Cidade do Vaticano (Sexta, 19-12-2008, Gaudium Press) Sensibilizar a sociedade sobre a proteção e a importância dos trabalhadores imigrantes: este é o objetivo da atual Jornada Internacional dos Migrantes, sancionada pelas Nações Unidas no ano 2000 e celebrada ontem, Dia dos imigrantes O evento remete à aprovação da Convenção da ONU sobre os direitos dos trabalhadores migrantes e dos membros de suas famílias, ocorrida em 18 de dezembro de 1990. Mas qual é, hoje, a contribuição dos imigrantes para a sociedade?
Para o diretor geral da Fundação Migrantes, monsenhor Piergiorgio Saviola "é mais que visível que, em uma Itália que está envelhecendo, na qual são sempre menores as forças jovens que podem lançar-se no mundo do trabalho, esses trabalhadores que vêm de longe são não somente preciosos como indispensáveis. Se levarmos em consideração que uma sociedade multicultural e intercultural comporta algumas grandes vantagens, essa passagem de uma monocultura a um pluralismo deve-se principalmente à imigração".
O prelado concorda, entretanto, que a abertura dos países aos imigrantes não deve ser feita deliberadamente e que elementos sociopolíticos devem ser estudados e levados em consideração. Mas é categórico ao afirmar que "fechar-se significa não apenas isolamento, recusa do encontro, mas tensão e confronto".
Segundo os dados da ONU, hoje são mais de 200 milhões os imigrantes, quase um terço da população mundial. "Se, porém, considerarmos que os efeitos das migrações reverberam fortemente sobre os familiares que permanecem em suas terras, podemos afirmar que o mundo migratório abrange uma cifra superior ao meio bilhão de pessoas", pondera o prelado, ao explicar que a Igreja dá especial atenção àqueles que deixam seus países de origem por questões humanitárias, como refugiados por perseguição política e fugidos da miséria.
Monsenhor Saviola relembra que não fazem parte dos valores cristãos sentimentos discriminatórios e de supremacia e diz que as pessoas devem se espelhar no evangelho, já que a remoção da fobia, da aversão aos imigrantes e o conseqüente passo ao acolhimento são "leis fundamentais de vida cristã". "Há um Pai e, portanto, nós devemos nos sentir todos irmãos", assevera.
"Tomar uma atitude que, em um campo tão complexo como a migração, no qual devem ser harmonizados exigências e valores freqüentemente contrapostos, desemboque em uma lei perfeita, é pura utopia. Será sempre um compromisso que não deve satisfazer totalmente. Naturalmente, muitos passos à frente poderiam ser dados se a imigração não fosse como é hoje, um terreno sobre o qual forças políticas opostas competem, mas sim que se sentassem ao redor de uma mesa, observando não o interesse de partes, mas da nossa sociedade e dos migrantes que hospedamos. Do ponto de vista social, devemos ser mais civis, mais humanos, mas independentes das instrumentações ideológicas e políticas. Deve ocorrer autocrítica e conversão", concluiu monsenhor Saviola.