Chile (Terça, 27-01-2009, Gaudium Press) O arcebispo da província de Concepción, no Chile, monsenhor Ricardo Ezzati, participou ontem do encontro regional "Melhor todos juntos", que reuniu mais de 500 representantes de empresas, instituições, organizações sindicais, serviços públicos e privados.
Junto com a valorização da iniciativa da Intendência da Região de BioBio de convocar todas as forças ativas da região para um grande encontro pelo trabalho e o desenvolvimento regional, monsenhor Ezzati afirmou que a crise econômica deve ser enfrentada com unidade e solidariedade e que deve ser oportunidade para a construção de um futuro melhor.
Com um profundo e extenso discurso, o prelado abriu os ritos enfatizando que "o turbilhão econômico, iniciado alguns meses atrás, é um tsunami mundial que ameaça a todos, cuja intensidade afeta todos e cujas complexas consequências são ainda difíceis de medir em toda a sua extensão. No entanto, na adversidade, a união faz a força e a simples contribuição de um, unido ao esforço dos demais, cria redes insuspeitas de justiça e solidariedade", ponderou.
O arcebispo declarou ainda que "as emergências são oportunidades e que são enfrentadas melhor se todos nos dermos as mãos, se todos orientarmos o foco e o interesse a objetivos comuns, se agregarmos a sabedoria para discernir o caminho correto, se soubermos renunciar a legítimas visões individuais para canalizar as energias para o bem comum", insistiu o prelado.
Segundo o religioso, as empresas devem ter conhecimento de que os trabalhadores são seus patrimônios mais valiosos. "Foram eles quem lhes permitiu gerar utilidade no passado e que têm um alto potencial para gerar utilidades futuras." Frente a isto, o arcebispo pediu aos empresários que valorizem mais os seus trabalhadores, já que estes são um "bem a que deveriam inspirar renovada confiança."
"Nestes momentos de crise, é urgente um esforço consciente e generoso da parte de todos, em particular das empresas, para garantir a segurança trabalhista que afugenta a desesperança e o temor."
Com relação ao papel do Estado, manifestou que o governo deve buscar e administrar o bem comum. "Por isso que, frente aos temas trabalhistas e às crises que afetam às firmas que empregam, o Estado não é um mero espectador de relações entre privados. Seu dever é proteger o emprego com medidas econômicas pró-ativas."
"Espero que o Estado tenha a capacidade e a vontade de gerar postos de trabalho mediante uma renovada política criativa e agressiva de inversão pública e de geração de microempresas familiares e cooperativas que supere o mero assistencialismo, que gere empregos estáveis e dignos."
Monsenhor Ezzati concluiu pedindo que "o convite a que temos respondido seja um marco importante de maior comunhão e se traduza em um caminho eficaz de procura, de diálogo fecundo e de realizações que signifiquem um autêntico desenvolvimento para a nossa região".