado
de suas vestes
 
 
 
 
X
Estação
Jesus é despojado de suas vestes

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


S Tomaram as Suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros: “Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela para ver de quem será”. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Jo 19, 23­24).

Quem poderia imaginar tão grande humilhação? Jesus, o próprio criador do pudor é despojado de Suas vestes diante de todo o populacho. Talvez para reparar a imoralidade e falta de modéstia dos trajes de épocas futuras. De modas que receberiam a grave censura de Nossa Senhora, em Fátima.

Quatro são os cantos da terra e em quatro se repartem os Seus pertences. É um belíssimo símbolo da expansão da mais alta das obras de Jesus, a Santa Igreja, que tomará conta de toda a extensão do mundo.

Sobre a túnica decidiram jogar a sorte, por concluírem os soldados tratar-­se de uma peça de elevado valor, pois não tinha uma só costura de alto a baixo.

A Santa Igreja é simbolizada em sua unidade perfeita pela túnica sem costura. Ela reclama uma união total entre todos os seus fiéis, não comportando a menor divisão.

Ó meu Jesus, que eu ame a unidade de Vossa Santa Igreja e trabalhe por sua expansão no mundo inteiro, jamais fazendo acepção de pessoas nessa tarefa, para ajudar-­Vos a salvar pobres ou ricos, enfim, todas as almas.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
XI
Estação
Jesus é pregado
na Cruz
 
 
 
 
XI
Estação
Jesus é pregado na Cruz

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


C hegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali O crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda. Pilatos redigiu uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: “Jesus de Nazaré, rei dos judeus” (Lc 23, 33; Jo 19, 19).

Por fim chega Jesus ao Calvário, lugar onde, segundo uma piedosa e antiga tradição, Adão havia sido sepultado. Ali abundara o pecado, ali transbordaria a graça.

Crucificado! Aquela mesma cruz que tanto Lhe pesara sobre os ombros seria o Seu instrumento de morte. Os braços? Abertos, para atrair a Si a humanidade inteira, conforme afirma S. João Crisóstomo. Já em estado pré­agônico, enormes cravos perfuram as Suas sagradas mãos e divinos pés, levando Jesus a contorcer-­Se de dor.

O requinte da maldade de seus acusadores chega ao ponto de O crucificarem entre dois ladrões para ser considerado também como tal. Enquanto os soldados repartiam entre si os haveres materiais do Divino Crucificado, Ele entregava sua preciosa herança – Maria Santíssima – ao discípulo amado, num último e supremo gesto de amor filial.

Ó Jesus meu! Vejo, nesta meditação, o drama da loucura de amor de um Deus por Suas criaturas. Se fosse eu o único a haver pecado, Vosso procedimento não teria sido outro. Vós fostes crucificado por mim.

Concedei-­me as mesmas graças derramadas sobre o bom ladrão e possa eu, assim, um dia estar convosco no Paraíso.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
XII
Estação
Jesus morre
na Cruz
 
 
 
 
XII
Estação
Jesus morre na Cruz

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


H avendo Jesus tomado do vinagre, disse: “Tudo está consumado”. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro que com Ele foram crucificados.Chegando porém, a Jesus, como O vissem já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu­-Lhe o lado com uma lança e imediatamente saiu sangue e água (Jo 19, 30; 32­34).

“Inclinou a cabeça e rendeu o espírito”, afirma o Evangelho. A este respeito, pergunta Santo Agostinho: “Quem pode dormir quando quer, como Jesus morreu quando quis?” E afirma São João Crisóstomo: “Por Seus atos, indica o Evangelista que Ele era Senhor de todas as coisas”.

Do seu lado “saiu sangue e água”, que simbolizam os Sacramentos da Igreja, indispensáveis para nossa salvação. São João emprega o verbo “abrir” para significar a abertura da porta da qual nasceria a Santa Igreja.

