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Santo do Dia


São Lourenço, Arcebispo - Data: 14 de Novembro 2019
 
 
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Era Lourenço o mais jovem filho de Maurício, príncipe rico e poderoso da província de Leinster. Maurício aproveitou-se do nascimento do filho para terminar as querelas que tinha com Donald, conde de Kildare. Para tanto, ao conde convidou como padrinho, indo a Kildare, onde Lourenço recebeu o batismo.

Quando menino completou dez anos, deu-o o pai a Dermith, rei de Meath, como refém. Em companhia deste príncipe, sofreu Lourenço, terrivelmente, sendo tratado com a maior desumanidade. A saúde foi-lhe, em breve, reduzida ao estado mais precário. Maurício, ao saber o que se passava, forçou Dermith a devolver-lhe o filho, que foi entregue ao bispo de Glendenoc, o qual teve o cuidado de elevá-lo na piedade, entregando-o ao pai, em seguida.

Maurício foi agradecer ao prelado, e pensava que seria melhor deixar-lhe o filho, então com doze anos. Disse ao bispo que tinha quatro filhos, sentindo grande desejo de, pelo menos um, ser consagrado ao serviço de Deus. Estava tentado a lançar à sorte, para ver a quem caberia dedicar-se ao Todo-poderoso.

Lourenço, que ouvia a conversa do pai, sentiu-se muito satisfeito, uma vez que estava, havia tempo, à espera de tal oportunidade para revelar os sentimentos que lhe iam pela alma. Apressadamente, adiantou-se:

- Não há necessidade de lançar mão da sorte, meu pai. Não desejo, e já de longa data, senão dedicar-me a Deus, ao serviço da Igreja.

Maurício, satisfeito, tomou-o pela mão, para oferecê-lo ao Senhor. E, cheio de júbilo, disse ao jovem:

- Fica sob a proteção de São Coemgin, filho, o bom protetor e patrono da diocese.

Esse santo Coemgin fora um santo abade muito humilde, que vivera no século VI, naquele mesmo lugar.

Entregue ao bispo, ficou Lourenço debaixo dos cuidados do bom prelado, que via o protegido avançar, de dia para dia, sempre e sempre, na prática de todas as virtudes.

Lourenço não completara ainda vinte e cinco anos, quando a morte veio a busca do bispo de Glendenoc, que, ao mesmo tempo, era abade do mosteiro daquela cidade. Foi, então, o jovem eleito bispo, mas não quis aceitar o episcopado, já que as disposições canônicas exigiam que o eleito tivesse trinta anos.

São Lourenço contudo, passou a governar a comunidade, que era muito numerosa, com piedade e sabedoria incomparáveis. Durante a assolação de uma fome terrível, que durou pouco mais de quatro meses, foi o jovem, como outro José, o salvador do país, pelas imensas caridades. Deus queria, entretanto, que sua virtude fosse temperada e sublimada pelas provas. Falsos irmãos, que nele, invejosos, não vislumbravam nenhuma irregularidade na conduta, cheios de rancor pelo zelo que o santo moço empregava em tudo, espicaçados pelo demônio, principiaram a caluniá-lo, para manchar-lhe a reputação. Lourenço repelia-os com o silêncio, a serenidade e a paciência. Os inimigos viram-se confundidos, e a virtude venceu: era a justiça que o Santo merecia.

Entrementes Gregório, arcebispo de Dublin, falecia. Lourenço, sucedeu-lhe, não mais podendo alegar a pouca idade, porque já completara os trinta. Assim, Gelásio, arcebispo de Armagh, ordenou-o.

São Lourenço, impôs-se um dever: desincumbir-se das obrigações com infatigável aplicação, e velar pela própria fé e pela daqueles que iria governar. Tinha sempre presente a preocupação de, um dia, ir prestar contas ao soberano Pastor das almas confiadas ao seu cuidado, e não desejava negligenciar, que Deus o livrasse, absolutamente. As exortações, cheias de força, que lançava, produziam grandes frutos por toda a parte. Nunca, mercê de Deus, ruborizou-se ao falar desta ou daquela virtude, porque as praticava todas, e era o exemplo em pessoa.

