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Catecismo


Por que o incenso é utilizado na liturgia católica?
 
AUTOR: JOSÉ ANTÔNIO DOMINGUEZ
 
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Não queimo! Assim respondeu uma multidão incontável de mártires ante o tribunal romano. Bastava pôr um punhado de incenso numa pira incandescente que ardia em honra a um ídolo ou à estátua do imperador. Tão simples gesto, uns poucos grãos de incenso eram suficientes para conter a ira dos perseguidores e louvar os deuses. Mas aqueles heróis da Fé, testemunhando seu amor a Cristo, preferiram morrer a cultuar os ídolos, a vida eterna a uns grãos de incenso.

Desde há muito, quase desde sempre, o incenso foi usado no culto divino. Essa composição de resina com ervas aromáticas, que quando lançada ao fogo se consome e exala agradável perfume, é símbolo da alma que se oferece a Deus em sacrifício de suave odor. Deste modo, oferecer incenso a Deus é reconhecer seu domínio sobre nós e sobre toda a criação, sua majestade e o direito que Ele tem de nossa vassalagem.

Assim, no Antigo Testamento, os judeus ofereciam a Javé um culto no altar do incenso (Cf Ex 30,1-10.34-38) e acrescentavam a determinadas oblações um pouco de incenso (Cf Lv 2,1.15). A tradição católica viu no incenso que um dos Magos ofertou ao Rei Menino no Natal (Cf Mt 2,11) um sinal de que aquele homem reconhecia em Jesus a divindade.[1] E a Igreja, ao realizar o Santo Sacrifício do Altar, oferece incenso, pois adora oculto nas espécies do pão e do vinho consagrados o verdadeiro Filho de Deus.

O incenso é também símbolo das orações dos justos, como descreve o Apocalipse, o livro da Liturgia Celeste: “Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, outro Anjo veio postar-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foi-lhe dada grande quantidade de incenso, para que o oferecesse com as orações de todos os santos, no altar de ouro que está adiante do trono. E da mão do Anjo, a fumaça do incenso com as orações dos santos subiu diante de Deus” (Ap 8,1-4).

Mais um significado: a glória de Deus. Quando vemos a fumaça do incenso envolvendo o recinto sagrado, associamo-la à nuvem que encheu a Tenda da Reunião ao ser consagrada por Moisés, porque a glória de Deus se fez presente: “A nuvem cobriu a Tenda de Reunião e a glória do Senhor encheu o Tabernáculo. Moisés não pôde entrar na Tenda de Reunião, porque a nuvem pairava sobre ela, e a glória do Senhor enchia o Tabernáculo” (Ex 40, 34-35). O mesmo aconteceu na dedicação do Templo: “Quando os sacerdotes saíram do lugar santo, a nuvem encheu o Templo do Senhor, de modo tal que os sacerdotes não puderam continuar suas funções, por causa da nuvem: a glória do Senhor enchia o Templo do Senhor” (1Rs 8,10-11).

Simbolizando assim a glória de Deus, o incenso também manifesta a união que se estabelece na Liturgia entre a Igreja terrestre e a Jerusalém Celeste, onde os Anjos e os nossos irmãos, os Bem-aventurados, louvam a Deus sem cessar e vivem envoltos em sua glória.

São esses os motivos pelos quais na celebração eucarística, pode-se incensar o Altar, a Cruz, o Evangelho, as oferendas, o Sacerdote, a assembléia e, sobretudo, o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo sacramentalmente presente pela Consagração. A bênção do incenso para o rito sacro é um sacramental; a incensação em forma de cruz simboliza o Sacrifício da Cruz, e a das oferendas em forma circular, a total pertença das ofertas a Deus, retirando-as do uso profano. Ademais, o incenso é usado nas Bênçãos do Santíssimo, nas Vésperas Cantadas, nas exéquias e em outras bênçãos de lugares e objetos sagrados, como os sinos.

Na dedicação de uma igreja, depois de ungido o Altar é posto sobre ele um braseiro para queimar incenso, simbolizando que o sacrifício de Cristo, realizado ali na Missa, sobe ao Pai Eterno como suave fragrância, e com ele as orações dos fiéis. A coluna de incenso que então se levanta recorda a coluna de nuvem que acompanhou os filhos de Israel no deserto depois da saída do Egito (Cf Ex 13,21-22). Todo o espaço da igreja é incensado, pois tornou-se uma casa de oração, e também os fiéis, por serem “templos vivos de Deus” (Cf 1Cor 3,16-17; Ef 2,22).

Caro leitor, quando estivermos em uma igreja e nos virmos circundados pelo incenso e penetrados de seu perfume, lembremo-nos: estamos em um lugar sagrado, é o momento de nos oferecermos a Deus em sacrifício como o incenso que é queimado e de elevarmos nossa prece, para que, como a fumaça, ela suba ao Céu em agradável odor.

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[1]“[…] por entender que Ele era de natureza divina e celestial, ofertaram incenso perfumado, forma de oração verdadeira, oferecida como suave odor do Espírito Santo”. ANÔNIMO. Obra incompleta sobre o Evangelho de Mateus, 2: PG 56, 642.

 
Comentários
Luciana Veloso - 04 de Junho de 2019
Que sejamos dignos de receber a oferta do incenso . Amem
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Luis Henrique - 17 de Julho de 2019
Que maravilha é a nossa igreja!