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São Gaudêncio, Bispo de Bréscia, Itália - Data: 25 de Outubro 2019
 
 
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São Gaudêncio, bispo de Bréscia e sucessor de São Filastro, era contemporâneo de Santo Ambrósio, de São Jerônimo, de Santo Agostinho e de São Crisóstomo. Contudo, não se conhece ao certo a data do seu nascimento, nem o ano em que morreu. Só em seus discursos e sermões, em número de vinte e um, é que são encontradas algumas informações sobre a sua vida. No elogio que teceu sobre São Filastro, chama-o de pai, o que nos leva acreditar que também nascera em Bréscia, ou pelo menos, fora nessa cidade elevado ao clericato.

Era sacerdote, mas ainda muito jovem, quando empreendeu a peregrinação a Jerusalém. Percorrendo as cidades da Capadócia, chegou a Cesaréia, metrópole de que São Basílio fora arcebispo. Lá encontrou um grande mosteiro de virgens, cujas superioras eram as sobrinhas de São Basílio, irmãs pela natureza, pela fé, pela pureza e pelo fervor. Tinham recebido de seu tio as relíquias dos quarenta mártires de Sebaste, cuja memória a Igreja cultua nos dias 9 e 10 de março. Havia muito tempo que pediam a Deus que lhes permitisse entregar aquele precioso tesouro a uma pessoa de confiança, que soubesse dar-lhes o devido valor, pois eram muito idosas, e esperavam morrer de um dia para outro. Tendo entrado em contato com São Gaudêncio e, informadas de que viera da província de Santo Ambrósio, de boa vontade lhe cederam as santas relíquias, convencidas de que seriam veneradas na Itália com a mesma piedade, ou ainda maior, do que o eram no Oriente. São Gaudêncio teve, pois, quarenta mártires como companheiros de peregrinação; de regresso, depositou-os numa nova igreja de Bréscia.

Ainda não retornara de Jerusalém, quando faleceu São Filastro, bispo de Bréscia. Imediatamente o clero e o povo da cidade elegeram para substituí-lo o padre Gaudêncio, embora ausente. Protestaram, mesmo, sob juramente, que não aceitariam outro. Os bispos da província, encabeçados por Santo Ambrósio, escreveram a Gaudêncio, por emissários enviados pelo povo, pedindo-lhe que voltasse para a sua pátria. Ele regressou a Bréscia e malgrado todas as suas tentativas para subtrair-se à escolha, recebeu a consagração episcopal das mãos de Santo Ambrósio. Isso se deu no ano de 287. Chegou até nós o discurso que pronunciou na ocasião, e no qual fala de si mesmo com muita humildade:

"Convencido da minha incapacidade, e esquivando-se por causa da minha idade, imatura para a dignidade do sacerdócio, supliquei aos soberanos sacerdotes que me permitissem permanecer em silêncio; pois temo em primeiro lugar que a virtude das palavras celestes perca a força através da linguagem da minha insuficiência. Em seguida, envergonho-me por não poder oferecer a tão grande espera o desejado fruto da doutrina. Assim, sentindo-me completamente incapaz de corresponder à vossa expectativa, esforcei-me para declinar este fardo. Mas o bem-aventurado padre Ambrósio e outros veneráveis pontífices, sujeitos ao juramento ao qual também vós temerariamente vos ligastes, escreveram-me, por intermédio de vossos emissários, cartas tais, que não me permitiram mais resistir. Sem perigo para a minha alma. Além disso, os bispos orientais recusar-me-iam a santa comunhão, se eu não prometesse voltar para vós. Cercado de todas as partes e subjugado pela autoridade dos santos aqui presentes, recebi o encargo do soberano sacerdócio, sem dele me julgar digno, nem pelos méritos, nem pela idade, nem pela doutrina. Considerai, pois, quanto sofro, eu que não sei falar, por não poder calar-me. Pela imposição dos mais antigos, sou obrigado a obedecer além de minhas forças, pois impossibilitado de guardar silêncio, e incapaz de proferir o que devo dizer. Porém ciente pela autoridade da lei divina de que as ordens de nossos pais espirituais são salutares, atrevo-me a falar, e a levar até os vossos ouvidos um insignificante sermão; talvez o acolhereis pacientemente, pela razão de que é SAO GAUDENCIO.jpgútil ao povo de Cristo aprender, através do exemplo daquele que vos prega, a obediência, que é preferida ao sacrifício divino, e anteposta a todos os mandamentos de Deus". São Gaudêncio assim termina a sua alocução: "Rogo a Ambrósio, nosso pai comum, que, após o insignificante orvalho do meu discurso, se digne regar vossos corações com os mistérios das Sagradas Escrituras; pois ele vos falará pelo Espírito Santo, que nele habita; rios de águas vivas irromperão de suas entranhas, e tal como um sucessor do apóstolo Pedro, ele será a boca de todos os pontífices aqui presentes; pois tendo o Senhor Jesus interpelado os apóstolos: "E vós, quem dizeis que eu seja? Unicamente Pedro respondeu, como órgão de todos: "Sois Cristo, Filho do Deus vivo".

Temos outro pequeno sermão que São Gaudêncio pronunciou mais tarde diante de Santo Ambrósio, em Milão, sobre a natividade ou nascimento de São Pedro e São Paulo, festejados àquele dia, isto é a natividade ou o nascimento para o céu pelo martírio.

São Gaudêncio fazia todos os anos o panegírico de seu predecessor São Filastro que, como Abraão, deixara a pátria e a família para obedecer à vocação de Deus, percorrendo como apóstolo grande parte do universo, conquistando com seus ensinamentos os pagãos, os judeus, os heréticos, em particular os arianos de Milão. Tendo chegado a Bréscia, e eleito bispo, arroteou aquela terra, até então inculta, e transformou-a num campo abençoado. De todos os panegíricos que São Gaudêncio pronunciou todos os anos no dia 18 de julho, só nos ficou um, décimo-quarto.

Os sermões de São Gaudêncio eram tão apreciados que havia quem os anotasse na própria igreja. Entre seus editores mais fiéis, encontrava-se Benévolo, um dos homens mais importantes de Bréscia, e até mesmo do império. Era chanceler do jovem imperador Valenciano, quando a mãe deste último, a Imperatriz Justina, começou a perseguir Santo Ambrósio e os católicos, para favorecer os arianos. Como o chanceler tinha a seu cargo escrever e selar as leis, ela tentou obrigá-lo a redigir uma em favor dos arianos, e contrária aos católicos. Ele se recusou. A Imperatriz prometeu-lhe ainda maiores honrarias. Benévolo ainda não fora batizado, era apenas catecúmeno. Insensível a todas as promessas, despojou-se dos símbolos da dignidade e retirou-se, como simples indivíduo, para Bréscia, sua terra natal, onde se tornou amigo de São Filastro e do sucessor do mesmo bispo. Certa ocasião quando, retido por uma grave moléstia, Benévolo não pode ouvir as lições que São Gaudêncio deu aos neófitos durante os oito dias da Páscoa, pediu ao santo Bispo que as enviasse por escrito, a fim que delas pudesse tomar conhecimento. Levado pel