Santo do Dia


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Santa Joana D’Arc na guerra dos Cem anos - Data: 30 de Maio 2019
 
 
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Entra na História a Donzela

Qual o papel da Virgem de Orleans, Santa Joana d'Arc, na batalha dos Cem anos? Tudo começa com a extinção da casa real do Capetos, na França, com a morte de Carlos IV, apelidado o Belo, e a ganância do soberano inglês. Dois candidatos, então, entraram a disputar a coroa francesa - Filipe de Valois, primo do rei morto, e Eduardo III, rei da Inglaterra, que era neto, pelo lado materno, de Filipe, o Belo, pai de Carlos IV.

Ora, os barões franceses preferiram um soberano francês e, pois, escolheram Filipe, que tomou o nome de Filipe VI. Eduardo III, cobiçando desmedidamente o trono da França, não desistiu da pretensão à coroa - daí surgindo, entre a Inglaterra e França, a guerra chamada dos Cem Anos, que se alongou de 1337 a 1453, terminando sob Carlos VII.

A guerra dos Cem Anos apresentou períodos perfeitamente definidos, no que respeita à sorte das armas. Inicialmente, os franceses sofreram as derrotas de Grécy, em 1346, e de Poitiers, em 1356. Depois de Grécy, seguiu-se o cerco e a tomada de Calais, em 1347. A batalha de Poitiers teve graves consequências, entre as quais, e principalmente, a captura do rei francês João, cognominado o Bom, aprisionado pelo filho de Eduardo III, conhecido, dada a cor da armadura que o revestia, como o Príncipe Negro, o qual invadira a França por Bordéus.

Para recuperar a liberdade, João, o Bom, foi obrigado a assinar o tratado de Brétigny, em 1360, pelo qual entregava aos ingleses a metade ocidental da França, excetuadas a Normandia e a Bretanha.

Politicamente, a situação da França piorava à medida que o tempo ia passando, embora o condestável Bertrand Duguesclin reconquistasse (1380) grande parte das terras perdidas pelo tratado de Brétigny. Morto o condestável, logo após, o rei Carlos VI, na França, retomou muitas terras, deixando aos ingleses somente alguns portos. Eis, porém, que a sorte das armas, novamente, passou a favorecer a Inglaterra. Entre os ingleses, depois do agitado reinado de Ricardo II, deu-se a subida da casa de Lancaster: Henrique V, desembarcando na Normandia,, ganhou a batalha de Azincourt, em 1415, e feio massacre dizimou grande parte da nobreza francesa. Paris foi tomada e o rei, aprisionado, somente em 1420, pelo qual Henrique V era reconhecido como herdeiro da coroa da França.

Com o falecimento do rei inglês e do rei francês, a França ficou com dois soberanos, Henrique VI, em Paris, e Carlos VII, em Bourges.

Sucessos da Virgem Joana d'Arc

Quando tudo parecida perdido, com os ingleses a ocupar todo o Norte da França, apareceu Joana D'Arc, a camponesa, também conhecida como Joaninha, nascida em Domrémy, na Lorena, em 1412, no dia da Epifania, depois cognominada a Donzela de Orléans. Filha de Jacques d'Arc, originário de Ceffonds, e de Ysabelle Romée, Joana, considerada a heroína da guerra dos Cem Anos, uma vez que, poderosamente, contribuiu para expulsar os ingleses da pátria que tanto lhe deve, tocada pelas misérias e males que sempre viu ao seu redor, consternada pelas desgraças que se abatiam constantemente sobre o país natal, obedecendo a vozes celestiais, que a incitavam a procurar o rei, assim o fez, vencendo dificuldades imensas.

Aos treze anos ouviu a Voz pela primeira vez - a voz de Deus. Votou então, ao Senhor, a virgindade.

Em seguida, teve visões de São Miguel, de Santa Catarina e de Santa Margarida. E a Voz lhe disse:

- Sê boa menina e Deus te ajudará. Também:

- Vai em socorro do rei da França. Depois:

- É necessário que vás a França.

