Colômbia (Terça, 13-01-2009, Gaudium Press) O governo colombiano autorizou hoje a Igreja Católica ou qualquer religioso designado pela Santa Sé a participar das negociações pela libertação de seis reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), cuja soltura está praticamente acertada.
"Se a Igreja Católica em âmbito nacional, o Vaticano, a Secretaria de Estado do Vaticano ou as pessoas ou entidades que representem Sua Santidade puderem ajudar com o processo de liberação dos sequestrados, o governo autoriza e lhes dará as boasvindas.", declarou o chefe do governo colombiano.
A autorização reflete a exigência das Farc pela presença de um país ou uma entidade internacional. A Igreja não participou das negociações que culminaram na libertação de reféns no ano passado.
O presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, Rubén Salazar, declarou em nome da Igreja Católica que a instituição está "em plena disposição para acompanhar e facilitar no processo". Ele ressalta a necessidade da prudência por parte da comunidade eclesial e diz que os religiosos ainda precisam se interar do andamento das negociações, já que a declaração de Uribe surpreendeu até mesmo seus locutores mais próximos.
"Indubitavelmente temos primeiro que sentar e dialogar para compreender com maior clareza o que ele (Uribe) espera de nós e quais são as nossas possibilidades concretas, porque sem dúvida sabemos que nossas possibilidades não são ilimitadas e temos claro que a situação é muito complexa."
É o que pensa também o secretário-geral da Comissão de Conciliação Nacional, padre Dario Echeverri. "A prudência neste momento deve se impor, para que estas pessoas possam regressar a suas casas". Para ele, esta é uma decisão sábia por parte do governo.
"(Os religiosos) São as pessoas mais capacitadas, mais idôneas, mais confiáveis. Estamos dispostos a nos comprometer decididamente com tudo o que conduza à paz no país e, para tanto, com o que possa significar diálogo com as Farc ou com qualquer grupo rebelde."
Luis Carlos Restrepo, alto comissário para a Paz, reiterou que estão dadas as garantias para que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha cumpra com seu papel neste processo e deu sinal verde para que este organismo contrate a logística requerida, que inclui helicópteros civis que devem ser adquiridos em algum país vizinho. Este havia sido um pedido da senadora Piedad Córdoba e de outros integrantes do grupo de intelectuais (Colombianos pela Paz) que mediaram esta libertação.
Os interlocutores aguardam agora uma posição das Farc sobre a participação da Igreja. Até o ultimo final de semana, estes dois impasses (a não-definição da garantia internacional por parte do Governo e a não-autorização da Cruz Vermelha) haviam freado a libertação dos sequestrados.