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Evangelho do 2º Domingo da Páscoa
 
AUTOR: MONS. JOÃO SCOGNAMIGLIO CLÁ DIAS, EP
 
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Da incredulidade a um sublime ato de adoração, quando constatou a Ressurreição do Senhor, as atitudes de São Tomé constituem valiosa instrução na fé para os homens do século XXI.

O Evangelho do 2º Domingo da Páscoa nos relata como a ressurreição não era tema fácil de tratar na época de Nosso Senhor, como também não o é ainda hoje. De fato, ele nos toca a fundo, pois, se considerássemos com seriedade o destino eterno, nossa vida seria outra e o mundo não estaria na presente situação de desvario.

Os Apóstolos não creram na Ressurreição de Jesus

Já chegara aos ouvidos dos Apóstolos a notícia de que Nosso Senhor fora ao encontro das Santas Mulheres (cf. Mt 28, 9-10; Mc 16, 9-11; Jo 20, 14-18) e Se deixara ver por São Pedro (cf. Lc 24, 34), bem como por dois discípulos a caminho de Emaús (cf. Lc 24, 13-33; Mc 16, 12-13); eles, todavia, se recusaram a acreditar, até o Divino Redentor Se lhes manifestar abertamente.

Verdadeiro Deus e verdadeiro Homem ressuscitado

“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-Se no meio deles…”

Esta aparição se deu no fim do próprio domingo da Ressurreição, primeiro dia da semana para os israelitas. O Apóstolo Virgem — que apresenta uma série de dados peculiares — frisa o fato de estarem as portas “fechadas, por medo dos judeus”. Com efeito, se estes haviam crucificado o Mestre, sem dúvida os d’Ele seriam também perseguidos.

A entrada de Jesus, transpondo as paredes com seu Corpo glorioso, causou um verdadeiro estupor. Estavam todos à mesa (cf. Mc 16, 14), que tinha forma de “U”, e Ele Se colocou no centro, bem à vista de todos.

Um poder divino dado aos homens

“Novamente, Jesus disse: ‘A paz esteja convosco. Como o Pai Me enviou, também Eu vos envio’. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos’. “

Quer o Divino Mestre que aqueles que O seguem sejam incumbidos de anunciar o Evangelho, como Ele foi enviado pelo Pai. Os Apóstolos, no entanto, deveras amedrontados e abalados com a dramática situação que atravessavam, tinham necessidade de uma nova infusão de serenidade e confiança, para se tornarem aptos a realizar sua altíssima missão.

Incutida a paz, lhes dá uma autoridade extraordinária com este sopro criador. Nele descobrimos um bonito paralelismo com o sopro do Pai ao comunicar a vida humana a Adão e este que eleva o homem a um grau sublime.

O que Jesus dá a seus Apóstolos é, pois, algo de sobrenatural que deve ser atribuído à ação do Espírito Santo, representado no Antigo Testamento, sobretudo, como vivificador. Com efeito, este poder é o de perdoar os pecados, bem como o de retê-los. Trata-se do poder já dado a Pedro e aos Apóstolos (cf. Mt 16, 19; 18, 18), que aqui é expressamente renovado, com a insuflação do Espírito, a qual o confere em caráter definitivo. Entende-se bem a alusão ao Espírito Santo: perdoar os pecados é dar a vida espiritual.

Portanto, ao administrar o Sacramento da Penitência, no momento em que o sacerdote, traçando uma cruz, pronuncia a fórmula “Eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, é este mesmo sopro de Jesus Cristo que se prolonga para restituir à alma do penitente a vida divina perdida pelo pecado mortal.

Sem provas, São Tomé não acredita

Ausente do Cenáculo, Tomé não assistiu portanto à primeira aparição de Jesus aos discípulos. Sem dúvida, estes tentaram persuadi- lo da veracidade do ocorrido. Em vão. Depois de terem fugido e deixado o Divino Redentor a sós, seu testemunho, aos olhos de Tomé, não se revestia de suficiente autoridade, e ele permanecia cético — como, aliás, estavam os outros Apóstolos antes de tocarem em Nosso Senhor —, exigindo como condição para acreditar as mesmas provas que a eles foram dadas. Tomé passou para a História como o incrédulo, mas, na realidade, como vimos anteriormente, os demais também o foram.

Testemunha qualificada da Ressurreição

Após oito dias, Jesus “pôs-Se no meio deles” pela segunda vez e mandou Tomé colocar a mão nas suas chagas, dizendo-lhe que não fosse “incrédulo, mas fiel”.

Ademais, é interessante notar que Nosso Senhor não o acusa de ser incrédulo e, sim, o adverte para não vir a tornar-se tal, a partir desta hora em que lhe oferecia o argumento concreto e a demonstração cabal de sua Ressurreição. Para ser fiel era indispensável ter fé, e Cristo o convidava a crescer nesta virtude.

Bem-aventurado Tomé, porque para possuir esta fé acabou recebendo a insigne graça de tocar no lado do Salvador! Como comenta São Gregório Magno, “isto não aconteceu por acaso, mas por disposição da Providência; pois a Divina Misericórdia agiu de modo tão admirável para que, tocando o discípulo incrédulo as feridas de seu Mestre, curasse em nós a chaga de nossa incredulidade. De maneira que a incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram, porque, decidindo aquele apalpar para crer, nossa alma se afirma na fé, descartando toda dúvida”. Quanto foi útil este seu gesto para nossa alma apoucada, pois serviu de sinal autêntico da Ressurreição do Senhor!

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