Santiago (Terça, 23-12-2008, Gaudium Press) A Eucaristia aconteceu ao mesmo tempo nos santuários marianos de Maipú, no Chile, e no templo de Luján, em Buenos Aires, na Argentina. Assim foram comemorados os 30 anos do início da Mediação Pontifícia, processo que o então papa João Paulo II iniciou em 22 de dezembro de 1978, quando ambos os países aceitaram o Laudo Arbitral do sumo-pontífice pela mediação do conflito do canal Beagle.

No Santuário Nacional de Maipú, a celebração foi presidida pelo monsenhor Alejandro Goic, bispo de Rancagua e presidente da Conferência Episcopal de Chile; e concelebrada pelo núncio apostólico do Chile, monsenhor Giuseppe Pinto, pelo arcebispo de Santiago monsenhor Francisco Javier Errázuriz e por outros bispos.

À missa assistiram as mais altas autoridades do país, entre elas a presidente da República, Michelle Bachelet; o ex presidente Ricardo Lagos, o Alcaide de Maipú Alberto Undurraga, vários ministros de estado, políticos, diplomatas, comandantes das Forças Armadas, juristas da época, delegações de institutos de Defesa, comunidades religiosas argentinas e um grande número de fiéis que lotou o templo Votivo de Maipú.

Antes de iniciar a missa, monsenhor Goic, em um sinal de compromisso pela paz, entregou à Conferência Episcopal Argentina uma imagem da Virgem do Carmo. A imagem foi recebida por uma família argentina residente no Chile há cerca de três anos, formada por Gustavo Berrino, sua esposa Inés e seus quatro filhos. Do outro lado da cordilheira, o chileno Miguel Bahamondes, junto de sua família, recebeu a imagem de Nossa Senhora de Luján, que posteriormente será confiada ao Episcopado chileno.

Em sua homilía, monsenhor Goic afirmou: "Nesta certeza de paz que o Senhor irradia do presebe de Belém, as Igrejas da Argentina e do Chile, representadas em ambas conferências episcopais, quisemos celebrar de forma conjunta uma Eucaristia de Ação de Graças pelo dom da paz. Porque a memória é patrimônio de nossos povos, e a ameaça da guerra é um episódio crítico que não convém deixar cair no esquecimento. Para que as gerações atuais e futuras aprendam sobre o nosso passado recente. Entre tantas reprovações e culpas, há aqui um aprendizado: quando os povos acreditam na paz, apesar dos desencontros e das diferenças, o Deus da Paz está conosco."

Um pouco depois, o monsenhor Goic lembrou que a Mediação, que salvou pela via do diálogo a contenda marítima entre os países, "é uma prova contundente do amor de Deus sobre nossos povos. O Filho de Deus Vivo que se faz pequeno para derrubar nossa soberba, o Príncipe da Paz, atendeu o pedido de tantos homens e mulheres humildes, convencidos de nossa vocação e entendimento e não de enfrentamento."

Ao fim da celebração, Gaudium Press conversou com
exclusividade com os bispos chilenos ouviu e suas considerações sobre esta jornada.

A Mediação Pontifícia:

2 de maio de 1977: É publicado o Laudo Arbitral de Sua Majestade britânica sobre a contenda marítima de fronteira entre Chile e Argentina.
21 de janeiro de 1978: Argentina declara "insanamente nulo" o referido Laudo.
2 de novembro de 1978: Chile convida a Argentina à Corte Internacional de Justiça e oferece a alternativa de mediação por um país amigo.
12 de dezembro de 1978: Argentina rechaça a proposta de mediação papal e insiste na mediação direta.
20 de dezembro de 1978: Chile emite a "Nota de Natal", que insiste no depósito de toda a confiança a um mediador externo.
21 de dezembro de 1978: Argentina rechaça o documento e fixa a de 22 de dezembro, às 22 horas, como início do ataque.
21 de dezembro de 1978: em Roma, o Secretário de Estado, cardeal Agostino Cassaroli, pede aos embaixadores de ambos países que seus governos aceitem um enviado do papa João Paulo II.
21 de dezembro de 1978: Argentina aceita a intervenção do papa.
26 de dezembro: o cardeal Antonio Samoré chega a Argentina e começa sua intervenção nos países para impedir a guerra.
18 de outubro de 1984: A Santa Sé entrega aos governos sua proposta de paz. Argentina remete a proposta a referendo nacional, que a aprova.
29 de novembro de 1984: é firmado o Tratado de Paz entre Chile e Argentina no Vaticano.
2 de maio de 1985: são trocados os instrumentos de ratificação no Vaticano e se põe fim à mediação.

Fonte: Periódico Encuentro, dezembro de 2008; número 22