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Religiosos ficarão reunidos por cerca de uma semana

Colômbia (Terça, 10-02-2009, Gaudium Press) Acontece nesta semana na capital Bogotá a 86ª Assembleia Plenária do Episcopado Colombiano, cujas principais discussões devem girar em torno de temas relacionados aos principais problemas socioeconômicos do país, além de ações eclesiais e assuntos comunitários. Cerca de 90 religiosos, entre bispos e arcebispos, além do núncio apostólico na Colômbia, monsenhor Aldo Cavalli, participam do evento que transcorrerá durante toda a semana.

Em seu discurso de abertura dos trabalhos, o presidente do Episcopado e arcebispo de Barranquilla, monsenhor Rubén Salazar, afirmou que a Igreja Católica deve analisar a realidade visto que "tem o desafio de ser hoje luz e sal, símbolo e instrumento, casa e escola da sociedade colombiana".

"Discutiremos essa realidade a partir de nossa visão e experiência, iluminados, porém, pelas ciências sociais dos fenômenos de ordem cultural, política, econômica e religiosa que afetam cada um dos colombianos e veremos, à luz de nossa fé, como a Igreja colombiana pode hoje, com maior clareza e força, levar a luz e o sal de Deus, ser símbolo e instrumento do amor de Cristo, crescer como casa e escola de amor e solidariedade", declarou o prelado.

Ele apontou a maneira como a Igreja pode cumprir com tais propósitos, para devolver a esperança e a Fé ao povo colombiano. "A Igreja não cumpre esta tarefa como o pode fazer um partido político ou uma organização não-governamental. O faz com a alma no corpo, com a consciência clara de que seu compromisso é chegar ao ser humano em sua realidade integral".

Ainda na seara das diretrizes da Igreja, monsenhor Salazar expressou em nome de todos os representantes da Igreja na Colômbia o compromisso social e moral que a mesma tem com o país e enviou uma calorosa saudação a todos os colombianos crentes e não-crentes, cristãos e não-cristãos, católicos e não-católicos. "Expressamos nosso desejo sincero de sermos cada vez mais o que temos de ser como Igreja, para poder servir-lhes melhor, com maior generosidade e capacidade, com maior entrega e disponibilidade."

Sequestros

O ato de abertura terminou não sem antes ser abordada uma das questões mais prementes do país: o sequestro pela guerrilha das Farc. "Aquele que sequestra tem a obrigação e o dever de libertar a quem priva da liberdade", sentenciou o presidente dos bispos.

Ele convidou o governo e as Farc para que se sentem para dialogar e que isso possa permitir o intercâmbio humanitário. Monsenhor Salazar esclareceu que esse intercâmbio vale não somente para os 22 militares ainda em cativeiro, mas também para todos os civis que permanecem privados de liberdade por razões econômicas.

"Penso que o pedido de troca feito pelas Farc é uma mensagem que deve ser conhecida a fundo e analisada sobre tudo o que implica." Segundo ele, há um clamor no país para que não haja mais nenhuma pessoa sequestrada, mas demanda tempo e cuidado a análise proposta feita pelas Farc, antes de se partir para qualquer tipo de mediação.

Monsenhor Salazar condenou mais uma vez o uso das libertações para fins específicos, como plataformas para protagonismos políticos ou jornalísticos e de destaque pessoal. E lembrou: "Não me refiro a ninguém em particular, mas eu acredito que a libertação de um sequestrado é sensivelmente um dever de quem seqüestrou."

Antes de encerrar sua alocução sobre o tema, adiantou que em breve a Igreja deverá se reunir com integrantes do grupo Colombianos pela Paz e com o grupo subversivo Exército de Libertação Nacional (ELN) para, nos próximos meses, desenhar ações que levem à paz no país.