Para rezar bem, o que é preciso?

Muitas pessoas rezam e não obtêm o esperado, porque não pedem como convém: “Petitis et non accipitis, eo quod male petatis Pedis e não recebeis, porque pedis mal” (Tg 4, 3).

Atenção

Para rezar bem é preciso, em primeiro lugar, a atenção, pois dividir sua capacidade cognoscitiva com coisas corriqueiras é não elevar a mente devidamente aos Céus.

Então, por exemplo, rezar olhando revistas, livros ou o celular, ou disposto a interromper a oração para estabelecer conversar paralelas. Devemos nos abster dessas distrações voluntárias, essas que evitar com nosso cuidado.

Contudo, sabemos que podem vir distrações involuntárias, porque é natural da nossa natureza humana. Quando percebermos que fugimos da atenção, procuremos voltar ao foco principal.

Mas tenhamos presente que Deus não deixará de ouvir nossas preces só porque tivemos essas pequenas distrações. Sobretudo, o Senhor olha a intenção de nosso coração.

Humildade

Em segundo lugar, a humildade. Deus resiste aos soberbos e não lhes atende aos pedidos, mas dá a sua graça aos humildes (Cf. Tg 4, 6) e não deixa os seus pedidos sem os deferir.

“A oração do que se humilha penetrará as nuvens e não se retirará enquanto o Altíssimo não puser nela os olhos” (Eclo 35, 21). E isto acontece ainda que a pessoa tenha sido anteriormente pecadora, porquanto Deus não desprezará um coração contrito e humilhado (Sl 50, 19).

Confiança

Em terceiro lugar, é preciso a confiança, que nos faz esperar tudo pelos merecimentos de Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. "Nullus speravit in Domine et confusus est – Ninguém esperou no Senhor e ficou confundido” (Eclo 2, 11).

Não chamemos a Deus com outro nome além do de Pai – Pater noster –; oremos com a confiança que é própria do filho para com o pai. Quem pede com confiança obtém tudo.

“Eu vos digo”, assim fala o Senhor, “que todas as coisas que pedirdes orando, crede que as recebereis, e elas vos acudirão” (Mc 11, 24).

E quem pode recear, pergunta Santo Agostinho, ser enganado no que foi prometido pela própria Verdade, que é Deus?

A Escritura nos afiança que Deus não é como os homens, que prometem e depois faltam à palavra, ou porque mentem quando prometem ou porque mudam de vontade. Dixit ergo, et non faciet?” (Nm 23, 19).

Santo Agostinho ainda acrescenta:

Se o Senhor não nos quisesse conceder as graças, para que nos havia de exortar continuamente a pedir-lhas? Prometendo, contraiu a obrigação de nos dar as graças que Lhe suplicamos. “Promittendo, debitorem se fecit”.

Necessidade da perseverança na oração

O que importa, sobretudo, é ter perseverança na oração.

Diz Cornélio a Lápide que o Senhor “quer que sejamos perseverantes na oração até a importunação” . É o que significam os textos seguintes da Escritura:  “É preciso orar sempre” (Lc 18, 1); “Vigiai sempre, orando” (Lc 21, 16); “Orai sem cessar”  (I Ts 5, 17). É o que significam ainda estas repetições: “Pedi e recebereis; buscai e achareis; batei à porta e ela se vos abrirá” (Lc 11, 9).

Bastava ter dito: pedi, petite; mas o Senhor nos quis fazer compreender que devemos seguir o exemplo dos mendigos, que nunca deixam de pedir, de insistir e de bater à porta, enquanto não tenham recebido alguma esmola.

A perseverança final é uma graça que se não obtém sem oração contínua. Nós não podemos merecer a perseverança, mas merecemo-la de algum modo, diz Santo Agostinho, por meio das orações.

Rezemos, pois, sempre e não deixemos de rezar, se nos quisermos salvar. Os confessores e os pregadores nunca deixam de exortar à oração; porquanto o que reza certamente se salva, e o que não reza certamente se condena.

Meu Deus, tenho confiança de que já me perdoastes; mas meus inimigos não deixarão de me combater até à morte. Se não me socorrerdes, sucumbirei de novo.

Suplico-vos, pelos merecimentos de Jesus Cristo, que me concedais a santa perseverança. Não permitais que me afaste de Vós.

Peço-Vos o mesmo favor para todos os que estão atualmente na vossa graça.

Confiando em vossas promessas, estou certo de que me dareis a perseverança, se continuar a pedi-la. Receio, porém, que nas tentações deixe de recorrer a Vós, e assim torne a cair em pecado.

Peço-Vos, pois, a graça de nunca deixar de rezar.

Fazei que, nas ocasiões perigosas, me recomende sempre a Vós e chame em meu auxílio os Santíssimos Nomes de Jesus e Maria. É o que estou resolvido a fazer sempre e espero fazê-lo pela vossa graça.

Atendei-me pelo amor de Jesus Cristo.

Ó Maria, minha Mãe, fazei que nos perigos de perder o meu Deus, sempre recorra a Vós e a vosso Filho.