Ó meu Jesus, prova de amor maior não há! Vós destes Vossa preciosíssima vida por mim! E que Vos devo dar eu? Pensar que esse mesmo sacrifício se renova todos os dias sobre o altar, de forma incruenta, para que eu me beneficiasse dele totalmente!

Ah, Senhor, aceitai o meu pobre ser, o meu corpo, a minha alma, os meus familiares, tudo o que me pertence agora e no futuro, até os meus méritos. Tudo é vosso, Senhor, e a Vós entrego em retribuição, por meio de Maria Santíssima.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
XIII
Estação
Jesus é descido
da Cruz
 
 
 
 
XIII
Estação
Jesus é descido da Cruz

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


D epois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus. Acompanhou­-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e O envolveram em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar (Jo 19, 38­40).

A Providência traça com perfeição as linhas da História. José de Arimatéia, além de ser nobre, era muito relacionado com Poncio Pilatos, reunindo portanto as condições favoráveis para dele obter a autorização necessária para que Jesus não fosse enterrado como um condenado qualquer, mas sim como uma pessoa ilustre. Quem, a não ser José, teria coragem de se apresentar ao governador romano para lhe pedir o corpo de um crucificado? Por isso, a respeito dele comenta S. João Crisóstomo: “Veja­-se o valor deste homem; põe­-se em perigo de morte, atraindo sobre si as inimizades de todos, por seu afeto a Jesus Cristo...”

Que graça insígne destes a este José! A de poder descer da cruz, com o auxílio de Nicodemos, o Divino Corpo, vítima de valor infinito, e de sepultá­Lo.

Ó Sagrado Corpo de Jesus, vendo-­Vos assim sem vida, sinto meu coração gemer. Essas mãos que deram ordens aos mares e às tempestades, expulsaram os vendilhões do Templo e fizeram o bem por todo Israel, já não se articulam. Os Vossos pés, que caminharam sobre as águas e trilharam todos os caminhos em busca dos necessitados, não se movem. A Vossa voz, que fazia estremecer os fariseus, mas perdoava com doçura os pecadores arrependidos, já não se faz ouvir. Uma só chaga Vos cobre de alto a baixo.

Ó Virgem Dolorosa, eu Vos imploro a insigne graça de manter diante de mim, pelo resto da minha vida, essa terrível imagem da gravidade do pecado. Perdão, minha Mãe, perdão! E ajudai­-me a nunca mais pecar!

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
XIV
Estação
Jesus é sepultado
 
 
 
 
XIV
Estação
Jesus é sepultado

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


N o lugar em que Ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo. Depois (José de Arimatéia) rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi­se embora. Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo (Jo 19, 41­42; Mt 27, 60­61).

Uma grande pedra nos separa, neste momento, do Corpo Sagrado de Jesus.

Quem tivesse Fé, poderia adorar a Jesus em Corpo e Divindade presente no Sepulcro, e dEle se beneficiar, recebendo graças concedidas diretamente pelo Salvador. Esse foi o grande consolo das Santas Mulheres.

Por isso afirma São Jerónimo: “As mulheres perseveraram no seu dever, esperando o que Jesus havia prometido; por esta razão mereceram ser as primeiras a verem a Ressurreição, porque “quem perseverar até ao fim, se salvará.”
Felizes as Santas Mulheres! Mais felizes ainda somos nós, pois temos a Jesus em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Eucaristia. Nela nós O adoramos, não com “uma grande lápide” de permeio, mas tão somente através das aparências do pão e do vinho.

A Vós, ó Virgem, recorro a fim de que me obtenhais de Jesus sepultado, a confirmação na graça de Deus para, um dia, seguindo os Vossos caminhos e os dEle, possa eu ressuscitar para a glória eterna.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém..


 
 
 
 
Oração Final

E m Vós, ó Virgem Dolorosa, recordo a síntese de todos os episódios por mim meditados. Que graças místicas não Vos devem ter sido concedidas em meio àquelas angústias! Graças de sentir em Si mesma as próprias dores do Redentor. Não é sem razão que, debaixo de certo ângulo, Vós podeis ser chamada de Co­Redendora.

