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Santo do Dia


Santo do Dia


São Canuto, Rei da Dinamarca - Data: 19 de Janeiro 2020
 
 
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Era filho natural de Sueno II e neto de Canuto, o Grande, que subjugou a Inglaterra. O rei, seu pai, que não tinha filhos legítimos, tendo-se convertido ao bem, sob a guia de São Guilherme, Bispo de Rotschild, cuidou de o fazer educar por sábios preceptores. Canuto correspondeu perfeitamente, e em pouco tempo se aperfeiçoou nos exercícios do espírito e do corpo, que convinham ao seu nascimento.

Desde a mocidade, habituou-se aos penosos trabalhos da guerra, e realizou grandes e ousados feitos numa idade em que os outros mal conseguem ser espectadores. Limpou o mar dos piratas que devastavam as costas, venceu os estonianos, que levavam a efeito atos de banditismo contra os vizinhos, e dominou os povos da província de Sêmbia ou Samogícia, posteriormente submetida à coroa da Dinamarca.

Atraiçoado por seu povo, Canuto vai ao exílio

Esses grandes êxitos, seguidos de outros ainda, lhe abriam caminho, sem dúvida, para o trono. Mas, após a morte do Rei Sueno, seu pai, os dinamarqueses lembrando-se dos perigos aos quais a coragem dele os havia exposto, quando ainda se achava apenas na segunda fileira, recearam que, se lhe pusessem a coroa na cabeça, o seu espírito guerreiro os faria correr novos e maiores perigos. Foi por tal motivo que lhe preferiram o irmão Haroldo, mais velho, porém, pouco capaz. Canuto, vendo-se expulso de um estado que lhe devia glória e grande parte do poder, retirou-se para a corte do rei Halstan, que o tratou de acordo com o seu valor.

Haroldo, não logrando por muito tempo sustentar o peso de uma coroa, mandou que o chamassem o irmão de volta e ofereceu-lhe metade do reino. Mas Canuto, percebendo que se tratava de um ardil para perdê-lo, foi bastante prudente para, na má sorte, não confiar nas promessas de um varão que, quando ela fora melhor, não lhe regateara provas de má vontade. Canuto teve a generosidade de resistir às ocasiões que se lhe apresentaram de fazer com que o país sofresse o castigo merecido pela ingratidão. Longe de voltar as armas contra ele, mais uma vez empregou no seu serviço, e continuou, sempre com o mesmo êxito, a guerra iniciada contra os inimigos da Dinamarca, a leste da Escânia, a única província que se lhe mantinha ligada. Essa grandeza de alma, que o levava a vingar a injúria com os benefícios, não ficou longo tempo sem recompensa, pois, tendo Haroldo falecido após dois anos de reinado, Canuto foi chamado com honra e elevado ao trono, devido ao seu mérito, pelo próprio sufrágio do irmão preferido, num país em que a ordem do nascimento não tinha valor nenhum, quando a não acompanhavam outras qualidades.

Um nobre rei enobrece seu povo

Os seus primeiros cuidados, após subir ao trono, foram empregar as forças do reino para terminar, contra os inimigos do estado, a guerra que ele iniciara muito jovem ainda, às ordens do rei seu pai, e que continuara durante o exílio. Acabou-a mais gloriosamente ainda pela religião do que pelo seu próprio renome ou pelo interesse da coroa: tendo inteiramente submetido as províncias da Curlândia, de Samogícia e Estônia, viram todos que, se delas se apossara, fora apenas para fazer reinar Jesus Cristo.

Sem outros inimigos para combater, o santo e bravo rei Canuto cuidou de casar-se. Desposou Adélia, filha de Roberto, conde de Flandres, de quem teve Carlos, também conde de Flandres, e cognominado o Bom, cuja memória a Igreja honra no dia 2 de Março.

São Canuto dedicou-se imediatamente a fazer reflorescer as leis e a justiça no seu reino, e a restabelecer a antiga disciplina, desleixada por toda parte em virtude da insolência e das proezas dos grandes. Sobre tal assunto, emitiu severos, mas santos regulamentos, sem que a proximidade do sangue, nem a amizade, nem qualquer outra consideração de qualquer espécie pudesse arrancar-lhe a impunidade do crime e da desordem. Sempre fez tudo com bastante prudência e equidade. Mas o que devia fazer com que lhe estimassem a virtude, atraiu-lhe o ódio e o desprezo dos mais poderosos, os quais não logravam admitir lhes fosse reprimida a tirania exercida contra os inferiores. Canuto não houve por bem deter-se por causa dos murmúrios e descontentamentos deles.

