Washington (Quinta, 15-01-2009, Gaudium Press) Se a corte distrital de Washington, capital dos Estados Unidos, acatar a petição do advogado Michael Newdow, uma secular tradição será quebrada nos Estados Unidos no próximo dia 20, quando Barack Obama assumir como o novo presidente: a da menção a Deus no juramente formal de posse de um presidente naquele país.
Newdow, que é ateu, afirma que entrou com o pedido de sustação da frase "So help me God" (Que Deus me ajude, na tradução) alegando que o trecho faz com que o discurso, que deveria ser representativo de toda a população, exclua cidadãos americanos de outras crenças ou mesmo ateus. A decisão da corte distrital da capital sobre o pedido sai hoje.
O advogado é um conhecido ativista ateu no país que busca retirar referências religiosas de repartições práticas e governamentais. "Decidi fazer isso porque acredito profundamente na igualdade. Acho que não há igualdade quando o governo toma uma decisão que envolve escolhas religiosas" afirmou.
Newdow acredita que, em seu discurso pessoal durante a cerimônia, o presidente pode falar sobre religião ou qualquer outro tema que o interesse. "O que não aceito é que a Suprema Corte dos Estados Unidos defina que o texto constitucional do juramento obrigatório na tomada de posse do presidente inclua uma citação a Deus. A Justiça não pode mudar a Constituição com base em religião nenhuma. Isso me ofende pessoalmente. Os indivíduos podem fazer o que quiserem, mas o meu governo não pode dizer que nós, como povo, acreditamos em algo ou alguém".
O trecho final do juramento de posse do presidente americano diz: ‘Juro, solenemente, que vou desempenhar fielmente o cargo de presidente dos Estados Unidos, e vou fazer o possível para proteger, preservar e defender a Constituição dos Estados Unidos.' Esse foi o juramento feito por todos os presidentes dos EUA. Acredita-se que o primeiro presidente a incluir a invocação E que Deus me ajude no final do juramento foi George Washington, em 1789. A partir de então, todos adotaram a frase final.
Se depender de Newdow, sua "cruzada" não pára por aí. Ele estuda também mover uma ação pela retirada, nas cédulas de dólar, a frase-emblema "In God we trust" (Nós confiamos em Deus).