É a Vós que “recorro e de Vós me valho, gemendo sob o peso de meus pecados”, na inabalável convicção de que “nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à Vossa proteção, implorado a vossa assistência e reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado”.

Mãe Dolorosa, é a Vós que recorro, imploro e reclamo pelo perdão de meus pecados, pela minha salvação eterna e pela total santificação de minha alma.

E muito Vos peço ainda pela sociedade em geral, e pela própria Santa Igreja Católica Apostólica e Romana, para que cheguem à plenitude de seu esplendor e graça, e possa assim ser realizada a proclamação universal do triunfo do vosso Imaculado Coração:

“Por fim Meu Imaculado Coração triunfará!” Amém.


 
 
 
 
Requisitos para
obter indulgência
plenária

E Pode­-se obter indulgência plenária rezando a Via­-Sacra de acordo com o costume, que consiste em fazer as leituras, orações e meditações de cada Estação diante do respectivo quadro, ou cruz, colocados habitualmente ao longo das paredes das igrejas. Quando a Via–Sacra é rezada em conjunto e há dificuldade de todos se movimentarem ordenadamente, de uma Estação para outra, basta que o dirigente se desloque.

É necessário ainda, além da repulsa de todo o afeto a qualquer pecado, até venial, o cumprimento das três condições seguintes: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice (costuma-­se rezar um Pai ­Nosso, uma Ave­-Maria e um Glória). Uma confissão pode valer para se obterem todas as indulgências plenárias durante o período de um mês.

//

Indulgências da
Via Sacra

A lém dos méritos adquiridos pelo exercício da Via-Sacra, podemos também facilmente ser beneficiados pelas indulgências concedidas pela Igreja a quem cumprir determinadas condições.

Pela obtenção de indulgências nos é perdoada total ou parcialmente a pena devida pelos nossos pecados, ou seja, o Purgatório após a morte. As indulgências podem também ser aplicadas às almas de pessoas já falecidas.

Esta Via Sacra é de autoria do Monsenhor João Clá Dias, EP


 

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Um dos mais belos modos de se fazer a meditação sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo consiste em rezar a Via-Sacra.

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Oração Inicial

"Sem Mim nada podeis fazer (Jo 15, 5)"

Ó meu Jesus, preparo-­me neste instante para acompanhar-­Vos em Vossa Via Sacra. Nela eu Vos encontrarei chagado, sem forças e ensanguentado. Forte expressão usa a Escritura ao referir-­se à Vossa Paixão: “Eu porém, sou um verme, não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe” (Sl 21, 7). Muito diferente está Vossa Divina figura d’Aquela que os Apóstolos contemplaram no Tabor, ou caminhando sobre as águas, ou curando os enfermos. Nessa divina tragédia verei estampada a feiura e a maldade de meus pecados. Aos Vossos pés deposito minhas misérias e peço-­Vos perdão pela enorme culpa que tenho em Vossos tormentos!

Recorro, para isso, à intercessão da Virgem Dolorosa. Que Ela me cubra com seu maternal manto, auxiliando­-me a unir-­me a Vós e também a abraçar a minha cruz.

Amém..

 
I
Estação
Jesus é condenado à morte

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

P ilatos tornou a entrar no pretório, chamou Jesus e disse-­Lhe: “Tu és o rei dos judeus?” (...) Respondeu Jesus:” O Meu Reino não é deste mundo; se o Meu Reino fosse deste mundo, pelejariam os Meus servos, para que Eu não fosse entregue aos judeus; mas o Meu Reino não é daqui” (Jo 18,33 e 36).

Pilatos (...) fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: “Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco!” E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!” Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado (Mt 27, 24­26).

Jesus, ao afirmar não ser o Seu reino deste mundo, não deixa de querer ser o Rei dos nossos corações. Ele irá entregar­Se nas mãos dos carrascos por amor a nós. Neste momento de Sua prisão, não devemos oferecer-­Lhe também nossos corações?