No mês de Maio de 1428, pela Ascensão, novamente manifestou-se a Voz, dizendo-lhe:

- Filha de Deus, procura Roberto de Baudricourt, na cidade de Vaucouleurs, a fim de que consigas quem te acompanhe.

De alma extraordinariamente sensível aos destinos da pátria, piedosíssima, vencendo, como dissemos, dificuldades imensas, Joana partiu, em 1429, findava janeiro, em busca de Baudricourt.

Não fora João de Metz, que a levou a sério, prometendo encaminhá-la ao rei, mais a derrota do soberano na batalha de Herengs, e de Baudricourt escorraçá-la-ia.

Assim, no dia 23 de Fevereiro daquele mesmo ano de 1429, vestida à masculina, de cabelos cortados como um jovem daqueles tempos, Joana partiu com João de Metz, Bertrand e Poulengny e João de Honnecourt para Chinon, onde, então, Carlos VII residia, ali chegando a 6 de Março.

- Em nome de Deus, gentil príncipe, saudou Joana, o rei és tu e não outro!

Os homens combaterão, mas Deus dará a vitória

Expondo ao soberano a missão que trazia encontrou grande hesitação, muita desconfiança por parte de Carlos VII. Finalmente, depois de a ter feito interrogar por alguns teólogos acerca das visões que tinha, resolveu ele confiar-lhe um pequeno exército, para que a jovem tentasse libertar Orléans, então fortemente sitiada pelos ingleses, cidade essa, única, ao norte do Loire, que ainda reconhecia em Carlos VII, o rei da França.

Joana exultou, exclamou:

- Em nome de Deus, os homens de armas batalharão e Deus dará a vitória!

Joana d'Arc marchou sobre Orléans saindo de Blois, tomando a rota de Sologne, a 22 de Abril.

O êxito foi completo: o inimigo viu-se forçado a levantar o cerco da cidade, entrou a ser batido. Era a 8 de Maio, e, com o duque d'Alençon, ao qual chamava, carinhosamente, son beau duc, Joana, depois, carregaria sobre Jarjeau, Tours, Loches, Beaugency, Potay. Sempre vitoriosa, chegaria diante de Auxerre no dia 1 de Julho.

Eis o que dizia, ao inimigo, numa carta:

"Jesus, Maria.

Rei da Inglaterra, atendei ao rei do Céu. Entregai à Donzela, as chaves de todas as cidades onde haveis entrado pelo força. Ela veio enviada por Deus para reivindicar o sangue real, e está pronta para fazer a paz, se quiserdes obedecer, entregando-nos a França. Quanto a vós, arqueiros, companheiros de armas, gentis-homens e outros que estais em Orléans, ide-vos para o vosso país, por Deus... Não resistais, porque não tomareis a França do Rei do Céu, filho de Santa Maria; mas o Rei Carlos a terá, o verdadeiro herdeiro a quem Deus a deu, o qual entrará em Paris brevemente. Se não acreditais em Deus e na Donzela, onde quer que vos encontremos lutaremos e veremos quem está com o direito, se Deus ou se vós".

Desde então, tornou-se conhecida como a Donzela de Orléans. Os oficiais, velhos e moços, adoravam-na, e os soldados respeitavam-na e amavam, obedecendo-a cegamente.

As pequenas forças que a Donzela guiara tornaram-se, então, grandes forças, cheias de exaltação militar e de fé religiosa.

No dia 10 de Julho, entraram solenemente em Troyes, e, no dia seguinte, começando por Châlons, buscaram Reims, onde, a 17, Carlos VII deveria ser sagrado. E, assim foi, na catedral daquela cidade, recebeu, na data estabelecida, a unção sagrada.

