Cidade do Vaticano (Sexta, 19-12-2008, Gaudium Press) Malauí, Suécia, Serra Leoa, Islândia, Luxemburgo, Madagascar, Belize, Tunísia, Cazaquistão, Barein e Ilhas Fiji. São desses países os onze novos embaixadores diplomados ante à Santa Sé que o papa Bento XVI recebeu em audiência, na manhã desta quinta-feira, na Sala Clementina, no Vaticano. O motivo do encontro foi a apresentação pelos diplomatas de suas respectivas credenciais.

Na ponderação que fez aos novos embaixadores, o sumo-pontífice falou sobre os desafios da função que desempenham como mediadores internacionais: "A promoção da paz é a essência da missão de um embaixador. O embaixador pode e deve ser um construtor de paz. O artesão de paz de que se fala aqui não é apenas a pessoa de temperamento conciliador, que deseja viver bem com todos e, se possível, evitar os conflitos, mas também alguém que se coloca totalmente a serviço da paz e se empenha ativamente para construí-la, às vezes, a ponto de dar a própria vida."

De acordo com o papa, a crise financeira mundial está diretamente relacionada com a manutenção e a estabilidade da paz nos países mais pobres e vulneráveis. Bento XVI lembrou que a Santa Sé publicou nota às vésperas da mais recente conferência sobre a Rodada de Doha (liberação do comércio mundial) sobre o assunto, afirmando que é preciso "promover o diálogo acerca de vários aspectos éticos que deveriam nortear as relações entre as finanças e o progresso, e encorajar governos e responsáveis pela economia a buscarem a solidariedade e soluções duradouras, pelo bem de todos, em particular daqueles que são mais vulneráveis às dramáticas conseqüências da crise."

Nos discursos dirigidos aos diplomatas europeus, o Santo Padre manifestou também sua preocupação pelo projeto de lei que busca aprovar a eutanásia e o suicídio assistido, em tramitação no Parlamento de Luxemburgo. Da mesma forma, exortou a embaixadora da Suécia, a solicitar o próprio Governo a garantir a tutela jurídica da família e dos nascituros. Falando ao diplomata, o papa não deixou de manifestar seu apreço pela abertura da Suécia aos milhares de cristãos em fuga do Iraque, assegurando suas constantes orações pela situação dos cristãos no Oriente Médio.

A promoção da paz, o valor da liberdade religiosa, a necessidade de diálogo entre as culturas, assim como empenho em favor de um crescimento econômico sustentável e solidário foram os temas abordados pelo Santo Padre em seus discursos de boas-vindas aos embaixadores dos quatro países de maioria islâmica presentes na audiência: Tunísia, Cazaquistão, Bahrein e de Serra Leoa.

A crescente distância entre o Norte e o Sul do mundo, e entre ricos e pobres foi o eixo do discurso de Bento XVI ao embaixador de Madagascar, país que viu piorar consideravelmente a própria situação socioeconômica após a passagem de devastadores ciclones. Essa constatação deu ao pontífice a oportunidade de exortar a comunidade internacional a não reduzir duas ajudas às nações mais pobres, tomando como pretexto a crise financeira mundial.

Ao embaixador de Belize, nação centro-americana, o papa recomendou que instasse os jovens a "colherem a herança de tradições culturais e religiosas que são fruto de uma história de cooperação e respeito mútuo. Valores aos quais hoje se contrapõem modelos culturais importados e alienantes, que alimentam um clima de cinismo e favorecem o abuso do álcool e das drogas, além de enfraquecerem o idealismo, a generosidade e a esperança dos jovens".

 

Ao embaixador de Malauí o papa frisou a necessidade urgente de que os países africanos se unam para enfrentar os desafios do futuro e assegurar um desenvolvimento integral de seus povos. Além disso, o pontífice pediu mais esforços para garantir a segurança alimentar, acabar com a pobreza e combater as doenças, sobretudo o vírus HIV.

O papa congratulou o embaixador das ilhas Fiji pelos progressos realizados a fim de restabelecer um governo democrático no país, após o golpe de Estado de 2006. E finalizando, pediu a cooperação dos países do Pacífico, para enfrentar os desafios das mudanças climáticas e assegurar um modelo de desenvolvimento sustentável.