Não quero ser neutro face a esse profundo desejo de Jesus. Essa foi a grande falta cometida por Pilatos: a neutralidade diante de um apelo divino e de uma criminosa acusação.

Jesus está a implorar meu coração neste passo da Paixão, Ele quer a minha santificação.

Ó meu adorável Jesus, vejo o enorme peso dos meus pecados no ódio dos que Vos rejeitam. Aceitai, Senhor, o meu pobre coração e assumi-­o como Rei e dono absoluto. Estou seguro de que se assim o fizerdes, jamais Vos ofenderei.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
II
Estação
Jesus carrega a Cruz às costas

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

E le próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota (Jo 19, 17). Em verdade, Ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos (Is 53, 4).

Jamais um romano poderia ser condenado à morte de crucifixão, por ser a cruz o símbolo máximo da desonra, reservada aos piores criminosos. Mas o sinal da vergonha por excelência foi abraçado por Jesus, “Ele próprio carregava a sua cruz...”

Neste passo da Paixão, Jesus toma sobre Seus ombros adoráveis os meus pecados. Entretanto, o Divino Redentor é Rei tão grandioso que transformará a cruz em objeto de elevada nobreza e distinção. Ela será colocada no alto das igrejas, nas coroas dos reis... e será a paixão dos santos.

Que devo eu oferecer a Jesus neste momento em que O vejo beijar a cruz?

Ó Jesus meu! Ao ver­-Vos ajoelhado para abraçar o instrumento do Vosso suplício, lanço­me a Vossos pés contrito e humilhado. Consumi todas as minhas culpas na Vossainfinita misericórdia e transformai-­as em mais uma coroa de Vossa glória.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
III
Estação
Jesus cai pela primeira vez

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

M as Ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades. O castigo que nos salva pesou sobre Ele, e fomos curados graças às suas chagas (Is 53, 5).

Terríveis são os nossos crimes, eles fazem cair um Deus feito homem!

Não era longo o caminho até ao Calvário. Contudo, o esgotamento produzido pela flagelação... a coroação de espinhos... a noite sem dormir...

Ele bem poderia negar-­Se a continuar a Sua Via Sacra. Bastaria todo o ocorrido para justificar uma incapacidade de prosseguir. Mas, Ele deseja ensinar­-nos a nunca desanimar, a jamais desistir. Neste passo, Ele demonstra estar disposto a nos reerguer de nossas quedas, por piores que sejam.

Ó Jesus, castigado pelos meus crimes, elevai-­me desta situação em que me encontro, produzi em mim uma verdadeira conversão, para que eu retorne ao caminho de minha salvação e nunca desanime de a alcançar. Que eu deteste tudo aquilo que me separa de Vós. Que eu morra para o pecado e, quando cair, jamais desconfie do Vosso socorro.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
IV
Estação
Encontro de Jesus com sua Mãe Santíssima

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

S imeão abençoou-­os e disse a Maria, sua mãe: “Eis que este Menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma (Lc 2, 34­35).

Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta (Lm 1, 12).

“Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (Lc 2, 51). Devia Ela lembrar­-se com exatidão das palavras do Arcanjo São Gabriel durante a Anunciação: “Ele será grande e chamar-­se-­á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente na casa de Jacob, e o seu reino não terá fim” (Lc 1, 32­33).

Mas como será esse trono e esse reino, deveria pensar Ela, se meu Filho é uma só chaga da cabeça aos pés, sem forças sob o peso da cruz?

Maria, por sua sabedoria, conhecia profundamente a imensa gravidade do pecado. Mas seria necessário levar as coisas a esse ponto? Quem poderia imaginar cena mais trágica? Uma espada de dor penetrou em sua alma puríssima e ali depositou um sofrimento lancinante.

