Durante o Advento, a figura de um homem ressalta aos nossos olhos: João Batista. Com seu porte firme, mas de ombros ligeiramente curvados, suas roupas de lã e seu olhar de fogo, ele tem uma participação especial na Liturgia da Igreja.
São João Batista é exemplo de penitência
O Tempo Litúrgico do Advento é uma preparação para o Natal do Senhor. Somos convidados a peregrinar pela História da humanidade, que vagava errante, perdida em seus próprios pecados.
São João Batista quis sofrer toda essa penitência de seus antepassados em seu corpo. Desde cedo, retirou-se ao deserto, deixando o convívio de seus pais, Zacarias e Isabel, e se preparando para a vinda do Senhor.
Como o povo hebreu, que misturava suas lágrimas ao pão que comia, postos no exílio, São João Batista se pôs à margem da sociedade, num exílio autoimposto. Conta-se que viveu com os essênios, uma tribo de Israel que se penitenciava a fim de obter de Deus o perdão.
Também como seus antepassados, que sofreram fome quando fugiram pelo deserto, o Batista apenas se alimentava de gafanhotos e mel silvestre, mal satisfazendo a fome.
A modo de Israel, que estava vestida de desonra diante das nações e impérios poderosos que a circundavam, São João trajava apenas uma túnica de lã, que com certeza incomodava a pele e esquentava demais nos dias quentes da Judeia.
É preciso aprender com São João
Figura dos quatro mil anos sem Cristo, São João Batista é a imagem perfeita do Advento.
Nós também somos convidados a fazer essa penitência da espera.
O que é a vanglória a não ser uma túnica de lã espinhenta, que sempre incomoda e não dá satisfação?
O que é inveja, a tristeza pelo bem alheio, a não ser um alimento pouco nutritivo para a alma como gafanhotos e mel silvestre?
O que é a arrogância e o orgulho senão um peso deste terra, tirando-nos a paz pelas contínuas comparações e julgamentos falsos?
Temos muito a aprender com São João Batista.
A esperança personificada em uma pessoa
Por fim, São João também é a imagem perfeita do Advento, porque, diferente de seus antecessores, ele viu a promessa sendo cumprida.
Quando atinge uma vida de contemplação perfeita, o Santo desce à margem do Jordão.
Ele sabia que o Messias já havia nascido; afinal, era seu primo! Ele havia sido purificado da mancha original pela voz de Maria Santíssima, que portava em seu ventre o Salvador do mundo!
Mas São João não sabia quando seria o início da missão do Senhor. Sua prova era: “Estarei vivo para ver os dias do Ungido, do Cristo?”
Quando, então, vê aquela figura imponente, Deus Encarnado, um homem perfeito, sob o sol que tantas vezes queimara sua pele, ele exclama: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo!” (Jo 1, 29).
Estava acabado o Advento. Os milênios de espera cessaram. O Messias começara sua caminhada, que terminaria no trono mais augusto: a Cruz. São João Batista já podia se alegrar.
Tanta foi sua fé que padeceu o martírio. Denunciou Herodes e sua perversão em ter a mulher de seu irmão. Foi decapitado e ganhou o Céu por sua fidelidade.
Assim, irmãos, contemplemos a figura de São João Batista nesse Advento. Lembremos de sua preparação, de sua penitência, de sua alegria e de seu testemunho.
Imitemo-lo para que, à sua maneira, também sejamos dignos da Pátria Celeste. Afinal, foi dele que Jesus disse: “Ninguém dentre os nascidos de mulher é maior que João, o Batista” (Mt 11, 11).