Cidade do Vaticano (Sexta, 09-01-2009, Gaudium Press) Em discurso ontem pela manhã para o corpo dos diplomatas junto a Santa Sé, no Vaticano, não faltou tema que não fosse abordado pelo papa Bento XVI. O pontífice, entre outras coisas, falou novamente sobre a violência na Faixa de Gaza, lamentou ataques discriminatórios a cristãos, solidarizou-se com as vítimas de tragédias naturais recentes e pediu o fim da pobreza.

O papa comentou os principais eventos de 2008 e começou seu discurso aos diplomatas dedicando seus pensamentos a todas as vítimas de recentes catástrofes naturais no mundo. Bento XVI citou inclusive o Brasil, recentemente castigado com enchentes em Santa Catarina e em Minas Gerais. Em seguida, lembrou também das vítimas de conflitos regionais e nacionais e atentados terroristas, citando especificamente Afeganistão, Índia, Paquistão e Algéria.

Rodada de Doha

Em outro momento de sua intervenção aos diplomatas, Bento XVI manifestou preocupação pelo que considera um "fortalecimento mundial das indústrias bélicas e das despesas militares, que subtraem enormes recursos humanos e materiais para os projetos de desenvolvimento".

Ele voltou a dizer que para se conseguir a paz é preciso lutar pela extinção da pobreza e "levar esperança aos pobres", e pediu o desenvolvimento de programas agrícolas sustentáveis, "sobretudo porque o percentual de pessoas pobres nos países ricos vem aumentando".

Apesar de poucos progressos alcançados, o papa disse estar satisfeito pelo "êxito" das negociações para a liberação do comércio mundial na Rodada de Doha, e afirmou ser necessário "construir uma nova confiança" global, do que, segundo ele, dependem as próximas gerações. "É um objetivo difícil, mas não é uma utopia", declarou ao reforçar que os investimentos devem ser feitos sobretudo nos jovens.

América Latina

O papa voltou a citar o Brasil quando direcionou sua atenção para a América Latina. Ele manifestou seu desejo de que a população do continente "viva em paz, livre da pobreza e podendo exercer livremente seus direitos fundamentais".

Disse ainda esperar que o recém aprovado acordo entre a Santa Sé e o Brasil facilite o livre exercício das missões evangelizadoras da Igreja e "reforce ainda mais a sua colaboração com as instituições civis pelo desenvolvimento integral da pessoa".

África

Ao entrar no assunto violência, o papa condenou, nova e veementemente, os constantes ataques a cristãos em países onde estes são minoria, como Iraque e Índia.

Ele pediu atenção especial às crianças da África, continente que visitará ainda este ano e cujos acontecimentos afirma estar seguindo "de perto." O pontífice citou a questão dos refugiados na Somália, em Darfur e na República Democrática do Congo.

Gaza

Na sequência, comentou mais uma vez o conflito no Oriente Médio, assunto que mais tempo tomou o seu discurso. Bento XVI disse que "a violência destes últimos dias na Terra Santa estão provocando sofrimento sobretudo à população civil e, por isso, é extremamente urgente que volte - com o estímulo da comunidade internacional - a trégua na Faixa de Gaza, até porque a opção militar, de qualquer parte que provenha, não é nunca uma solução".

O papa expressou ainda o desejo de que as próximas eleições na região - em Israel e a renovação da liderança palestina - levem inspiração para que os dirigentes façam "progredir o processo de paz".

"É muito importante que, por causa das eleições que interessam a muitos habitantes da região nos próximos meses, emirjam dirigentes capazes de fazer avançar com determinação este processo e de guiar os seus povos na direção da difícil, mas indispensável, reconciliação", salientou.

O Papa lançou esperança sobre a questão ao afirmar ao corpo diplomático que "a paz está longe, mas não devemos nos desencorajar!"

Ao final, Bento XVI afirmou pensar e estar sempre orando especialmente pelos mais pobres, pelos doentes, pelos idosos abandonados e pelas famílias divididas.