Bogotá (Segunda, 02-02-2009, Gaudium Press/AFP) O helicóptero brasileiro com quatro reféns colombianos libertados neste domingo pela guerrilha das Farc pousou às 18h56 (21H56 de Brasília) no aeroporto Vanguardia da cidade de Villavicencio, 90 km a sudeste de Bogotá.
Os reféns desceram da aeronave e levantaram as mãos para saudar os membros do grupo "Colombianos pela Paz", que os receberam com flores na pista iluminada do terminal.
A aeronave pousou em Villavicencio quase 11 horas depois de ter decolado com quatro integrantes da comissão de paz e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
As Farc entregaram os reféns Alexis Torres, Juan Fernando Galicia e José Walter Lozano, membros da polícia, e o soldado William Rodríguez, destacou um comunicado do organismo.
Anteriormente, o destino dos três policiais, do soldado e de membros da delegação que partiu para resgatá-los havia suscitado várias horas de incerteza, provocada por declarações divulgadas pela rede venezuelana de televisão Telesur.
A operação de entrega de quatro reféns da guerrilha das Farc na selva do sul da Colômbia está "tomando rumo delicado", chegou a dizer neste domingo Cristophe Beney, chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que chegou a pedir calma às partes.
"Peço expressamente a todos, calma, prudência", afirmou Beney à imprensa em Bogotá. "Nada justifica pôr em perigo o retorno a seus lares de pessoas privadas da liberdade", acrescentou.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) denunciaram na Telesur que um membro da guerrilha teria sido morto e outro foi dado por desaparecido "em confrontos com o exército colombiano", durante as operações de resgate de vários reféns.
"Aeronaves do exército colombiano dificultaram durante várias horas a operação" de libertação, declarou à Telesur Jorge Enrique Botero, da comissão Colombianos para a paz.
A rede de televisão também informou sobre "dificuldades" acontecidas, como "aviões colombianos que voavam junto aos helicópteros da comitiva de libertação".
O governo colombiano negou neste domingo que estivesse efetuando operações militares na zona do sul do país.
"Não vamos permitir acusações sem nenhum fundamento e suporte", disse o comissário para a Paz do governo, Luis Carlos Restrepo, em entrevista à imprensa no aeroporto Vanguardia de Villavicencio.
Alívio
Apesar da troca de acusações e dos momentos de tensão que atrasaram a soltura, familiares e amigos dos agora ex-reféns e também de outros sequestrados que devem ser libertados esta semana pelas FARC se disseram aliviados e esperançosos.
Patricia Neto, esposa do ex-deputado do departamento de Valle Sigifredo López, afirmou que entre terça e quarta-feira desta semana acontecerá a libertação do ex-dirigente político em poder das FARC desde 2002.
"Graças a Deus entendemos que domingo, quando se iniciam as libertações, será muito importante para todos nós; o que sei e que posso contar é que entre os primeiros dias da semana que vem Cali e Colômbia poderão ver de novo a liberdade de Sigifredo", afirmou, no último sábado.
Patricia também comentou os preparativos que estão sendo pensados para depois da libertação. "Estamos organizando uma cerimônia religiosa nas primeiras horas da manhã de terça ou quarta-feira para agradecer a Deus a liberdade com vida do meu marido depois de tanto tempo e para celebrar sua chegada como todos a esperamos."
O ex-deputado será deslocado na próxima semana de uma zona do sudoeste do país para o aeroporto da cidade Alfonso Bonilla Aragón.
Inírida Guarnizo, mãe do agente da Polícia Nacional Walter José Lozano, não perdeu em nenhum momento as esperanças de que seu filho estivesse entre o grupo de militares libertados. Antes da anunciada liberação e da bem-sucedida operação que o resgatou, bem como a outros reféns, Guarnizo havia declarado: "Estou muito contente, sigo a expectativa, nunca perdi a fé ou a esperança, que eu mantenho desde que levaram o meu filho, todos os dias."
"Agradeço em primeiro lugar a Deus, pois sei que com a Sua ajuda vamos conseguir com que todos os nossos filhos voltem para casa e é o único que mantém vivas nossas esperanças. Agradeço de igual maneira a senadora Piedad Córdoba, defensora e gestora dos acordos entre Governo e guerrilha para a libertação dos sequestrados".