Gaza (Segunda, 19-01-2009, Gaudium Press) "O que se lê nos jornais ou se vê na televisão não corresponde à real situação que a população de Gaza enfrenta". As palavras são de alguém que vê de perto, bem perto, a condição humanitária que vem se abatendo sobre a população na Faixa de Gaza por conta do conflito com Israel: padre Manuel Musallam, pároco da única igreja católica de Gaza.
Segundo o religioso, a região vive uma "tragédia que tem de ser relatada a todos os homens de boa vontade". Ele conta que "as crianças e os pais dormem nos corredores de suas casas ou no banheiro, para se protegerem das bombas. As pessoas tremem de medo a qualquer rumor, e se desesperam com o som dos bombardeios dos F-16", diz.
Para o padre, os alvos israelenses são, de fato, as instalações do Hamas. O problema, no entanto, é que estas instalações estão muito próximas das casas dos civis. Por isso muitas casas foram destruídas e muitas crianças morreram.
"Os hospitais já não conseguem responder às situações de emergência e tentam, agora, atender a centenas de casos, muitas vezes tendo de operar nos corredores. Os doentes e os feridos mais graves são enviados para a fronteira com o Egito. Os que conseguem fugir, não voltam, porque morrem antes disso", relata, afirmando haver uma situação de verdadeira "histeria" nos hospitais.
"Nossas crianças estão chocadas, doentes e têm fome, sofrem de desnutrição, pobreza e febre" conta o pároco.
Padre. Musallam fez um apelo em favor da oração pela população de Gaza, pois considera que "a oração pode tocar o mundo; ela não conhece barreiras políticas ou sociais". "Na oração - argumenta - sentimo-nos parte integrante da Igreja Universal e os irmãos muçulmanos são a nossa gente, cujo sofrimento compartilhamos."
Ângelus
Durante a benção do Ângelus deste domingo, o papa Bento VXI fez novo apelo pelo fim dos conflitos na Faixa de Gaza e exortou os fiéis a acolherem os migrantes e a empenharem-se pela unidade dos cristãos. O Papa encorajou todos que estejam empenhados para "acabar com a tragédia" na Terra Santa, ansiando fortemente um novo e corajoso processo de paz para a região.
O pontífice comentou ainda a atual Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado e destinou um pensamento "para os imigrantes que vivem em freqüentes condições dramáticas". Ele saudou, também, o início da Semana de oração pela Unidade dos Cristãos, que acontece até o próximo domingo, quando se encerra com a celebração dos Bispos na Basílica de São Paulo, chamando os fiéis a "renovarem os esforços pelo caminho do ecumenismo."
"A realidade dos imigrantes é sem dúvida complexa, mas às vezes é infelizmente penosa, difícil e em algumas ocasiões até mesmo dramática. Cada de um nós, segundo a própria vocação e onde vive e trabalha, é chamado a testemunhar o Evangelho, com uma dedicação maior por aqueles irmãos e irmãs que vêm de outros países, por diferentes motivos, viver entre nós, fazendo valorar, assim, o fenômeno da migração como ocasião de encontro entre civilizações.
Bento XVI lembrou que, aos olhos de Deus, todos são iguais e, criticando a xenofobia, afirmou: "Caros amigos, lhes repito as palavras do apóstolo Paulo: ‘na Igreja não são estrangeiros nem hóspedes, mas fazem parte da família de Deus'. Entrem na comunidade eclesial e civil, com a riqueza da vossa fé e das vossas tradições."