Ó Virgem Dolorosa, perdão! Perdão pela grande culpa que tenho neste passo da Paixão. Agradeço­-Vos por Vos terdes associado aos tormentos de Vosso Divino Filho para me redimir. Ó celeste Co­redentora, invoco essa sagrada troca de olhares entre Mãe e Fillho, em circunstâncias tão dramáticas, para implorar perdão.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
V
Estação
Simão Cirineu ajuda a Jesus a carregar a Cruz

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

P assava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram-­no que Lhe levasse a cruz (Mc 15, 20­21).

Os soldados romanos receiam que o Divino condenado venha a morrer, antes mesmo de chegar ao Gólgota. É urgente encontrar alguém que O auxilie a terminar o percurso.

O centurião que comandava os soldados romanos vê Simão. Quem era ele? Sabe­se somente que era de Cirene, quase um anônimo. Porém, embora obrigado, ajudou a levar a cruz de Jesus, e de alguma forma cooperou com a obra da Redenção.

Oh! exemplo extraordinário para mim! Mesmo que fosse inocente, devo lembrar-­me das palavras do Divino Mestre: “Quem não toma a sua cruz e não Me segue, não é digno de Mim” (Mt 10, 38).

É indispensável que eu tome a minha cruz, ou seja, aquela responsabilidade, aquela humilhação. A cruz da honestidade, da retidão de consciência e da prática da virtude. Sim, é preciso que eu seja perfeito.

Ó Jesus que neste passo de Vossa Paixão pedis a minha ajuda, quero seguir­-Vos com a minha cruz. Mas, ajudai-­me a ajudar­-Vos, Senhor.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
VI
Estação
Verônica enxuga o rosto de Jesus

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

F azei brilhar sobre nós, Senhor, a luz da vossa face. Confiado na Vossa justiça, eu contemplarei a Vossa face; ao despertar, saciar­-me­-ei com a visão de Vossa imagem.(Sl 4, 7; 16, 15).

“Vera ícona”, ou seja, verdadeira imagem. Este é o significado do nome daquela que se compadeceu de Jesus e Lhe enxugou o rosto. Que poderia oferecer Ele, naquele momento, em retribuição por tão distinta atitude? A Sua verdadeira Face! Jesus quis deixar-­nos esta preciosa mensagem: sempre que, de alguma forma, eu Lhe enxugar a Face, sua fisionomia se estampará em minha alma, serei outro Cristo. Sim, “christianus alter Christus”, o cristão é um outro Cristo.

Se, na vida de todos os dias, me empenhar em auxiliar o próximo a trilhar as vias do Evangelho, a buscar a Salvação, a face de Cristo se fixará em meu espírito, e eu me tornarei semelhante a Ele.

Senhor, compreendo agora, por um auxílio da Vossa graça, o Vosso mandamento: “Amai-Vos uns aos outros, como Eu vos tenho amado” (Jo 13, 34). Quereis de mim que eu seja atencioso com os necessitados de meu auxílio, bondoso para com os humildes, forte para com os orgulhosos. Estou disposto a assim proceder.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
VII
Estação
Jesus cai pela segunda vez

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

N ão abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. O Senhor torna firmes os passos do homem e aprova os seus caminhos. Ainda que caia, não ficará prostrado, porque o Senhor o sustenta pela mão (Sl 36, 23­24).

Apesar do auxílio do Cireneu, o peso da cruz vai se tornando esmagador. Quem, ao cair pela segunda vez naquelas circunstâncias, não se deixaria permanecer no chão? Era a oportunidade para desistir. Mas Jesus quis levar até ao fim o holocausto. E como eram suaves aquelas pedras do caminho em comparação com os sofrimentos que ainda viriam pela frente...

Mais uma vez, quis Jesus mostrar­-nos qual deve ser a extensão de nossa confiança, mesmo quando recaímos em nossas faltas. O Salvador está sempre disposto a nos perdoar. Tendo Ele assumido nossas culpas, jamais deixará de nos reerguer.

