Colômbia (Quinta, 15-01-2009, Gaudium Press) O presidente da Conferência Episcopal colombiana, monsenhor Rubén Salazar, declarou ontem que a Igreja "se manterá à margem" das negociações pela libertação de seis reféns em poder das Farc.

A declaração do religioso vêm ao encontro da negativa do grupo guerrilheiro à autorização dada pelo presidente colombiano Álvaro Uribe, na última terça-feira, para que "a Igreja, o Vaticano ou qualquer religioso designado pela instituição" participe das tratativas com as Farc. Em comunicado publicado na internet, as Farc rechaçaram a participação eclesial alegando que a própria Igreja se retirara anteriormente da negociação.

Ontem, o vice-presidente da Conferência Episcopal colombiana afirmou que a Igreja jamais se afastou do caso e que seu único desejo é que os reféns sejam libertados o quanto antes.

"Para as Farc, nós não somos os mediadores mais oportunos. Não é benvinda a intervenção da Igreja Católica. Não sei em que poderia consistir o papel da Igreja neste trabalho de libertação", afirmou hoje monsenhor Salazar.

A senadora Piedad Córdoba, que as Farc escolheram como interlocutora, e que vêm falando pela organização terrorista, afirmou ontem que a guerrilha rechaçará a presença de qualquer delegado do Vaticano como garantia da libertação.

"As Farc estão totalmente contra essa idéia; não confiam na Igreja Católica. Neste momento isso, é um obstáculo que obviamente vai dilatar um pouco o processo de soltura dos reféns."

O presidente da Conferência Episcopal da Colômbia (CEC), mosenhor Rubén Salazar, assinalou que ,se o grupo terrorista se opõe a sua presença, o Episcopado se manterá à margem do processo de libertação de 6 reféns prometida pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para não atrapalhar a negociação.

Ele disse que a Conferência Episcopal está disposta a oferecer seus bons trabalhos e que não quer "retardar nada; interessa-nos que os sequestrados sejam libertados. Se nós nos convertemos em obstáculo, nos colocaremos de lado, porque não buscamos protagonismo."