Venezuela (Quinta, 05-02-2009, Gaudium Press) Pela segunda vez em menos de dois meses - a sétima, em dois anos - a sede da nunciatura apostólica na Venezuela foi alvo de ataques de grupos radicais. Desta vez os manifestantes lançaram três bombas de gás lacrimogêneo na direção do prédio, que, apesar de atingirem apenas os jardins do local, causaram malestar no núncio, monsenhor Giacinto Berloco, e em alguns de seus colaboradores.
Segundo informações de funcionários, era possível enxergar nos fragmentos dos projéteis a inscrição "Companhia Anônima Venezuelana de Indústria Militar". A polícia abriu novo inquérito para apurar os autores do atentado.
No último dia 18 de janeiro, agressão semelhante à nunciatura havia sido reivindicada pelo grupo radical filogovernista "A Piedrecita". Em panfletos deixados nos arredores da nunciatura, o grupo atacava a jerarquia da Igreja chamando à "resistência" contra o magistério católico.
O novo ato de intimidação religiosa acontece também poucos dias depois que a "Sinagoga Principal de Maripérez", a mais importante da Venezuela, foi alvo de ações de vandalismo. Ontem, durante uma coletiva de imprensa, o presidente da conferência episcopal, monsenhor Ubaldo Ramón Santana Sequera, arcebispo de Maracaibo, condenou duramente o atentado contra a sinagoga afirmando que "se trata de uma gravíssima violação da liberdade religiosa".
O representante do Papa definiu este sétimo ataque à representação da diplomacia vaticana na Venezuela como "um gesto de vandalismo" e, mais uma vez, pediu as autoridades do país "que sejam garantidas a segurança e a proteção da sede diplomática, como previsto pelas leis internacionais e pela Convenção de Viena de 18 de abril de 1961."
"Nenhuma pessoa ou grupo religioso pode ser ameaçado ou impedido de agir no âmbito religioso contra a sua consciência, nem de ver tolhido o ensinamento ou profissão pública de sua fé", disse o prelado.
Monsenhor Santana pediu que a nação não se deixe envolver pelo ódio e pela violência e repetiu que é urgente "dar uma passo em direção à harmonia de todos os setores do país."