Pelos infinitos méritos dessa Vossa segunda queda, confirmai-­me na Vossa graça, por Maria Santíssima eu Vo­lo imploro.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
VIII
Estação
Jesus consola as Filhas de Jerusalém

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

S eguia­m uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e O lamentavam. Voltando-­se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos (Lc 23, 28).

Jesus, embora mergulhado nos tormentos da Paixão, caminhava para o triunfo do cumprimento de Sua missão. Mas, na sua infinita justiça, não deixava de advertir as santas mulheres da necessidade de repararem o pecado coletivo. Não bastava comoverem­-se com a tragédia de um Deus injustiçado. Era indispensável aplacar a cólera divina contra os homens, pelo crime cometido.

Ó Jesus, Senhor da Justiça que a todo bem premiais e a todo mal castigais, dai-­me a graça de ter plena consciência de minhas loucuras, crimes e pecados, a fim de pedir-­Vos perdão com sinceridade. Quanto mais profundamente eu reconhecer minhas faltas, melhor será o meu arrependimento e mais completa será a Vossa absolvição.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
IX
Estação
Jesus cai pela terceira vez

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

M as aprouve ao Senhor esmagá-­Lo pelo sofrimento (Is. 53, 3). Também Cristo padeceu por vós, deixando­-Vos exemplo para que sigais os Seus passos. Carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça (I Pe 2, 21, 24).

Aí está, diante dos meus olhos, e sob o peso da cruz, a luz do mundo caída ao chão pela terceira vez. De que serviu o Cireneu para carregar a Cruz? Por que não tomou ele sobre seus ombros pelo menos a parte mais pesada? Se os soldados haviam já decidido convocar compulsoriamente o Cireneu, não lhes faltava compreensão para perceber o estado de esgotamento de sua vítima. Por que lhe exigem continuar a caminhada? Uma vez mais é a imagem da nossa miséria. Assim somos nós.

Se eu fosse o Cireneu, procederia de outra forma? Quantas e quantas vezes não fui relaxado no cumprimento de meus deveres, na prática da virtude, no evitar as ocasiões que me levam ao pecado... Como estou longe da perfeição, deixando Jesus ser quase esmagado sob o peso da Cruz, sem me preocupar em ajudá­-Lo!

Jesus dá­-me o divino exemplo: se me abandonam ou me perseguem, e caio sob o madeiro das decepções, jamais o desânimo me abaterá. Sempre há mais para dar, mesmo quando as forças parecem já não existir. Essa é também uma das lições conti-das nesta Estação.

Ó meu Jesus, eu Vos agradeço o exemplo de generosidade e entrega totais que neste passo da Paixão me dais, e rogo­-Vos graças eficazes para Vos servir continuamente com amor desinteressado e ânimo forte.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
X
Estação
Jesus é despojado de suas vestes

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

S Tomaram as Suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros: “Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela para ver de quem será”. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Jo 19, 23­24).

Quem poderia imaginar tão grande humilhação? Jesus, o próprio criador do pudor é despojado de Suas vestes diante de todo o populacho. Talvez para reparar a imoralidade e falta de modéstia dos trajes de épocas futuras. De modas que receberiam a grave censura de Nossa Senhora, em Fátima.

Quatro são os cantos da terra e em quatro se repartem os Seus pertences. É um belíssimo símbolo da expansão da mais alta das obras de Jesus, a Santa Igreja, que tomará conta de toda a extensão do mundo.

Sobre a túnica decidiram jogar a sorte, por concluírem os soldados tratar­-se de uma peça de elevado valor, pois não tinha uma só costura de alto a baixo.

A Santa Igreja é simbolizada em sua unidade perfeita pela túnica sem costura. Ela reclama uma união total entre todos os seus fiéis, não comportando a menor divisão.

Ó meu Jesus, que eu ame a unidade de Vossa Santa Igreja e trabalhe por sua expansão no mundo inteiro, jamais fazendo acepção de pessoas nessa tarefa, para ajudar­-Vos a salvar pobres ou ricos, enfim, todas as almas.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
XI
Estação
Jesus é pregado na Cruz

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

C hegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali O crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda. Pilatos redigiu uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: “Jesus de Nazaré, rei dos judeus” (Lc 23, 33; Jo 19, 19).

