Colômbia (Terça, 03-02-2009, Gaudium Press) Obrigação de libertar todos os sequestrados. As palavras, contundentes, são do secretário-geral da Conferência dos Bispos da Colômbia, monsenhor Fabián Maurlanda, às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), ao declarar hoje que o grupo não é "humanitário" por estar libertando seus reféns. Anteontem, as FARC libertaram quatro militares que estavam em seu poder. Mais duas pessoas devem ser soltas ainda esta semana.

Para o religioso, "ainda que tenham libertado os quatro militares e que em breve se produzirão novas libertações, a obrigação das Farc é proporcionar esse direito a todos os sequestrados que mantêm em cativeiro."

"Essas libertações não são um favor que as FARC fazem ao país, não são uma mostra de seu sentido humanitário. A única coisa que o povo colombiano quer é que todos sejam libertados e que essa libertação se faça sem condições e de maneira imediata", acrescentou.

Monsenhor Marulanda afirma que o fato de a narcoguerrilha estar libertando reféns com menos tempo de cativeiro demonstra que as novas intenções das FARC não são em direção "humanitária".

"À primeira vista, com os poucos elementos que possam ter, se pensa que as razões que as Farc devem ter para realizar essas libertações é manter a expectativa de esperança pelas libertações que existe no país, e isso mostra que no fundo eles não possuem qualquer intenção humanitária. Humanitário seria que libertassem os que estão mais tempo sequestrados; com o pressuposto de que deveriam soltar todos, deveriam começar pelos que estão lá há maias tempo."

E concluiu: "O sequestro é um crime, crime de lesa humanidade e não tem carta branca na Colômbia e em nenhum lugar do mundo civilizado. Os colombianos sempre temos reclamado esses direito à liberdade".

Promessa

Enquanto isso, no Santuário do Senhor dos Milagres de Buga, a família do agente policial libertado ontem, Walter Lozano, pagará promessa por sua volta para casa. Antes do reencontro, esposa, mãe e filhos do ex-refém não conseguiam esconder a felicidade.

"Já não há mais guerra, só quero liberdade e uma oportunidade de ver meu pai. Só quero liberdade...", diz um das composições de Camilo, 11 anos, intitulada "Minha gente quer paz".

Ontem pela manhã, ao saber que seu pai, o agente de polícia Walter Lozano, estava entre os libertados, Camilo não parou de cantá-la entre lágrimas. No total foram duas canções e duas poesias que o menino compôs para seu pai.

"Vou levar as canções a meu paizinho, esse é o meu presente pela sua liberdade", disse Camilo enquanto guardava em uma maleta com roupas que levou em sua viagem de Ibagué a Bogotá para o reencontro as folhas com as canções e poesias. Camilo é um dos seis filhos do agente Lozano, sequestrado em 9 de junho de 2007.

Os 20 meses de espera terminaram ontem de manhã, quando um dos assessores da senadora Piedad Córdoba chamou Dina Guzmán, esposa do policial, para anunciar a soltura.
"Neste momento, a única coisa que alguém pode fazer é gritar de emoção e dar graças a Deus", afirmou Guzman, esposa e mãe de dois dos filhos do agente Lozano.

Inírida Guarnizo, mãe do policial, se ajoelhou frente ao altar que armou para seu filho e pôs-se a orar e dar graças a Deus. "Sempre pensei que meu filho viria de volta", disse, ao afirmar que vai levar o filho ao Santuário do Senhor dos Milagros de Buga (um dos mais importantes do país), para cumprir a promessa que fez caso Lozano regressasse.