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Rosário


Fátima e a recitação do Santo Rosário
 
AUTOR: CARDEAL JOSÉ SARAIVA MARTINS
 
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Nossa Senhora disse às três crianças: "Quero que venhais aqui no dia 13 do próximo mês, que continueis a recitar o Rosário todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz no mundo e o fim da guerra...".

NS FATIMA_7...jpg“Recitar o Rosário todos os dias

Em 13 de Maio de 1982, João Paulo II peregrino em Fátima um ano após o atentado de que fora alvo na Praça de São Pedro, exprimia-se da seguinte forma a respeito da mensagem transmitida pela Virgem Maria a Jacinta, Francisco e Lúcia: “Se a Igreja acolheu a mensagem de Fátima, foi sobretudo porque ela contém uma verdade e uma chamada que, no seu conteúdo fundamental, são a verdade e a chamada do próprio Evangelho”.

Estas palavras do Papa, que com tanto vigor e autoridade fez ressoar a mensagem dada pela Virgem Maria em Fátima, no alvorecer do século passado, também no começo deste século e do terceiro milênio cristão, podem ser também um convite a acolher aquela apologia do Rosário que, em Fátima, encontrou um centro propulsor para toda a Igreja e para o mundo.

Parece que podemos dizer que Fátima e o Rosário são quase um sinônimo, e de facto assim é. Sabemos que as três crianças, depois do seu encontro com um Anjo do Senhor, seguiram fielmente as instruções que ele lhes tinha dado e intensificaram o seu recurso à oração de acordo com o que tinham recebido: adoração da Santíssima Trindade juntamente com a oferta do preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Tabernáculos do mundo, em reparação das ofensas, dos sacrilégios e da indiferença com que é ofendido. O Anjo também lhes tinha dito para realizar esta oferta pelos méritos infinitos do Sagrado Coração e do Coração Imaculado de Maria, e para pedir com isso a conversão dos pobres pecadores.

Sabemos que a 13 de Maio de 1917, que era domingo, enquanto os três levavam o rebanho a pastar na Cova da Iria, foram surpreendidos pela aparição de “uma Senhora vestida de branco mais brilhante que o sol”, que lhes disse: “”Não receeis. Não vos faço mal”. “De onde é você?”, disse Lúcia. “Sou do céu”. “E que quer de mim?”. “Venho pedir-vos para virdes aqui seis meses consecutivos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois dir-vos-ei quem sou e o que quero. Depois, voltarei aqui novamente pela sétima vez”. “E também eu vou para o Céu?”. “Sim, irás”. “E a Jacinta?”. “Também”. “E Francisco?”. “Sim. Mas deve recitar muitos Rosários…”. “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele vos quiser mandar, em reparação pelos pecadores que O ofendem, e de súplica pela conversão dos pecadores?”. “Sim, queremos”.

Então, num impulso íntimo que nos foi comunicado, ajoelhamo-nos e repetimos intimamente: “Santíssima Trindade, eu adoro-Vos. Meu Deus, meu Deus, eu amo-Vos no Santíssimo Sacramento”. Passados os primeiros momentos, Nossa Senhora acrescentou: “Recitai o Rosário todos os dias para obter a paz para o mundo e o fim da guerra”. Depois começou a elevar-se serenamente, subindo em direcção ao oriente…” (em Memórias da Irmã Lúcia).

A resposta dada por aquelas pequenas crianças à recomendação que a “branca Senhora” lhes tinha feito, foi uma sincera e frequente recitação do Santo Rosário.

Que mudança em relação ao que eles faziam em tempos anteriores quando na simplicidade típica das crianças para terem mais tempo para brincar, mesmo recitando habitualmente algumas orações depois de uma pequena merenda, se contentavam apenas com dizer “Ave Maria” e “Pai Nosso”, omitindo o resto destas orações!”. Desta forma, eles chegavam num instante ao fim, e podiam recomeçar as suas brincadeiras.

No dia 13 de Junho, fiel ao encontro marcado com as crianças, a “branca Senhora” apresentou-se de novo e disse-lhes: “Quero que venhais aqui no dia 13 do próximo mês, que reciteis o Rosário todos os dias”. Quando Lúcia lhe pediu que os levasse todos para o Céu, a Senhora respondeu: “Sim; Jacinta e Francisco, levo-os em breve, mas tu permaneces aqui algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para que me dês a conhecer e me faças amar. Quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Coração Imaculado. A quem a aceitar, prometo a salvação; e estas almas serão amadas por Deus como flores destinadas por mim para honrar o seu trono”. “Vou ficar aqui sozinha?” perguntou entristecida. “Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te abandonarei. O meu Coração será o teu refúgio e o caminho que te guiará até Deus”.

Quando pronunciou estas últimas palavras, abriu as mãos e transmitiu-nos, pela segunda vez, o reflexo daquela luz imensa, na qual nos víamos como que imersos em Deus. Parecia que Francisco e Jacinta estavam naquela parte de luz que se elevava para o Céu, e eu naquela parte que se difundia na terra. Diante da palma da mão direita de Nossa Senhora, havia um coração coroado de espinhos que pareciam cravados. Compreendemos que era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que pedia a reparação” (das Memórias da Irmã Lúcia).
Em 13 de Julho Nossa Senhora apareceu às crianças, que desta vez não estavam sozinhas, mas rodeadas por 3 ou 4 mil pessoas, que acorreram com a curiosidade de ver o que acontecia: De facto, apesar do compromisso que as crianças tinham assumido entre si para não revelar nada a ninguém, a pequena Jacinta dissera alguma coisa em relação ao próximo encontro com a “branca Senhora” e a notícia difundira-se rapidamente nos arredores.

terco.jpgFoi durante aquela aparição que Nossa Senhora disse às três crianças: “Quero que venhais aqui no dia 13 do próximo mês, que continueis a recitar o Rosário todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz no mundo e o fim da guerra, porque só ela os poderá ajudar”.

“Decidimos então rezar o nosso Rosário”

Os três meninos não só aceitaram este pedido de Nossa Senhora, mas compreenderam que era com a oração assídua e com muitos sacrifícios que contribuiriam para a conversão dos pecadores, para a paz no mundo, então atormentado pelos horrores da Primeira Guerra Mundial, e para a mudança do que acontecia na Rússia ateia e comunista.

A recitação frequente do Rosário tornou-se para eles uma necessidade interior que os estimulou a fazê-lo com fidelidade precisa, mesmo quando a situação se tornou para eles trágica e até cheia de apreensão e receio. Com efeito, estando naquela época Portugal dominado por governos maçónicos e abertamente anti-religiosos, o Administrador do Município de Vila Nova de Ourém (área na qual viviam as famílias das três crianças), decidiu pôr fim àquele movimento religioso que se tinha desenvolvido por causa deles. Na manhã de 13 de Agosto ele foi a Fátima e levou embora consigo os três pastorinhos para Vila Nova de Ourém. Ali aprisionou-os alternadamente na sua casa, ou na prisão municipal, ameaçando-os seriamente também de os matar tudo isto com a intenção de obter que eles lhe revelassem o segredo que Nossa Senhora lhes confiara. “Na prisão, os detidos deram aos Pastorinhos o seguinte conselho: “Dizei ao Presidente da Câmara esse segredo! Que vos importa se aquela Senhora não quer!” “Dizê-lo, não!”, respondeu Jacinta com vivacidade; “prefiro morrer!”. “Decidimos então recitar o nosso Rosário. Jacinta mostra uma medalha, que trazia ao peito, e pede a um preso que a pendure num prego da parede e, de joelhos diante da medalha, começamos a rezar. Os presos rezaram connosco,