Sua catedral, chamada da Santa Trindade, fora levantada por cônegos regulares. Lourenço induziu-os, lá por 1163, a receber a regra dos cônegos seculares da abadia de Arrouaise, fundada, depois de oitenta anos, na diocese de Arras, e que gozava de grande reputação de santidade, vindo a ser a cabeça duma numerosa congregação. Lourenço tomou o hábito de cônego regular. Almoçava e jantava no refeitório o silêncio nas horas prescritas e a assistia às matinas, que se diziam à meia-noite. Ordinariamente, ficava na igreja até o amanhecer, depois do que ao cemitério orar pelos mortos. Lourenço jamais comeu carne. Jejuava todas as sextas-feiras, passando a pão e água, não se alimentando, naqueles dias, com mais nada. Estava sempre de posse dum cilício, e frequentemente se disciplinava.

Independentemente dos infelizes a quem assistia com esmolas, levava ao palácio, todos os dias, para almoçar, trinta pobres: às vezes, até mais. Tinha o mesmo zelo pelas necessidades espirituais do rebanho que lhe coubera governar. Pregava, com freqüência, a palavra de Deus. Para reanimar o fervor, de quando em quando se retirava para a solidão, o que fazia, quase sempre, no mosteiro de Glendenoc, onde um dos sobrinhos era abade. Gostava, porém, e para lá ia, duma gruta situada a pouca distância do mosteiro, na qual outrora vivera São Coemgin.

Quando saía do retiro, como outro Moisés que vinha de falar com Deus, parecia cheio dum fogo celeste e duma luz toda
divina. Tal era São Lourenço de Dublin.

Em 1179, no concílio ecumênico de Latrão, o Papa Alexandre III nomeou-o legado na Irlanda. Anteriormente, já estivera em Cantuária, e quase fora morto, de maneira assaz estranha. Fora procurar o rei Henrique da Inglaterra por assuntos da diocese. Os monges da igreja metropolitana, que o veneravam como a um santo, suplicaram-lhe cantasse a missa solene do dia seguinte. Aquiescendo, São Lourenço passou a noite em oração diante das relíquias de Santo Tomás.

No dia seguinte, quando se dirigia ao altar, um homem, saído da multidão, armado de um grosso cajado longo, aproximou-se do Santo e, sem que ninguém pudesse impedi-lo, desferiu-lhe forte golpe da cabeça, prostrando-o por terra.
O agressor era louco. E, como explicou, em lágrimas, a toda a gente, tinha Lourenço como santo, daí querer matá-lo para que fosse mártir, outro Santo Tomás: aquilo que o pobre fizera, fizera-o julgando um ato meritório.

Os monges e os demais assistentes haviam corrido ao pé do arcebispo caído, que tinha o rosto todo banhado em sangue. Julgaram-no morto. E choravam desesperadamente. Lourenço, pouco depois, voltava a si. Pediu um pouco d'água benta. Deram-lha, e com ela lavou a ferida, estancando-se o sangue na mesma hora. Como se nada tivesse acontecido, tranqüilo e saudável, dirigiu-se ao altar e principiou a missa.

O autor que nos conta este milagre, do qual foi testemunha ocular, narra também que, à morte do Santo, descobriram-lhe no crânio uma fratura, e que a pancada recebida pelo arcebispo causaria facilmente a morte.

O rei quis executar o demente, mas Lourenço intercedeu por ele e conseguiu-lhe a graça real.

Chegado a Roma, para o concílio geral de Latrão, expôs ao Papa o estado da Igreja da Irlanda, rogando-lhe remediasse os abusos que lá reinavam. Alexandre, conhecedor da santidade, da coragem e da prudência de Lourenço, não só lhe deu regulamentos convenientes. Como o nomeou legado para os executar.

De volta da Irlanda, com a autoridade de legado apostólico, trabalhou eficazmente, sobretudo aplicando-se com zelo no que dizia respeito à incontinência dos clérigos. Embora a todos absolvesse, mandou-os a Roma, ao Papa, para que bem sentissem a falta que cometiam.

Entretanto, uma grande fome afligia a Irlanda. E, pelos três anos de vicissitudes, a caridade do bom pastor foi ainda maior que a fome mesma. Todos os dias, alimentava quinhentos pobres de fora, sem contar trezentos da diocese, aos quais até vestia. Muitas mães, que não podiam alimentar os filhos, expunham-nos à porta do palácio do arcebispo, ou nos lugares onde devia passar. É que sabiam que uma ternura toda maternal caracterizava o Santo e, pois, não lhe faltaria.