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Comentários ao Evangelho


Ricos ou pobres, seremos julgados segundo o amor!
 
AUTOR: MONS. JOÃO SCOGNAMIGLIO CLÁ DIAS, EP
 
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No Evangelho deste domingo, Nosso Senhor nos ensina que não é a fortuna ou a miséria que nos prepara o consolo na eternidade, mas sim as disposições de nossa alma em relação à vontade de Deus.

Evangelho

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: 19 “Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20 Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. 22 Quando o pobre morreu, os Anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23 Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. 25 Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’. 27 O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28 porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’ 30 O rico insistiu: ‘Não, pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31 Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos’” (Lc 16, 19-31).

I – A raiz do apego ao dinheiro

Quando a criança começa a conhecer a realidade que a cerca, logo no despontar da luz da razão, sente-se pequenina e débil ante um universo que lhe parece imenso e inabarcável. Por isso, ela facilmente julga que os outros seres lhe são superiores, coloca-se numa posição de contingência em relação às pessoas mais velhas e tem inteira confiança na proteção dos pais. Tal atitude do inocente o leva a aceitar sem dificuldade a existência de um mundo além do alcance dos seus sentidos, que ele não consegue ver nem apalpar, e, portanto, o predispõe a viver em função do sobrenatural.

Com o passar dos anos, porém, manifesta- -se na alma humana uma forte propensão à autossuficiência, pela qual, sobretudo quando lhe falta a virtude, torna-se impenetrável por aquilo que ultrapassa a sua natureza e não pode ser por ela dominado, como o são os princípios da Fé. Desse modo, preferirá ocupar-se com as coisas concretas que concernem à sua capacidade de governar, como o dinheiro, o trabalho, os estudos, a família, e se imaginará segura ao exercer o controle sobre elas.

Assim, à medida que o coração se afasta de Deus e entra pelo caminho do orgulho, dando vazão a essa tendência de querer dominar tudo, vai-se criando uma “religião” em que os cinco sentidos são considerados absolutos: é o culto do palpável, do sensível, do material, daquilo que proporciona ao homem uma aparente estabilidade.

Nessa perspectiva, em todos os tempos, desde quando se estabeleceu o primeiro comércio monetário da História, nenhum elemento foi tão cobiçado quanto o dinheiro. Vê-se nele o principal fator para alguém atravessar com segurança a vida; ambiciona-se ganhar na loteria, encontrar um tesouro, receber uma farta herança ou qualquer outra situação na qual a fortuna bata à porta de um momento para o outro. Entretanto, se é verdade que a abundância de posses favorece uma existência despreocupada, “aquele que ama o dinheiro, nunca se fartará” (Ecl 5, 9), e jamais obterá sossego interior.

É esta a problemática em torno da qual se desenrola a eloquente parábola do rico e do pobre Lázaro, apresentada por São Lucas como desfecho de uma sequência de ensinamentos de Nosso Senhor a respeito do uso das riquezas.

Volta do Filho Pródigo – Catedral de Green Bay (EUA)

II – Uma parábola para os fariseus

O Evangelho deste 26º Domingo do Tempo Comum recolhe uma das pregações de Jesus quando Se encontrava a caminho de Jerusalém, no terceiro ano de sua vida pública. Pouco antes, Ele havia narrado as três parábolas da misericórdia, visando mostrar o quanto Deus está inteiramente aberto para receber a cada um. Logo a seguir, o Evangelista registra a parábola do administrador infiel, a qual é dirigida aos discípulos num discurso que se conclui com as categóricas palavras: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 13).

Em meio ao público ali presente, estavam também “os fariseus, que eram avarentos, e zombavam d’Ele” (Lc 16, 14). Incomodados com aquelas considerações a respeito do dinheiro desonesto, decerto murmuravam contra Jesus e taxavam sua doutrina de louca e absurda. O Salvador então Se volta para eles e, após increpar sua falsidade, passa a pintar em cores vivíssimas uma cena que enfoca de maneira toda especial a soberba e a cobiça humanas. Ele certamente a contou com um luxo de detalhes que não constam no texto de São Lucas, demorando talvez meia hora para desenvolver essa trama cheia de verossimilhança, formativa e convincente.

Deus Se esquece dos orgulhosos

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: 19 “Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta do rico”.

Logo de início, um detalhe chama a atenção e indica a nota tônica desta passagem: entre os personagens que figuram nas parábolas de Nosso Senhor, este pobre é o único designado por um nome, Lázaro. O outro, por sua vez, recebe apenas um título, o qual se aplica a todos aqueles que depositam sua segurança nas criaturas: “rico”. Trata-se de um