Cidade do Vaticano (Quinta, 26-02-2009, Gaudium Press) Em entrevista hoje pela manhã à Rádio Vaticana, o cardeal decano Angelo Sodano classificou as declarações feitas na semana passada pelo teólogo suíço Hans Küng de "amargas", "genéricas" e "infundadas". Küng fez duras críticas à Igreja e ao papa Bento XVI à luz da polêmica envolvendo a revogação da excomunhão do bispo negacionista Richard Williamson e dos quatro lefebvrianos da Fraternidade São Pio X.
Na ocasião, o teólogo afirmou ao jornal francês Le Monde, com repercussão também no periódico italiano La Stampa, que a Igreja "corre o risco de se tornar uma seita" e que o papa Bento XVI é avesso à modernidade e à reforma. Na entrevista, Hans Küng afirma ainda que a Igreja está reunida em um pequeno número de "verdades católicas" presas às tradições. Segundo ele, é "escandoloso" que, para marcar o 50º aniversário do Concílio Vaticano II, instituído por João XXIII, "o papa não fez um elogio de seu predecessor; ao invés disso, optou por levantar a excomunhão de pessoas que se opõem ao Concílio" - referindo-se aos quatro bispos lefebvrianos da Fraternidade San Pio X.
Ainda de acordo com o teólogo, que já foi próximo do então cardeal Ratzinger antes de se tornar um feroz opositor do papa, Bento XVI "não está de acordo com a modernidade e a reforma".
Questionado pela Rádio Vaticano, o cardeal Sodano, decano do Colégio cardinalício, manifestou seu descontentamento com o conteúdo da entrevista do professor Hans Küng. O purpurado disse se sentir "internamente ferido". "Se o texto é verídico, sinto como dever dizer que se trata de afirmações genéricas e infundadas. Pessoalmente, sou testemunha do empenho do Santo Padre em fazer da Igreja uma família, a família dos filhos de Deus".
Cardeal Sodano fez críticas também à decisão do jornal italiano La Stampa de repercutir a entrevista e de ter dado um título e informações segundo ele equivocadas.
"Não compreendo, como um notável periódico italiano, conhecedor da obra do Papa, tenha querido dar tamanha publicidade a essa entrevista, dando inclusive um título diferente daquele do jornal francês e caindo no erro de falar do Concílio Ecumênico de Niceia, na atual Turquia, ocorrido no distante 325, como Concílio de Nizza!", acusou o cardeal.
Por fim, o purpurado disse que a Igreja é aberta a opiniões e defendeu o papa Bento XVI, afirmando que, ao contrário do que acusa o teólogo, o Pontífice vem trabalhando pela unidade eclesial.
"Uma crítica fraterna é sempre possível na Igreja, desde os tempos de São Pedro e São Paulo. Uma crítica amarga, por sua vez, ainda mais se genérica, não contribui para a unidade da Igreja, para a qual tanto está trabalhando o papa Bento XVI, que o Espírito Santo colocou para reger a Santa Igreja de Deus, neste importante momento de sua história".