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Plinio Corrêa de Oliveira


A eternidade numa mudança de ano…
 
PUBLICADO POR ARAUTOS - 28/11/2019
 
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Ao transpor os portais de um novo ano, sente-se, como que, o roçar da eternidade. De fato, é mais um período de nossas vidas que fica para trás, a respeito do qual devemos fazer um exame de consciência, pedindo a Nossa Senhora que cubra com seu manto o que nele não foi belo.

Esta é a última reunião de sábado à noite de 1988, pois no próximo sábado teremos o Santo Natal. Os portais de um ano, trezentos e sessenta e cinco dias, se escoam e os portais de outro ano se abrem. O passado se encerra e fica um ano para trás; o futuro se abre e temos um ano pela frente.

No dia do Juízo Final, tudo quanto se passou em nós será revelado aos olhos de todos os homens. Sejam eles santos ou precitos, todos assistirão. Pórtico do Juízo Final – Catedral de Notre Dame, Paris (França)

A eternidade é bela, mas só podemos calcular sua pulcritude por meio de algumas comparações. Fomos criados dentro do tempo e, por causa disso, só compreendemos as coisas em função do tempo.

Fomos criados na matéria, temos um corpo material. Vivemos dentro deste globo. Como nós, que estamos imersos no tempo, podemos calcular o esplendor da eternidade? Os homens não se sentem tão atraídos pelo Céu quanto deveriam, porque têm dificuldade em imaginar como será a eternidade.

Sentir o roçar da eternidade

Se dissermos para uma pessoa: “Você vai para a eternidade, deixará as aflições do tempo e gozará as glórias da eternidade” — há o Purgatório; quem sabe o que lá sucederá, e por quanto tempo? —, ela poderá se perguntar: “Mas como é essa eternidade? Fica tudo parado? O que lá acontece?”

Para se ter ideia do que é a eternidade e da sua beleza, deve-se considerar o seguinte: o tempo vale muito menos do que a eternidade, porque aquele é próprio para nós mortais e a eternidade é própria para os imortais, que nunca perecerão. Então, basta estarmos ligados à morte para entendermos que o tempo seja muito menos belo do que a eternidade. Porque a morte, a qual não deixa de ter sua beleza, é muito menos bela do que a vida. Então, para compreendermos a eternidade, temos que entender a beleza do tempo.

Esta mudança de ano, na qual estamos, é uma dessas situações em que se sente o roçar da eternidade, pois um ano de nossas vidas se encerra.

Se um homem, por exemplo, que viveu muito tempo numa cidade, muda-se para uma localidade noutro extremo do país, adota outra profissão, tem outras relações, ele passa para um mundo diferente; uma etapa de sua existência se encerra e outra se abre. Para esse homem isto tem muita significação, porque tudo o que se passou fica como um bloco na vida dele, o qual, no interior de sua alma, só ele mesmo conhece. Os fatos externos de sua existência os outros poderão conhecer. Se for um personagem célebre, os historiadores escreverão sobre o que ele disse ou fez, o que fizeram contra e a favor dele. Quem poderá escrever o que se passou em sua mente? Ora, a essência da vida de um homem é o que se passa em sua alma, a qual é fechada para todo mundo. E ninguém conhece essas coisas, a não ser Deus e aqueles a quem Ele resolver revelar. 

No dia do Juízo Final tudo será revelado de forma estupenda

Isto será revelado aos olhos de todos os homens, no dia do Juízo Final, quando tudo o que se passou em nós de interno e externo, referente à nossa santificação, aos nossos pecados, Deus vai revelar e julgar. Todos os homens que houve, há e haverá até o fim do mundo, salvos ou precitos, assistirão a isso. Uns já garantiram o Céu e terão ressuscitado pouco antes de o Filho de Deus vir para julgar os vivos e os mortos. Outros foram condenados ao Inferno. O Purgatório estará vazio, porque todos que nele estiverem irão para o Céu e não para o Inferno. Os que já estão no Inferno ressuscitaram num corpo que vai aumentar o tormento deles. E não só a História dos homens, mas das nações, das civilizações, das culturas, das instituições, tudo vai ser revelado de forma estupenda.

E o Juízo não será demorado, como se poderia pensar, porque para as pessoas que estão nesse estado o tempo não conta. Podemos ter ideia do que será sua rapidez pelo seguinte: há vários depoimentos de pessoas que passaram por risco de morte e contam que, em determinado momento, toda a sua vida lhes passou diante do espírito. Ora, se toda a existência se mostra em minutos, compreendemos como as coisas podem ser comprimidas sem tirar nada. Nesse lance estupendo, sem sentirmos cansaço — nem
sei se se pode falar de tempo, nesse momento em que todos estão entrando para a eternidade —, veremos tudo e cada um será mandado para o seu lugar, para onde a justiça divina o encaminhou.

Nas épocas e nas situações em que vemos o tempo passar, percebemos também a beleza do tempo. Quer dizer, quando uma coisa existe, está funcionando, nota-se sua beleza ou feiura. E quando, por exemplo, uma instituição deixa de funcionar e cai no passado, a partir deste ela é vista numa perspectiva especial, e podem-se notar belezas e aspectos que quando ela estava viva não se percebiam.

Uma almofadazinha para prender alfinetes

Estou me lembrando de um caso que minha mãe me contou uns vinte anos antes de morrer. Ela já estava idosa, e, certa vez, foi sozinha visitar uma amiga que se tinha mudado havia pouco para perto de sua casa. A amiga, que a recebeu muito bem, tinha móveis bastante bons e na sala de visita de sua residência havia uma vitrine com objetos curiosos, antigos. Ela disse a minha mãe: