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Santo do Dia


São José de Cupertino, Franciscano - Data: 18 de Setembro 2019
 
 
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José Desa nasceu no dia 17 de junho de 1603 em Cupertino, pequena cidade da diocese de Nardo, entre Brindes e Otranto. Seus pais eram pobres, mas virtuosos. Cognominaram-no mais tarde Cupertino por causa do lugar do seu nascimento. Sua mãe educou-o dentro de uma grande piedade; mas se mostrava muito rigorosa e castigava-o severamente pelas menores faltas, a fim de habituá-lo a uma vida áspera e penitente. José mostrou, desde a infância, um extraordinário fervor e já parecia desfrutar a doçura das consolações celestiais. Era extremamente assíduo ao serviço divino; e, numa idade em que só se costuma aspirar ao prazer, usava um áspero cilício e macerava o corpo com várias disciplinas. Fizeram-no aprender o ofício de sapateiro, que exerceu durante algum tempo.

Porém, ao atingir a idade de dezessete anos, apresentou-se para ser recebido pelos Franciscanos conventuais, comunidade à qual pertenciam dois tios seus, bastantes considerados.

Contudo, foi recusado, pois nada estudara. O máximo que conseguiu obter foi ingressar nos Capuchinhos, na qualidade de irmão converso. E, após oito meses de noviciado, foi despedido como incapaz de corresponder à vocação. Longe de insurgir-se, persistiu na resolução de abraçar o estado religioso.

Enfim, tocados de compaixão, os Franciscanos conventuais receberam-no no convento Della Grotella, assim chamado por causa de uma capela subterrânea, dedicada à Virgem Santa. O convento ficava muito próximo de Cupertino. Depois de ter feito seu noviciado com muito fervor, José foi recebido como irmão converso entre os oblatas da ordem terceira. Confiaram-lhe, a princípio, as tarefas mais grosseiras da casa, que executou escrupulosamente. Duplicou os jejuns e as austeridades; orava incessantemente e só dormia três horas por noite. Sua humildade, sua doçura, seu amor à mortificação e à penitência tornaram-no alvo de tamanha veneração que num capítulo geral realizado em Altamura, em 1625, ficou decidido que seria recebido entre os religiosos do coro, a fim de preparar-se para as santas ordens.

José, pediu permissão para fazer um segundo noviciado, depois do qual se afastou mais do que nunca do convívio dos homens para unir-se a Deus de maneira ainda íntima através da contemplação. Considerava-se um grande pecador e imaginava que só por caridade, lhe haviam permitido usar o hábito religioso. Sua paciência fê-lo suportar em silêncio e com alegria, severas repreensões por faltas que não cometera. Levou a obediência ao ponto de executar prontamente às mais difíceis ordens que lhe davam. Tantas virtudes o tornaram objeto da admiração de todos. Tendo sido ordenado sacerdote em 1628, celebrou a primeira missa penetrado de intraduzíveis sentimentos de fé, de amor e de respeito.

Escolheu uma cela afastada, escura e incômoda. Costumava rezar em capelas pouco freqüentadas, a fim de entregar-se mais livremente ao seu pendor pela contemplação. Privou-se de tudo quanto lhe fora concedido pela regra; e quando se viu completamente despojado, disse, prosternado diante do crucifixo: "Eis-me aqui Senhor, despojado de todas as coisas criadas; sede, conjuro-vos meu único bem; considero qualquer outro bem um verdadeiro perigo, como a perdição da minha alma."

Depois de haver recebido o sacerdócio, passou cinco anos sem comer pão e beber vinho; durante este tempo só se alimentou de ervas e frutos secos; e as ervas que comia na sexta-feira eram tão repugnantes que só ele mesmo conseguia comê-las. Observava um jejum tão rigoroso na quaresma que durante sete anos só tomou algum alimento às quintas-feiras e aos domingos, com excessão da Santa Eucaristia, que recebia todos os dias. Seu rosto, que amanhecia pálido, tornava-se fresco e rosado depois da comunhão. De tal maneira se habituara a não comer carne que o estômago não conseguia mais suportá-la. O zelo pela mortificação fazia-o inventar vários instrumentos de penitência. Durante dois anos foi provado com dores internas que o faziam sofrer intensamente. Enfim, a bonança sucedeu à tempestade.

Tendo-se espalhado o rumor de que tinha êxtases e operava milagres, uma grande quantidade de pessoas o acompanhou quando viajou pela província de Bari.Um vigário geral ofendeu-se e queixou-se aos inquisidores de Nápoles. José recebeu ordens para apresentar-se àquela cidade. Mas depois de terem sido examinados os pontos de acusação, ele foi declarado inocente, e despediram-no.

Celebrou a Missa em Nápoles na Igreja de São Gregório Armênio, que pertencia a um mosteiro de religiosas. Terminado o sacrifício, José caiu em êxtase, como o atestaram várias testemunhas oculares durante o processo de canonização. Os inquisidores enviaram-no ao seu superior em Roma. Foi duramente recebido e logo depois recebeu ordens para recolher-se ao convento de Assis, o que lhe causou grande alegria por causa da devoção que lhe merecia o santo patriarca da sua ordem.

