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São João de Capistrano: Leão de combatividade a serviço da Igreja
 
AUTOR: PE. FLÁVIO ROBERTO LORENZATO FUGYAMA EP
 
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Foi infatigável pregador, missionário e apóstolo. Destacou-se como exímio jurista e homem de Estado, mas também como místico, teólogo, taumaturgo e até como guerreiro. Lutou como um leão contra os próprios defeitos e contra os inimigos da Santa Igreja.

Batalha iminente… Troar de canhões, movimentação de máquinas de guerra. Duzentos mil homens! À frente das tropas, o próprio sultão, Maomé II, avançava. Era a destruição, a carnificina e a barbárie que despencava sobre a Europa. Em vão o Vigário de Cristo lançara o brado de alarme: príncipes, senhores e cavaleiros se fizeram surdos à sua voz. Todos haviam renunciado a uma luta que se afigurava impossível.

Após a conquista de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, em 1453, nada parecia poder barrar a investida turca e o esmagamento da Cristandade europeia, tristemente amolecida. Decerto, varrida e exterminada seria após o próximo golpe que, desta vez, se encaminhava contra Belgrado. Abandonados pelas outras nações cristãs, esmorecidos na esperança, os húngaros estavam decididos a assinar humilhante trégua com os otomanos. Todos desesperavam da situação… exceto um homem.

Quando tudo dava a impressão de estar perdido, Deus enviou um varão providencial que, pelo ardor de suas palavras e calor de sua influência, teria a missão de aglutinar os bons, eliminar suas querelas e interesses pessoais e levá-los a defender a Fé.

Jovem e bem-sucedido governante

João nasceu em Capestrano, na região dos Abruzos, pertencente ao então Reino de Nápoles, em 24 de junho de 1386. Havendo perdido o pai muito cedo, viveu uma infância calma e pura, junto à sua virtuosa mãe.

Quando atingiu a adolescência, partiu para a Úmbria, província vizinha, estabelecendo-se em Perugia, onde estudou por cerca de dez anos Direito Civil e Canônico. Ali deu tais provas de capacidade no exercício da jurisprudência que mesmo seus antigos mestres não enrubesciam em consultá-lo nas questões mais espinhosas.

Com pouco mais de vinte e cinco anos, João foi nomeado governador daquela cidade. De natural retidão, exerceu sua nova missão de forma exímia: “Os pobres nele tiveram sustento, as pessoas de bem um protetor, os desordeiros um juiz severo. Sob sua autoridade, a província inteira recobrou uma segurança que, havia muitos anos, já não conhecia. O roubo desapareceu, os crimes diminuíram, as propriedades e as leis foram enfim respeitadas. Nada podia fazer-lhe transigir com a injustiça”.1

Certa ocasião, prometeram-lhe uma considerável soma de dinheiro se obtivesse ganho de causa a um poderoso senhor da região, dando sentença de morte contra um inocente, seu inimigo. Mesmo sob a ameaça de um punhal, João indignou-se com a proposta e examinou seriamente o caso, declarando, por fim, a inocência do acusado.

Apesar de “pequenas” contrariedades como essa, tudo sorria para o jovem governador. Sucesso na vida, fama na sociedade, promessa de casamento com a filha única de um dos homens mais ricos da cidade. Mas, coisas maiores Deus reservava para ele…

O fracasso e a conversão

Tudo começou a mudar de colorido quando, surgindo dissensões entre os habitantes de Perugia e alguns governantes da sua região natal, João foi incumbido de negociar a paz. Ele não poupou esforços e viagens para cumprir essa tarefa, mas os umbrianos, supondo que João os estivesse traindo, resolveram prendê-lo.

Confinado no alto de uma torre, atado por pesadas cadeias e tendo apenas pão e água como alimento, pensava num meio de escapar à morte… Semelhante ao que faria poucos anos depois Santa Joana d’Arc, João calculou a altura da construção, cortou um tecido em pequenas faixas e atou-as, formando uma espécie de corda pela qual começou a descer, rente à muralha externa. Entretanto, as faixas se romperam, terminando ele por quebrar um pé na queda.

O barulho dos ferros atraiu a atenção dos guardas, que o prenderam novamente, lançando-o, desta vez, num calabouço subterrâneo, onde a água chegava-lhe aos joelhos. Vendo-se abandonado por todos e meditando na instabilidade das coisas humanas, é então que a graça o toca a fundo: aparece-lhe São Francisco de Assis, convidando-o a ingressar em sua Ordem. E João dá a Deus o seu fiat. “

Após esta visão seus cabelos foram miraculosamente cortados em forma de tonsura e ele nada mais quis senão executar a ordem do Céu”.2 João transformara-se num homem novo.

Ingresso na Ordem Seráfica, duras provas

Libertado da prisão depois de pagar um vultoso resgate, para o qual teve de empenhar a maior parte dos seus bens, dirigiu-se ao convento franciscano de Perugia, pedindo ser admitido na Ordem. Tinha então trinta anos.

Ora, a fim de assegurar-se da autenticidade de uma vocação tão súbita, o guardião da comunidade julgou necessário submeter o candidato a algumas provas. Para calcar aos pés o respeito humano, mandou-o atravessar as ruas de Perugia, onde havia pouco recebia tantas honras e louvores, montado num burrico, revestido de andrajos e portando um cartaz no qual se liam seus pecados. As crianças lhe atiravam pedras, o populacho o perseguia com vaias, todos o desprezavam como um louco.

Neste período, ainda a título de prova, chegou a ser expulso do convento duas vezes, sendo readmitido debaixo de duríssimas condições.

Triturando seu orgulho por tais atos de hum