Sendo o seu principal objetivo a glória de Deus e o interesse da Igreja, concedeu várias graças aos que eram ministros do Todo-poderoso no seu reino. E visto que a gente grosseira e rústica pouco habituada estava a prestar aos Bispos o respeito devido, e não podendo Canuto admitir que fossem tratados como homens comuns, ordenou, por expressa declaração, que precederiam os duques e teriam o posto de príncipes no estado, a fim de lhes dar autoridade e, com tais honras, elevá-los. Isentou até os eclesiásticos da jurisdição secular, querendo que somente devessem obediência aos seus Bispos. Envidou, outrossim, tudo quanto lhe foi possível para habituar o povo a pagar os dízimos à Igreja, mas não teve êxito.

Foi verdadeiramente de magnificência real na construção e fundação de igrejas em numerosos lugares, e senhor de grande liberalidade ao orná-las e enriquecê-las. Chegou até a dar à de Rotschild, capital do reino, a coroa que usava nas grandes solenidades, e que era valiosíssima. Mas estando ela, por tal motivo, mais exposta ao sacrilégio dos ladrões que as demais riquezas do tesouro sagrado, mandou que os Bispos impusessem a pena da excomunhão aos que ousassem tal atentado. Publicou em edito para tornar invioláveis aquela oblação e os demais efeitos da sua piedade, e impedir se tirasse da Igreja aquilo de que ele próprio se privava para a enriquecer.

Era tamanha a sua caridade em tais questões que, para livrar os súditos do incômodo que lhes causava a excessiva despesa dos seus jovens irmãos, incumbiu-se do sustento deles e deixou somente a Olaf a província de Slesvic, como que em apanágio. Nada contrariava mais o seu propósito de corrigir os vícios do povo que a ociosidade e a falta de cuidados. Aquilo o levava a procurar louváveis e úteis ocupações para a todos manter a ação. Não era bastante intenso o comércio, na Dinamarca, para produzir esse efeito; a esterilidade das terras não convidava à lavoura, e os exercícios do espírito ficavam restritos a um pequeníssimo número de pessoas.

Guerra contra a Inglaterra e queda do trono

O rei, meditando nos meios de encontrar outro expediente, refletiu que a maior glória jamais adquirida pela Dinamarca fora a conquista da Inglaterra, realizada em 1016 por Canuto o Grande, e em seguida inutilizada pelos seus sucessores. Julgou que, se tentasse conquistá-la de novo, ocuparia suficientemente bem o povo. Comunicou, assim, o propósito a Olaf, o mais velho dos irmãos, e, ouvindo-lhe o conselho, anunciou-o ao povo. A morte de Santo Eduardo da Inglaterra tornava favorável a conjectura.

Mas Santo Rei Canuto não imaginava que seu irmão Olaf, conquistado talvez pelo dinheiro de Guilherme da Normandia, o traía e de todos os meios se valia para fazer malograr a expedição, umas vezes fingindo atrasos, outras com palavras insidiosas espalhadas entre os grandes e os militares. Canuto, descobrindo a trama, rumou, à testa de uma tropa escolhida, para Slesvic, com tal diligência, que lá surpreendeu Olaf. Convenceu-o do crime cometido e ordenou o soldados o agrilhoassem. Recusaram-se estes, pela devoção que tinham para com os reis, e por acreditarem que os grilhões eram mais duros que a própria morte, visto que os laços constituem sinal de condição baixa e servil, ao passo que a morte é comum aos homens. Mas o príncipe Érico, outro irmão de Canuto, julgando-se obrigado a preferir a obediência devida ao rei, em coisa tão justa, ao afeto por um irmão traiçoeiro como Olaf, não se pejou de fazer o que não queriam fazer os soldados. Olaf foi agrilhoado e, por mar, enviado a Flandres, onde o encerraram numa cidadela. Os grandes que tinham participado da conspiração não tiveram outra vingança senão a de arranjar novas demoras para a expedição do rei. Mediante as secretas solicitações dos emissários deles, os soldados que ainda se encontravam no exército debandaram na quase totalidade.

