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Santo do Dia


Santa Jacinta de Mariscotti - Data: 30 de Janeiro 2020
 
 
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Era filha de Marco Antônio Mariscotti, conde de Vignatello e de Otávia Orsini, Viu o dia em 1588, e recebeu, no batismo, o nome de Clarissa, que mudou pelo de Jacinta, quando entrou na religião.

Educada no temor de Deus, revelou a princípio, na primeira mocidade, uma particular atração pela virtude; mas,SANTA JACINTA DE MARISCOTTI_1.jpg avançando em anos, tomou gosto aos ornatos e às vaidades do mundo. Embora posta num convento de religiosas para ser educada, entretinha-se apenas com futilidades. A mocidade lhe decorreu na dissipação. Desejava estabelecer-se, e o casamento de sua irmã mais nova com o marquês de Capizuochi lhe causou grande despeito e inveja. Fez-lhe perder a alegria, o bom humor, e tornou-se caprichosa e de trato dificílimo.

O pai intimou-a a fazer-se religiosa, e, embora Jacinta não sentisse a menor vocação pela vida solitária, cedeu às instâncias da família e tomou o véu no mosteiro de São Bernardino de Viterbo, da ordem terceira de São Francisco; mas os seus gostos e caráter não mudaram com o seu estado. Mal chegou ao convento, mandou-lhe construíssem um quarto particular, que mobilou com luxo e decorou com suntuosidade.

Quanto aos deveres que a regra lhe impunha, somente os cumpria com negligência e por simples obrigação. A sua única ocupação era satisfazer as fantasias de sua doida vaidade. Os defeitos, contudo, não deixavam de estar permeados de boas qualidades. Podia-se louvar nela um amor particular à pureza, um profundo respeito aos mistérios da religião e uma grande submissão à vontade dos pais, coisa, aliás, que a levara ao convento.

Jacinta havia transcorrido cerca de dez anos no meio das virgens do Senhor, com hábitos contrários aos santos exemplos que todos os dias testemunhava, quando a atingiu uma série enfermidade. Mandou chamar o confessor da casa, um respeitável religioso da ordem de São Francisco, o qual surpreendido, ao entrar no quarto da doente, com o luxo que o decorava, se recusou a ouvi-la e lhe disse em tom severo "que o paraíso não era feito para pessoas vãs e soberbas". Tais palavras impressionaram Jacinta, que foi tomada de salutar espanto. "Quer dizer que não há mais salvação para mim!" exclamou. Respondeu-lhe o confessor que o único meio de salvar a alma era pedir perdão a Deus pela vida passada, reparar o escândalo dado às companheiras e iniciar uma vida inteiramente adversa.

Jacinta prometeu-lhe tudo, derramando torrentes de lágrimas; depois, obedecendo aos conselhos do santo religioso, rumou para o refeitório no momento em que a comunidade lá se encontrava reunida. Debulhada em lágrimas, prostrou-se no meio da sala, reconheceu os erros em alta voz, e pediu lhe fossem perdoados os escândalos dados. As companheiras, assombradas e comovidas com tão heróico ato de humildade, apressaram-se em lhe testemunhar o contentamento a conversão lhes ministrava, e prometeram-lhe unir os seus rogos aos dela para lhe obterem a graça de consumar com generosidade o sacrifício tão felizmente iniciado.

A mudança de Santa Jacinta não foi, todavia, tão rápida, e foi mister que novas enfermidades a advertissem da sua fraqueza, para que ela tratasse de cumprir finalmente em toda a sua extensão.

Finalmente, cada vez mais impelida pela graça e pelos remorsos da consciência, não mais hesitou. Começou por entregar à superiora da casa tudo quanto possuía, e dedicou-se às austeridades de uma vida sinceramente penitente.

Um feixe de palha tornou-se-lhe leito, uma pedra o travesseiro, uma velha túnica esfarrapada o seu único hábito; caminhava quase sempre de pés descalços, e pode dizer-se que não tinha outros exercícios diários que os atos de maceração.

As vigílias e as privações que se impunham não tinham outros limites senão a impossibilidade de progredir mais sem por em perigo a vida. O que a sustentava e animava em tais santas práticas, eram as suas meditações freqüentes sobre a paixão de Jesus Cristo. A narração dos sofrimentos do divino esposo lhe inspirava tal horror pelo luxo passado, que procurava apagar-lhe até a lembrança mediante austeridades de todo o gênero. Experimentava apenas um sentimento que lhe subjugava o coração e lhe absorvia os demais afetos, o do amor de Deus e do próximo.

Embora encerrada no convento, achou meio de exercitar a caridade fora. Durante uma epidemia que devastou Viterbo, fundou duas associações, uma das quais por objeto recolher esmolas para os convalescentes, os mendigos envergonhados e os presos, sendo objetivo da outra colocar num hospital que para tanto se construiu, as pessoas idosas e enfermas.

As duas associações, que ela dirigia e às quais deu o nome de Oblatas de Maria, ainda existem em Viterbo, onde fazem se abençoe o nome da santa fundadora.

Viveu assim Jacinta vários anos, inteiramente ocupada com os infelizes, de quem era mãe, favorecida pelas mais preciosas graças e pelo dom da mais sublime oração.

Não tinha mais do que 50 anos, quando subitamente a atacou um mal agudo e violento que, em algumas horas a levou ao túmulo. Apesar da vida dor de que era presa, recebeu os sacramentos com grande piedade, e adormeceu tranquilamente no Senhor, proferindo os nomes de Jesus e Maria.

O Cardeal Mariscotti, sobrinho de Jacinta, solicitou a sua beatificação, que foi pronunciada em 1726 pelo Papa Bento XIII, da mesma família. Em 24 de Maio de 1807, Pio VII a colocou no rol das santas. (1)

(1) Godescard, 30 de Janeiro

(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume II, p. 289 à 292)

 
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