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História da Igreja


Por quê a Igreja Católica é Santa?
 
AUTOR: PE. HERNÁN LUIS COSP BAREIRO, EP
 
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Em inúmeras ocasiões ouvimos falar na liturgia a celebração da memória de um santo, ou mesmo da festa de algum outro; certamente chegamos até a participar da Missa da solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. É normal, e até necessário, mencionar, comemorar e falar a respeito das virtudes de uma pessoa. Mas, pode-se dizer outro tanto de uma instituição? Será que uma instituição pode ser chamada com toda propriedade de Santa? Há meios dela ser capaz de possuir bondade para ser chamada assim? Sim, é o caso da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, e a razão disso, estimado leitor, está no que será exposto a seguir:

A Igreja é Santa por três principais motivos:

  1. É Santa por causa do seu Fundador: O único Fundador da única Igreja é Jesus Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade[1]. Ele não só é o Santo dos Santos mas a fonte de toda santidade, o “único santo”[2], do qual os demais santos o são por participação da Santidade d’Ele. É o preciosíssimo sangue d’Ele que lavou e santificou os fiéis, membros de sua Igreja[3]. Só mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, a santidade em substância, poderia ter fundado uma Igreja que perdurasse através dos séculos santa, imaculada e irrepreensível.
  2. Pelos meios de santificação que ela ministra: A santidade consiste em possuir a graça santificante. Ora, alguém só pode dar alguma coisa a outrem se possui esse algo. Disso segue-se que a Igreja proporciona os meios de santificação porque ela “não possui outra vida senão a da graça”[4] a qual procede de seu Fundador. De fato, o catecismo nos deixa claro que: “A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele; por Ele e n’Ele torna-se também santificante. Todas as obras da Igreja tendem, como seu fim, ‘à santificação dos homens em Cristo e à glorificação de Deus’. É na Igreja que está depositada ‘a plenitude dos meios de salvação’. É nela que ‘adquirimos a santidade pela graça de Deus’.”[5]

Seus meios de santificação superabundam, mas os principais são os sacramentos. Recebendo-os eles aumentam ou infundem a graça santificante, mediante a qual temos a oportunidade de chegar à própria perfeição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas também sua multissecular doutrina, seus salutares preceitos e seus sapienciais conselhos fazem parte desses meios; nada há neles que não combata o mal e o pecado, que não encaminhe à virtude mais alta e que não produza os resultados mais benéficos. Como disse o Papa Paulo VI: “é vivendo de sua vida [da Igreja] que seus membros se santificam”[6].

De fato, não é sem razão que o Professor Plinio Corrêa de Oliveira afirmou que “entre todas as civilizações que se formaram ao longo da história, nenhuma produziu riquezas e maravilhas superiores às da Civilização Cristã, nascida do influxo direto da santidade da Igreja Católica, Apostólica, Romana”[7].

3. É santa em seus membros: Inúmeras vezes São Paulo se refere aos membros da Igreja como “santos”[8]. Com efeito, todo aquele que possui o estado de graça pode ser chamado, em sentido amplo, de santo e tanto mais podem ser chamados assim aqueles que mantêm o estado de graça de maneira continua; portanto, a santidade da Igreja está comprovada também nestas pessoas cujas irreprováveis vidas iluminam sua Sagrada Face, constituindo-se em exemplo e ponto de referência para os homens. São Tomás diz que esta santificação dos fiéis dá-se pela unção espiritual que eles recebem a qual é a graça do Espírito Santo[9].

Mas, além disso, em sentido mais estrito, são santos aqueles homens e mulheres que foram reconhecidos oficialmente como tais pela autoridade da Igreja mediante um rigoroso e exaustivo processo (este reconhecimento oficial chama-se canonização). Nestas pessoas fulgura com maior intensidade a Santidade da Igreja. Eles são uma prova patente de que a Igreja é uma árvore boa que produz frutos excelentes incessantemente e com sabores extraordinários[10].

Ao longo de toda a história, nunca cessou de existir na Igreja esses santos e, mesmo numa época tão paganizada e secularizada como a nossa, continuamos a presenciar as canonizações de pessoas que viveram em nossos dias fazendo portentosos e magníficos milagres, de magnitude similar ou maior aos dos primeiros tempos do catolicismo. E como prova disso basta apenas lembrarmos as recentes canonizações de São Pio de Pietrelcina, São Maximiliano Maria Kolbe, São Luis Orione, São Pedro de São José Betancurt, São Leopoldo Mandic, Santa Madre Maravillas de Jesús, Santa Madre Paulina, Santa Faustina Kowalska, Santa Edith Stein, e ainda muitos outros.

O fruto mais exponencial desta sagrada árvore é, sem dúvida nenhuma, a Santíssima e Imaculada Virgem Maria. “A santidade de Nossa Senhora se reflete na Igreja, sua virgindade, sua pureza, sua disponibilidade em relação à vontade de Deus”. Ela é, depois de Nosso Senhor Jesus Cristo, o maior fator de Santidade, pois que nela “‘a Igreja já atingiu a perfeição, pela qual existe sem mácula e sem ruga […]’ nela, a Igreja é já a toda santa”[11]. E isto se desprende sobretudo do fato de sua maternidade divina da qual, aliás, derivam todos os demais privilégios concedidos a ela: Virgindade perpétua; Imaculada Conceição; Corredentora do gênero humano; Medianeira universal de todas as graças; Rainha do Céu e da terra; Mãe espiritual de todos os homens.

Quão felizes somos nós católicos por possuir uma Intercessora tão infalível, tão pura, tão inocente, em fim, uma Mãe tão Santa como a Mãe de Deus. Efetivamente, não foi sem razão que o Papa Paulo VI a proclamou Mãe da Igreja querendo com isso colocar a santidade da Igreja Católica e a de seus membros sob o amparo e proteção dela.

Resta-nos ainda tratarmos de um último ponto que costuma surgir como uma incógnita para alguns fiéis. Essa incógnita se resume no seguinte: Se a Igreja é Santa, como é que se explica os pecados que alguns de seus membros cometem? O próprio Jesus Cristo nos dá a resposta pois Ele “comparou sua Igreja à rede que apanha maus e bons peixes (cf Mt 13, 47-50); ao campo onde o joio cresce entre o trigo (cf Mt 13, 24-30); à festa de casamento, para a qual um dos convivas se apresenta sem a