Por fim chega Jesus ao Calvário, lugar onde, segundo uma piedosa e antiga tradição, Adão havia sido sepultado. Ali abundara o pecado, ali transbordaria a graça.

Crucificado! Aquela mesma cruz que tanto Lhe pesara sobre os ombros seria o Seu instrumento de morte. Os braços? Abertos, para atrair a Si a humanidade inteira, conforme afirma S. João Crisóstomo. Já em estado pré­agônico, enormes cravos perfuram as Suas sagradas mãos e divinos pés, levando Jesus a contorcer-­Se de dor.

O requinte da maldade de seus acusadores chega ao ponto de O crucificarem entre dois ladrões para ser considerado também como tal. Enquanto os soldados repartiam entre si os haveres materiais do Divino Crucificado, Ele entregava sua preciosa herança – Maria Santíssima – ao discípulo amado, num último e supremo gesto de amor filial.

Ó Jesus meu! Vejo, nesta meditação, o drama da loucura de amor de um Deus por Suas criaturas. Se fosse eu o único a haver pecado, Vosso procedimento não teria sido outro. Vós fostes crucificado por mim.

Concedei­-me as mesmas graças derramadas sobre o bom ladrão e possa eu, assim, um dia estar convosco no Paraíso.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
XII
Estação
Jesus morre na Cruz

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

H avendo Jesus tomado do vinagre, disse: “Tudo está consumado”. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro que com Ele foram crucificados.Chegando porém, a Jesus, como O vissem já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu­-Lhe o lado com uma lança e imediatamente saiu sangue e água (Jo 19, 30; 32­34).

“Inclinou a cabeça e rendeu o espírito”, afirma o Evangelho. A este respeito, pergunta Santo Agostinho: “Quem pode dormir quando quer, como Jesus morreu quando quis?” E afirma São João Crisóstomo: “Por Seus atos, indica o Evangelista que Ele era Senhor de todas as coisas”.

Do seu lado “saiu sangue e água”, que simbolizam os Sacramentos da Igreja, indispensáveis para nossa salvação. São João emprega o verbo “abrir” para significar a abertura da porta da qual nasceria a Santa Igreja.

Ó meu Jesus, prova de amor maior não há! Vós destes Vossa preciosíssima vida por mim! E que Vos devo dar eu? Pensar que esse mesmo sacrifício se renova todos os dias sobre o altar, de forma incruenta, para que eu me beneficiasse dele totalmente!

Ah, Senhor, aceitai o meu pobre ser, o meu corpo, a minha alma, os meus familiares, tudo o que me pertence agora e no futuro, até os meus méritos. Tudo é vosso, Senhor, e a Vós entrego em retribuição, por meio de Maria Santíssima.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
XIII
Estação
Jesus é descido da Cruz

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

D epois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus. Acompanhou-­o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e O envolveram em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar (Jo 19, 38­40).

A Providência traça com perfeição as linhas da História. José de Arimatéia, além de ser nobre, era muito relacionado com Poncio Pilatos, reunindo portanto as condições favoráveis para dele obter a autorização necessária para que Jesus não fosse enterrado como um condenado qualquer, mas sim como uma pessoa ilustre. Quem, a não ser José, teria coragem de se apresentar ao governador romano para lhe pedir o corpo de um crucificado? Por isso, a respeito dele comenta S. João Crisóstomo: “Veja­-se o valor deste homem; põe­-se em perigo de morte, atraindo sobre si as inimizades de todos, por seu afeto a Jesus Cristo...”

Que graça insígne destes a este José! A de poder descer da cruz, com o auxílio de Nicodemos, o Divino Corpo, vítima de valor infinito, e de sepultá­Lo.

