Logo após a morte de uma pessoa, ela é julgada por Deus e sua alma vai para um dos três lugares: Céu, inferno ou Purgatório.
Recordemos, pois, alguns ensinamentos a respeito do Céu.
Essência da felicidade celeste
Diversas vezes o Redentor falou sobre o Reino dos Céus: no sermão da montanha, nas parábolas dos talentos, das dez virgens, etc.
Nesse Reino, estão em corpo e alma o Rei, Nosso Senhor Jesus Cristo, e a Rainha, Maria Santíssima. Lá também se encontram os Anjos e os Santos.
“No Céu, a pessoa está inserida em toda a corte celeste, passa a ser príncipe dela. É a corte dos Bem-Aventurados, dos Santos e dos Anjos”.
Nesta terra, todos os prazeres não satisfazem o homem, porque ele tem desejo de felicidade infinita. Somente no Céu esse anseio será plenamente atendido.
A essência da felicidade celeste […] está na visão de Deus face a face.
Deus, puro espírito, eterno, perfeitíssimo, inefável, cuja consideração nós teremos eternamente, que constitui, Ele, sim, a nossa felicidade perfeita.
A visão beatífica inunda o homem de alegria.
Porém, não é principalmente devido à perspectiva dessa alegria, mas devido à infinitude de Deus e da perfeição d’Ele em Si, ainda que não tivéssemos essa alegria, nós O procuraríamos por toda a eternidade. Porque o Criador merece e a Ele somos destinados.
Alegria da criança inocente
Para termos certa noção dessa felicidade celeste, recordemos o que ocorre com a criança inocente:
A criança, no período da inocência, tem certos movimentos de alegria e de louçania que provêm da felicidade comum (pelas razões concebíveis) visitada pela graça.
De maneira que, com muita frequência, às alegrias corriqueiras sentidas por qualquer criança inocente, soma-se uma alegria sobrenatural. Assim, o menino tem uma espécie de júbilo que o eleva de algum modo acima da terra.
São alegrias que não se repetem ao longo da vida, a não ser que a Providência mande graças sobrenaturais, fenômenos místicos, etc.
Essa felicidade produzida pela graça não se compara a nada, e é um simples antegozo da felicidade que o homem experimentará, vendo a Deus face a face.
Assim, quando alguém na idade madura quiser pensar no Céu, andará muito avisadamente se procurar rememorar esses ímpetos e essas alegrias da infância. Ele recordará certas alegrias que são como que celestes.
Imaginemos uma pessoa que anda por longo tempo numa megalópole agitada, barulhenta, poluída. De repente, ela entra numa igreja belíssima, de estilo gótico, com vitrais coloridos e bonitas pinturas, e onde se ouvem toques harmoniosos do órgão. Ela sente uma grande alegria de alma, com repercussões em seu próprio corpo.
Esses são exemplos que nos dão ideias vagamente analógicas do que seja a felicidade celeste. Porque Deus é infinito e a Ele nada se compara.
No Céu há desigualdades
Nesta terra, uma das maiores felicidades que possa haver numa família é o convívio sacral, respeitoso, ameno. E no Céu há esse convívio dos Bem-Aventurados com os Anjos, e daqueles entre si.
Haverá uma grande intimidade no Céu entre nós e os Anjos, tão superiores a nós por natureza, mas que aceitam nas suas fileiras os homens, e têm com estes uma intimidade como possuiriam com os anjos que caíram no inferno.
No Céu há uma justa e proporcional desigualdade.
Os Bem-Aventurados ocupam os tronos dos anjos que se revoltaram contra Deus e se tornaram demônios.
Ora, existe hierarquia entre os Anjos, escalonados em nove coros; portanto, há desigualdades entre os Bem-Aventurados.
Disse Nosso Senhor: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo 14, 2). Afirma Santo Agostinho que tais “moradas” significam distintas modalidades de mérito na vida eterna. E conclui São Tomás de Aquino: “Logo, há diversos graus de bem-aventurança”.
O universo não é fechado
Erram profundamente aqueles que julgam ser o universo um todo fechado, onde nunca penetra a influência ou ação dos Anjos, dos demônios e do próprio Deus.
O universo não é fechado. Há o mundo visível e o invisível, os quais necessariamente se relacionam.
Muitos acontecimentos na terra podem aumentar a nossa alegria no Céu, pois há uma relação entre ambos pela qual as felicidades do Paraíso se movem consoantes as situações neste mundo.
De passagem, vale lembrar que a regra se aplica também ao inferno: sempre que o condenado contempla o mal que ele fez afetando outros no tempo, seu tormento pode, em certo sentido acidental, aumentar.
Isso nos leva a refletir, pois tudo aquilo que realizamos nesta vida terrena está repercutindo em glória no Céu ou em tristeza no inferno.
Se soubéssemos contemplar assim cada ato de nossa existência, como ela seria diferente!
Se também concebêssemos o Céu como uma arquibancada da Terra, com possibilidades de os Santos intervirem ativamente pelos que estão aqui embaixo, através das suas orações e inspirações, como sentiríamos o Paraíso de um modo diverso!
Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que desejava passar o Céu dela fazendo o bem sobre a Terra.
E um ótimo meio de realizar o bem é punir os maus, como fez Nosso Senhor, por duas vezes, expulsando os vendilhões do Templo.
No Céu, tudo é belo, ordenado, nobre.
A fim de nos preparar para ele, devemos nesta terra buscar esses valores em todas as coisas. E rejeitar o asqueroso, o caótico, o vulgar, pois tais defeitos empurram as pessoas na rampa do inferno.