Construir uma família e uma sociedade sempre por meio da nossa Igreja Católica

G.P. - Quais são as perspectivas para este evento?

Pe. Rafael Jácome - Temos que ressaltar um problema muito importante, que é o problema geracional da transmissão de valores em nível global.

Estamos constatando como os pais, de alguma maneira, sentem-se às vezes incapazes de transmitir valores a seus filhos, o que faz com que produza uma espécie de vazio geracional, em que as gerações atuais já não estão recebendo esse legado e essa herança adequadamente.

Falta algo aí, portanto; falta comunicação, experiência, preparação. E é precisamente neste ponto que o encontro pretende ajudar a encontrar caminhos, fórmulas, luzes e esperanças, sobretudo para que as famílias possam descobrir sua própria beleza e resgatá-la.

Em segundo lugar, é importante que os pais sejam realmente efetivos na transmissão desses valores, que é o que de fato os constitui como pessoas e nos dá todo esse respaldo para construir uma família e uma sociedade, sempre por meio da nossa Igreja Católica.

Necessidade de nossos governos ajudarem a família do ponto de vista econômico, trabalhista, social

G.P. - Que frutos concretos são esperados a partir deste encontro?

Pe. Rafael - O mais importante que podemos destacar deste evento é a percepção de que a família cristã está tomando mais consciência de seu papel protagonista na sociedade.

O Evangelho fala que temos de ser sal da terra e que temos de ser luz; portanto, a família cristã tem um papel fundamental dentro de nossa sociedade, de tomar consciência de que é necessário estar sempre ativa para que estejam comprometidas, em primeiro lugar, em nível humano, e para que sejam escolas de humanidade.

Se a família cristã não é uma escola de humanidade onde exista diálogo, responsabilidade, ordem e, em definitivo, valores universais humanos, evidentemente não poderemos crescer para uma comunidade cristã, porque não colocamos antes os “cimentos” humanos.

A santidade se constrói necessariamente na humanidade de uma pessoa, e a família também deve partir dessa solidez dos valores humanos para vivê-los e transmiti-los.

Somente assim poderemos ser uma comunidade vivente na experiência de Jesus e fazer da experiência d’Ele nosso maior legado, e depois transmiti-lo aos demais.

Não podemos ter medo nem vergonha de que nos identifiquem como famílias católicas.

G.P. - Que mensagem deixaria para a sociedade civil?

Pe. Rafael - Gostaria de pedir aos nossos governos que se conscientizem de que são necessárias leis e uma estrutura para ajudar a família do ponto de vista econômico, trabalhista, social.

Porque quando um governo valoriza a família, protegendo-a, ajudando-a, colocam-se meios para que ela seja o centro de seus interesses.