Ó Sagrado Corpo de Jesus, vendo-­Vos assim sem vida, sinto meu coração gemer. Essas mãos que deram ordens aos mares e às tempestades, expulsaram os vendilhões do Templo e fizeram o bem por todo Israel, já não se articulam. Os Vossos pés, que caminharam sobre as águas e trilharam todos os caminhos em busca dos necessitados, não se movem. A Vossa voz, que fazia estremecer os fariseus, mas perdoava com doçura os pecadores arrependidos, já não se faz ouvir. Uma só chaga Vos cobre de alto a baixo.

Ó Virgem Dolorosa, eu Vos imploro a insigne graça de manter diante de mim, pelo resto da minha vida, essa terrível imagem da gravidade do pecado. Perdão, minha Mãe, perdão! E ajudai-­me a nunca mais pecar!

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

 
XIV
Estação
Jesus é sepultado

V/. Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.
R/. Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

N o lugar em que Ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo. Depois (José de Arimatéia) rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi­se embora. Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo (Jo 19, 41­42; Mt 27, 60­61).

Uma grande pedra nos separa, neste momento, do Corpo Sagrado de Jesus.

Quem tivesse Fé, poderia adorar a Jesus em Corpo e Divindade presente no Sepulcro, e dEle se beneficiar, recebendo graças concedidas diretamente pelo Salvador. Esse foi o grande consolo das Santas Mulheres.

Por isso afirma São Jerónimo: “As mulheres perseveraram no seu dever, esperando o que Jesus havia prometido; por esta razão mereceram ser as primeiras a verem a Ressurreição, porque “quem perseverar até ao fim, se salvará.”
Felizes as Santas Mulheres! Mais felizes ainda somos nós, pois temos a Jesus em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Eucaristia. Nela nós O adoramos, não com “uma grande lápide” de permeio, mas tão somente através das aparências do pão e do vinho.

A Vós, ó Virgem, recorro a fim de que me obtenhais de Jesus sepultado, a confirmação na graça de Deus para, um dia, seguindo os Vossos caminhos e os dEle, possa eu ressuscitar para a glória eterna.

Pai­ Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Sagrado Coração de Jesus, vítima dos pecadores.

R/. Tende piedade de nós.

V/. Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

Amém.

Oração
Final

E m Vós, ó Virgem Dolorosa, recordo a síntese de todos os episódios por mim meditados. Que graças místicas não Vos devem ter sido concedidas em meio àquelas angústias! Graças de sentir em Si mesma as próprias dores do Redentor. Não é sem razão que, debaixo de certo ângulo, Vós podeis ser chamada de Co­Redendora.

É a Vós que “recorro e de Vós me valho, gemendo sob o peso de meus pecados”, na inabalável convicção de que “nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à Vossa proteção, implorado a vossa assistência e reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado”.

Mãe Dolorosa, é a Vós que recorro, imploro e reclamo pelo perdão de meus pecados, pela minha salvação eterna e pela total santificação de minha alma.

E muito Vos peço ainda pela sociedade em geral, e pela própria Santa Igreja Católica Apostólica e Romana, para que cheguem à plenitude de seu esplendor e graça, e possa assim ser realizada a proclamação universal do triunfo do vosso Imaculado Coração:

“Por fim Meu Imaculado Coração triunfará!”

Amém.

Requisitos para obter indulgência plenária

E Pode-se obter indulgência plenária rezando a Via­-Sacra de acordo com o costume, que consiste em fazer as leituras, orações e meditações de cada Estação diante do respectivo quadro, ou cruz, colocados habitualmente ao longo das paredes das igrejas. Quando a Via–Sacra é rezada em conjunto e há dificuldade de todos se movimentarem ordenadamente, de uma Estação para outra, basta que o dirigente se desloque.

É necessário ainda, além da repulsa de todo o afeto a qualquer pecado, até venial, o cumprimento das três condições seguintes: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice (costuma­-se rezar um Pai ­Nosso, uma Ave-­Maria e um Glória). Uma confissão pode valer para se obterem todas as indulgências plenárias durante o período de um mês.




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