Cidade do Vaticano (Segunda, 05-01-2009, Gaudium Press) O Papa Bento XVI fez ontem novo e enfático apelo pelo fim do conflito na Faixa de Gaza e o restabelecimento da Paz na região. A nova intervenção pontifical sobre o tema aconteceu durante a última benção mariana do Angelus, recitada todo domingo pelo Papa da janela de seus aposentos na Basílica de São Pedro.
Bento XVI começou o discurso pedindo aos fiéis que se unissem em oração aos patriarcas e aos chefes da Igreja Cristã em Jerusalém para pedir pelo fim do conflito na Faixa de Gaza e "implorar justiça e paz para a Terra Santa". O Papa solidarizou-se com todas as vítimas de ambos os lados, "que vivem na angústia e no temor", e pediu a Deus que abençoasse a todos com "consolo, paciência e paz".
"As dramáticas notícias que chegam de Gaza mostram como a recusa ao diálogo leva a situações que malogram de forma inenarrável as populações mais uma vez vítimas do ódio e da guerra. A guerra e o ódio não são a solução dos problemas. A própria história recente confirma isso. Rogamos, portanto, para que o Menino na manjedoura inspire as autoridades e os responsáveis, israelenses e palestinos, por uma ação imediata que ponha fim à trágica situação atual", declarou.
Natal
Bento XVI criticou também, novamente, o consumismo exagerado motivado pelas festas de fim-de-ano. Segundo o Santo Padre, que exortou os fiéis a contemplarem, "após o barulho dos últimos dias com a corrida para a compra de presentes", o mistério do Natal de Cristo, as pessoas ainda não compreenderam totalmente "o significado profundo e a importância que essa data tem para a nossa vida."
Citando o prólogo do Evangelho de São João, Bento XVI lembrou como o apóstolo foi uma "testemunha ocular" da "novidade inaudita e humanamente incompreensível" de Deus que se fez Homem sendo um humilde pescador:
"Não é a palavra dita por um rabino ou por um doutor da Lei; mas o testemunho apaixonado de um humilde pescador que, atraído ainda jovem por Jesus de Nazaré, nos três anos de vida comum com Ele e com os outros apóstolos experimentou o amor - a ponto de se autodefinir o ‘apóstolo que Jesus amava' -, o viu morrer na cruz e aparecer ressuscitado, e recebeu depois, com os outros, o seu Espírito. Por toda essa experiência, refletida no seu coração, João traz uma certeza íntima: Jesus é a Sapiência de Deus encarnada, é a sua Palavra eterna feita homem mortal."
"Como o apóstolo João, cada um de nós é convidado a acolher consigo, conhecer profundamente Jesus e experimentar o seu amor fiel e inesgotável. Este é o meu desejo para cada um de vós, caros irmãos e irmãs, no início deste ano novo".
Direitos Humanos
Após o Angelus, o Papa voltou-se aos participantes do Congresso Internacional e falou sobre o "Sistema Preventivo de Dom Bosco dos direitos humanos", organizado pelos Salesianos. "Trata-se de um tema muito importante, porque mesmo no campo dos direitos humanos é decisivo o aspecto educativo."