O superior de Assis também o tratou com aspereza. Sua santidade manifestava-se cada vez mais visivelmente, e as pessoas mais bem qualificadas testemunhavam um ardente desejo de vê-lo. Chegou em Assis em 1639 e lá permaneceu pelo espaço de treze anos. Sofreu, a princípio, muitas tribulações interiores e exteriores. Seu superior frequentemente o acusava de hipocrisia e usava para com ele de grade severidade. Por outro lado, Deus parecia tê-lo abandonado; seus exercícios eram acompanhados por uma secura e uma aridez que o consternavam. Os fantasmas impuros que a imaginação lhe apresentava, com tentações horríveis, fizeram-no cair numa melancolia tão profunda que nem mesmo ousava levantar os olhos. Informado das tristes condições em que José se encontrava, seu Superior mandou-o chamara a Roma; e depois de lá tê-lo retido durante três semanas, mandou-o de volta ao convento de Assis.

Ao regressar de Roma, o santo sentiu retornarem as consolações celestiais que em seguida lhe foram dispensadas com mais abundância do que nunca. Ao pronunciar os nomes de Deus, de Jesus, ou de Maria, tão só, ficava como que fora de si. Exclamava frequentemente: "Dignai-vos, ó meu Deus! Encher e possuir meu coração todo inteiro! Possa a minha alma despojar-se dos laços do corpo e unir-se a Jesus Cristo! Jesus, atraí-me a vós, não posso mais continuar na terra!" Ouviam-no muitas vezes excitar os outros à divina caridade: Amai a deus; aquele em quem domina esse amor é rico, embora não chegue a percebê-lo. Seus êxtases eram tão freqüentes quanto maravilhosos. Teve, mesmo, vários em público, dos quais um grande número de pessoas da mais alta categoria foram testemunhas oculares, e cuja verdade atestaram sob juramento. Inclui-se entre essas testemunhas João Frederico, Duque de Brunswicy e de Hanovre. Esse príncipe, que era luterano, ficou tão impressionado com o que presenciou, que abjurou a heresia e retornou ao seio da Igreja católica. José também possuía um dom singular para converter os mais endurecidos pecadores e tranqüilizar as almas torturadas pelos problemas interiores. Costumava dizer às pessoas escrupulosas que a ele se dirigiam: Não quero escrúpulos, nem melancolia; que a vossa intenção seja reta, e nada temais. Explicava os mais profundos mistérios da fé com uma grande clareza e tornava-os sensíveis sob qualquer aspecto. Devia aqueles sublimes conhecimentos às comunicações íntimas que tinha com deus através da oração.

A prudência de que dava provas na direção das almas atraía para junto dele um avultado número de pessoas, até mesmo cardeais e príncipes. Predisse a João Casimiro, filho de Sigismundo II, rei da Polônia que reinaria um dia para o bem do povo e santificação das almas. Aconselhou-o a não ingressar em nenhuma ordem religiosa. Tendo mais tarde esse príncipe entrado nos Jesuítas, pronunciou os votos dos discípulos da sociedade; e, em 1646, foi mesmo proclamado cardeal pelo Papa Inocêncio X. José dissuadiu-o a abandonar a sua resolução de receber as ordens sacras. A predição do santo realizou-se. Vladislau, filho mais velho de Sigismundo faleceu em 1648 e João Casimiro foi eleito rei da Polônia. Mais tarde abdicou e retirou-se para a França, onde morreu em 1672. É o próprio príncipe quem dá a conhecer os pormenores do fato que acaba de ser relatado.

Os milagres de São José de Cupertino não foram menos impressionantes do que os outros favores extraordinários que recebia de Deus. Vários doentes se restabeleceram graças às suas orações.

Tendo apanhado febre em Osimo, a 10 de Agosto de 1663, predisse que a sua última hora se aproximava. Na véspera da morte, pediu lhe administrassem o santo viático. Em seguida, recebeu a extrema-unção. Muitas vezes, ouviram-no articular as aspirações sugeridas pelo coração inflamado de amor: Desejo que minha alma se liberte dos laços da carne, a fim de reunir-se a Jesus Cristo. Graças, louvores, sejam dados a Deus! Que a vontade de Deus seja feita! Jesus crucificado, recebei meu coração, acendei nele o fogo do vosso amor.

Expirou no dia 18 de Setembro de 1663, com a idade de sessenta anos e três meses. Seu corpo foi exposto na igreja e a cidade inteira veio visitá-lo respeitosamente; em seguida, foi sepultado na capela da Conceição. Tendo sido confirmadas as suas heróicas virtudes, assim como a verdade de seus milagres, foi beatificado por Bento XIV em 1753, e canonizado por Clemente XIII em 1787. Clemente XIV mandou inserir o ofício desse santo no breviário romano.

(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 293 à 299)

 

 

 
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