Cidade do Vaticano (Terça, 20-01-2009, Gaudium Press) Sob o representativo e emblemático título "A Igreja na rede 2.0", bispos italianos estão reunidos hoje em um congresso em Roma para analisar as melhores maneiras de a Igreja Católica utilizar a Internet para promover valores, divulgar eventos Papais e anunciar o Evangelho sem ficar vulnerável ou exposta de forma equivocada.

Como a preocupação dos prelados não é infundada, e para ajudar na elucidação dessas problemáticas, foram convidados expertos em diversas áreas do conhecimento relacionadas ao uso da internet, como especialistas em informática e internet, teólogos e filósofos.

Além de discutir o melhor uso da plataforma pela própria Igreja, os religiosos reunidos avaliam também como a ferramenta vem sendo utilizada pelos próprios leigos e fiéis católicos e aproveitam para atualizar os documentos elaborados sobre o argumento do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais.

Entre os diversos conferentes do congresso, destacam-se estão dom Mariano Crociata, secretário-geral da CEI, e Pe. Domenico Pompili, diretor do Escritório de Comunicação Social, os dois órgãos responsáveis pela viabilização do encontro.

Segundo os organizadores, a Igreja pretende desfrutar de todas as potencialidades possíveis da internet em caráter "pastoral". Além disso, frente aos inquestionáveis perigos da rede social, invoca regras, convida a "não falar com desconhecidos", espera que a ética continue a prevalecer sobre a tecnologia, e que o mundo virtual não substitua as relações humanas "feitas de vozes, olhares, apertos de mãos".

Para o presidente da CEI, o desenvolvimento das redes sociais representa "uma grande oportunidade, mas também fonte de possíveis injustiças", e devem ser usadas, portanto, com o correto discernimento e com senso de responsabilidade. Ele pede que as famíl.ias "desconfiem de desconhecidos" e recomenda: "a Internet oscila entre exaltação e desconfiança; saibam, portanto, encontrar um correto caminho intermediário".

Dom Domenico Pompili sintetizou as discussões em três pontos que a Igreja considera fundamentais: como relacionar o real e o virtual na internet, como impedir o novo individualismo que dela deriva e como estar na rede sem alterar a própria natureza, a própria identidade e a própria linguagem.

Parceria com o Google

O congresso acontece dias depois da inauguração do Cathoogle, ferramenta de busca pela rede mundial dedicada exclusivamente a temas concernentes ao mundo católico, e às vésperas do anúncio da criação de um canal exclusivo no YouTube, ambas iniciativas frutos de acordo entre a Santa Sé e o gigante Google.

O primeiro já está no ar e funciona como o seu site-mãe, o Google. Já o canal dentro do YouTube, para, por exemplo, armazenamento e compartilhamento de vídeos dos discursos, homilias e intervenções do Papa, será inaugurado após anúncio oficial na próxima sexta, durante a apresentação da mensagem do Papa pela 43ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais.

O congresso "A Igreja na rede 2.0" termina amanhã.