A 22 de Julho, ocorreu a queda de Soissons. De vitória em vitória, Chateau-Thierry, Coulommiers, Crécy-em-Brie, Provins foram sendo conquistadas. A 26 de Agosto, a Santa Joana d'Arc entrava em Saint-Denis.

Em Lagny, conta-se, orando por uma criança morta sem batismo, ressuscitou-a, para que recebesse a água salvadora.

Traída e condenada

No dia 23 de Maio de 1430, procurando defender Compiégne, caiu prisioneira dos borguinhões, que, apesar de franceses, estavam aliados aos ingleses. Era o longo calvário que principiava, durante o qual as Vozes a animariam, dizendo-lhe que a "tudo suportasse porque iria para o paraíso".

Abandonou-se, pois, a Donzela, à vontade de Deus. E quando as Vozes se calaram, quando tudo foi sombra e silêncio, tomou, corajosamente, a responsabilidade de tudo. Depois de três dias de aprisionamento no castelo de Clairoix, foi transferida parao de Beaulieu, em Vermandois, e, mais tarde para Beaurevoir.

Vendida aos ingleses, Joana foi levada para Ruão, onde lhe prepararam um processo que iria durar seis meses. A primeira causa, chamada da Relapsa, principiou no dia 21 de Fevereiro de 1431, seguida dos interrogatórios feitos na prisão, levados a efeito pelo bispo Cauchon, comissário-instrutor, João de La Fontaine, e por João Lemaitre, o inquisidor. Tal causa desenvolveu-se por seis sessões, caracterizando-se pela batalha entre a insídia e a puerilidade.

No dia 23 de Maio, em presença dos bispos de Thérouanne e de Noyon, procedeu-se à leitura dos doze artigos, com os quais a acusavam, e, a 29, o tribunal declarou-a herética, relapsa e feiticeira, quase com a unanimidade dos quarenta e dois assessores.

Antes, já havia gritado que desejava ser enviada a Roma, junto do Santo Padre, o Papa, em vão. No dia seguinte, às seis da manhã, anunciaram-lhe que seria queimada viva. Quando já na fogueira, reclamou o crucifixo que sempre trouxera ao pescoço, gritando:

- Não sou herética! Não sou herética nem cismática! Ah! Ruão! Tenho medo de que venhas a sofrer com a minha morte!

E, invocando Jesus, Santa Catarina e São Miguel foi envolvida pelas chamas e pelo fumo.

Por seis vezes, bem alto, gritou:

- Jesus!

Tudo acabado, o coração e as entranhas foram encontrados intactos: tomaram-nos e lançaram ao Sena.

Desde então, a vitória, sem interrupção, sorriu aos franceses. Em 1436, Carlos VII entrava em Paris e, poucos anos depois, os ingleses, expulsos da Normandia e da Aquitânia, apenas ficavam, no continente, com Calais. Em 1453, terminava a guerra dos Cem Anos, ano em que, sob os turcos Constantinopla caía, morrendo no ocaso o período da história denominado Idade Média.

Em 1454, a mãe de Joana d'Arc e os dois filhos reclamaram a revisão do processo de 1431. Calixto III designou o arcebispo de Reims e os bispos de Paris e de Coutances para demandar com o inquisidor-mor da França. No dia 7 de Julho de 1456, o julgamento de 1431 foi cassado e, em Ruão, cerimônias expiatórias tiveram lugar, depois da dilaceração pública do texto primitivo da iníqua peça.

Beatificada a 18 de Abril de 1909, Joana d'Arc, tida como a mais pura glória da história da França, foi canonizada a 16 de Maio de 1920 pelo Papa Bento XV, quatrocentos e oitenta e nove anos depois de ter sido, em tudo injustamente, condenada à fogueira. E naquele ano mesmo de 1920, no dia 10 de Julho, uma lei francesa instituía a desta nacional de Santa Joana d'Arc, a sublime Donzela de Orléans, a Virgem da Lorena, morta aos vinte anos.

Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume IX, p. 325 à 332.
 
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