Belém (Segunda, 12-01-2009, Gaudium Press/RV) Já se vão 11 anos que o Vaticano, ainda no pontificado de João Paulo II, instituiu o "Coordenamento de Conferências Episcopais para o sustento da Terra Santa", organismo conduzido pela Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales. Desde então, bispos de diferentes países se encontram anualmente em janeiro na região para participar de celebrações, orações e levar solidariedade aos cristãos e à comunidade eclesial da Terra Santa.
Este ano, no entanto, os religiosos terão um novo desafio à frente. À sombra do conflito que se desenrola há mais de 15 dias na Faixa de Gaza, os bispos chegaram na última sexta-feira para sua peregrinação anual voltando-se aos prelados católicos alocados na região e vislumbrando uma possível participação na costura de um cessar-fogo.
Um dos participantes do encontro, o arcebispo de Liverpool, Patrick Kelly, ressaltou em entrevista a dramaticidade especial que acompanha a viagem dos bispos neste ano.
"Ainda que não seja a primeira vez, esta é claramente uma das nossas experiências mais dramáticas. Estivemos ali já uma vez, quando a Intifada estava no seu ápice, e certa vez ficamos muito perto de um bomba que explodiu em Jerusalém. Mas penso que, até pelo fato da situação ser no momento tão inquietante, é duplamente importante que de outras partes do mundo alguns de nós venham para acompanhar e assistir aos próprios irmãos na Terra Santa."
O arcebispo afirma que não há temor entre o grupo por estarem na região em meio a uma guerra, e ressalta que qualquer eventual "fatalidade" seria, para eles, um ato de "martírio".
Kelly reconhece, ainda, ser muito difícil que o grupo tenha um papel decisivo na costura de um possível cessar-fogo entre israelenses e palestinos, mas acredita que as palavras que irão levar podem fazer a diferença.
"Penso que devemos ser muito honestos sobre o que podemos o não podemos fazer. E acho que é importante saber que os líderes religiosos podem sempre levar uma palavra capaz de estar acima daquela violência. Suponho, no fim, que uma palavra que será central, como acontece em todos os conflitos, é a palavra, essencial, do perdão. Penso que, também para a Terra Santa, não se trata tanto de procurar ter uma voz política ou exercitar o poder, mas é criando um tipo de contato diferente que os líderes religiosos podem desenvolver um papel relevante".