Como vimos no artigo anterior, o ano litúrgico está estruturado considerando os principais mistérios da fé: Encarnação, vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Páscoa no ano litúrgico
O Tempo Pascal é a maior comemoração, ainda maior que o Natal, pois é a conclusão da missão do Senhor.
A Ressurreição de Jesus aconteceu no tempo da Páscoa judaica, que seguia o calendário da Lua. Por isso, desde o início, os cristãos ligaram a celebração da Páscoa ao ciclo lunar, celebrando-a sempre num domingo. É por essa razão que a data da Páscoa muda a cada ano.
Neste ano de 2025, celebramos a Páscoa no dia 20 de abril; já no ano que vem, em 2026, celebraremos no dia 5 de abril.
Tempo de alegria e regozijo, a Páscoa traz a cor branca e dourada, simbolizando o triunfo de Nosso Senhor.
Como o Natal, há também um período de preparação, com uma nota mais acentuada de penitência: é a Quaresma, somando-se quarenta dias antes do domingo da Ressurreição.
A Quaresma traz também a cor roxa, com leituras e Salmos procurando despertar o horror ao pecado, por cuja causa Cristo Se sacrificou na Cruz.
Inicia-se na chamada Quarta-Feira de Cinzas, quando lembramos que somos pó e ao pó voltaremos: neste ano de 2025, celebramos no dia 5 de março.
Uma curiosidade: o Carnaval foi, na Idade Média, uma festa voltada para a comemoração das cinzas. Carnaval vem do latim carna valis, festa da carne, pois, sem refrigeradores, considerando que na Quaresma se fazia abstinência completa do consumo de carne, os medievais faziam banquetes para todos, para esgotar toda provisão de caça que tinham.
Tempo de crescer
Por último e não menos importante, temos o Tempo Comum no ano litúrgico. Ele traz para a Santa Missa a cor verde, simbolizando a paz, a tranquilidade do broto que cresce para se tornar uma árvore colossal. É o tempo destinado ao estudo do Evangelho do ano em questão (pois é uma sequência de três anos: ano A, B e C).
Em questão de datas civis, o Tempo Comum se divide em duas partes: primeiro, se inicia logo após o Batismo do Senhor e se estende até a Quarta-Feira de Cinzas.
Passados os 50 dias após a Ressurreição do Senhor, há o ápice do Tempo Pascal com a solenidade de Pentecostes. Como para cada ano civil temos um dia de Páscoa diferente, assim também é com o Pentecostes: em 2025 o comemoramos no dia 08 de junho.
No dia seguinte a Pentecostes, inicia-se o segundo período do Tempo Comum, que só finda com o início de próximo ano litúrgico, no primeiro domingo do Advento.
Com um ciclo de festividades e celebrações, a Igreja procura lembrar ao fiel a sacralidade da vida, esta dádiva concedida por Deus para que encontremos, em seu louvor, a nossa felicidade.
Deste modo, baseados os nossos dias na vida de Cristo, esperamos poder celebrar essa mesma Liturgia não mais no vale de lágrimas que é esta terra, mas ao lado dos Santos e dos Anjos, na contemplação do Senhor.