O rei, tendo sempre em mente o serviço de Deus, acreditou poder valer-se da oportunidade para tentar estabelecer o pagamento dos dízimos em favor da Igreja. Para tanto, propôs a todos satisfazer com tal tributo de piedade, ou pagar grande multa como castigo pela deserção geral das tropas. Todos escolheram a segunda alternativa, tamanho o horror que experimentavam pelos dízimos, considerados jugo insuportável, por serem perpétuos. Canuto, aborrecido com a escolha e desejando ainda tentar fazê-los preferir a uma grande comodidade presente uma leve imposição que só existiria verdadeiramente para os que viessem depois deles, nomeou comissários para arrecadarem as multas, pretendendo, destarte, convencê-los a preferir a pagar os dízimos.

O rigor empregado pelos comissários na execução das ordens irritou sobretudo os descontentes que da ocasião se valeram para erguer o povo contra a autoridade do rei. Os comissários foram chacinados, e o furor dos rebeldes chegou a tal ponto que Canuto, não se julgando seguro no palácio, fugiu para Slesvic com a mulher e os filhos, de onde se transferiu para a ilha de Fiônia, com quantos lhe permaneciam fiéis e que não eram em grande número. Ao mesmo tempo deu ordem de que se cuidasse do que era necessário para transportá-lo, com a mulher e filhos, às Flandres, em casa do cunhado.

Entretanto, os rebeldes, orgulhosos com a retirada do soberano, por eles tida na conta de primeira vitória, resolveram atacá-lo, mediante auxílio de tropas, e tirar-lhe, com a coroa, a vida. Canuto, advertido de tal plano, quis ir de Fiônia à Zelândia, onde se achava principalmente o que lje restava de forças. Dissuadiu-se um oficial chamado Blacco, em quem depositara confiança. O traidor que se mantinha em contato com os rebeldes, querendo distraí-lo prometeu-lhe negociar de tal modo com o povo, que esse voltaria a cumprir o dever. Acreditou-lhe o rei, e deixou-o partir.

São Canuto entende ser sua hora e toma os últimos sacramentos

O pérfido, após muitas idas e vindas, deu-lhe a crer finalmente que tudo havia ficado resolvido, embora só se tivesse empenhado em perder o soberano e entregá-lo ao inimigo. Canuto, que à piedade unia a clemência, preferia combater a tormenta implorando a misericórdia de Deus, a ter de abrandá-la com o derramamento de sangue dos súditos; assim foi certa vez orar na igreja de Santo Albano. Lá cercou-o um bando de rebeldes instruídos por Blacco. Os soldados da guarda, chefiados pelos príncipes Erico e Bento, irmãos do rei, enfrentaram o inimigo, mais certos de morrerem com o amo do que defendê-lo contra tamanha multidão de gente armada. Bento foi abatido na porta da igreja, após disputar durante muito tempo a entrada aos rebeldes, com extraordinária coragem. Erico, vendo-se envolvido por um batalhão, abriu caminho a golpes de espada, mas não pode tornar a entrar na igreja.

O rei, reconhecendo inevitável o perigo, abandonou o cuidado do próprio corpo para se ocupar exclusivamente da salvação da alma. Confessou-se com tranquilidade, como se não estivesse correndo o menor perigo e, estando a orar ao pé do altar, foi atravessado por uma seta. Morreu no seu sangue, de braços estendidos, como vítima que se oferecia a Deus para expiação dos pecados do povo e dos seus, no lugar em que Jesus Cristo, tal qual hóstia imaculada, se oferecia ao Pai para a salvação de todos os homens. Era o dia 10 de julho de 1081.

Saxão, o Gramático, autor de grande peso, que viveu no século seguinte, testemunha que Deus atestou a santidade de Canuto mediante diversos milagres, contra a insolência dos dinamarqueses, os quais pretendiam fazer passar tamanho parricídio como ato de piedade, libertador da tirania do país.

Acrescenta que os miseráveis, não logrando ofuscar o brilho dos milagres, que ainda continuavam no seu tempo em favor do santo, preferiam dizer que Deus lhe havia perdoado as injustiças, concedendo-lhe a penitência na hora da morte. No entanto, os descendentes reconheceram a santidade do rei Canuto por um culto público prestado à sua memória. Para, de qualquer modo, expiarem o crime cometido pelos pais, ergueram altares e igrejas em honra de São Canuto e estabeleceram as festas em 10 de Julho, dia da sua morte, e em 19 de Abril, dia da sua translação.

(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume II, p. 26 à 33)
 
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