Nosso Senhor, em um dos relatos evangélicos, diz que o pai de família sabe retirar do seu tesouro coisas novas e velhas (cf. Mt 13, 52). Assim também a Santa Madre Igreja, organizando o tempo do ser humano, ensina uma valiosa lição.

Fala-se muito do ano novo chinês, com seu zodíaco inspirador, ou ainda as tradições que os vários povos do mundo têm na virada do ano.

Mas você sabia que a Igreja Católica tem um ano novo próprio? E que esta virada de ano não coincide com a do calendário civil?

Sim, dentre os muitos tesouros de nossa Santa Mãe Igreja, um deles é o ano litúrgico, que acompanha os mistérios da nossa fé e é regulado por eles.

Ano novo na Liturgia cristã

Para o cristão, um outro Cristo, a vida precisa estar baseada na existência sagrada de nosso Salvador, que passou trinta e três anos conosco, sofrendo das nossas mesmas dores.

Ele sentiu frio já quando nasceu, pequenino e frágil, em seu Natal; quis passar calor enquanto andava pelos desertos da Judeia; sofreu dor e vergonha, quando levou, em seus santos ombros, o peso da Cruz.

Considerando os Mistérios da Fé – a Encarnação de Jesus e seu nascimento, e depois sua vida, Paixão, Morte e Ressurreição –, a Santa Igreja construiu um calendário para que o fiel se sentisse preparado para meditar e festejar esses mistérios.

Portanto, nas semanas do ano litúrgico, temos alguns momentos distintos: o Tempo do Natal, que vai do dia 25 de dezembro até o dia de celebrarmos o Batismo de Jesus; depois o Tempo da Páscoa, celebrado do dia da Ressurreição de Jesus até o dia de Pentecostes.

Mas espera: e o resto do ano? Como se encaixa no calendário litúrgico?

Sabiamente, a Igreja reserva para estas duas principais celebrações um tempo de preparação: antes do Natal do Senhor temos o Advento, e para a Páscoa há a Quaresma.

Por último, há o Tempo Comum, que se divide antes da Quaresma e depois da Páscoa.

Características dos Tempos Litúrgicos

Como o Natal de Jesus representa o início de sua missão, nada mais natural do que ser a primeira celebração do novo ano litúrgico.

Antes, porém, para impostar bem o fiel cristão do significado mais profundo do nascimento do Menino Deus, a Igreja separa quatro semanas de meditação e oração, chamando de Advento a este tempo de preparação e espera.

Em contraste com a alegria do Natal, que é representado pelo branco, o Advento é um momento de maior recolhimento e seriedade: sua cor é o roxo da penitência.

O primeiro domingo do Advento marca o início do novo ciclo litúrgico.

A partir das orientações do Concílio Vaticano II, a Igreja reorganizou o lecionário da Missa, estabelecendo um ciclo de leituras dominicais distribuído em três anos.

Esses anos (chamados A, B e C) dão destaque respectivamente aos Evangelhos de São Mateus, São Marcos e São Lucas, especialmente no Tempo Comum.

Ao longo desse ciclo, são proclamadas leituras selecionadas de toda a Sagrada Escritura, com presença frequente do Evangelho de São João, sobretudo nos tempos do Natal e da Páscoa.

Curiosidade: no ano de 2021, encerraremos o Ano B, consagrado ao Evangelho de São Marcos, e iniciaremos o Ano C, direcionado para o Evangelista São Lucas, no dia 28 de novembro.