Madri (Terça, 17-02-2009, Gaudium Press) O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, que abriu ontem (16) a Assembléia Anual de Delegados Diocesanos de meios de comunicação social da Igreja Católica, não fugiu da polêmica questão da excomunhão dos lefebvrianos e das declarações negacionistas do bispo Richard Williamson e respondeu prontamente às perguntas.

"Em primeiro lugar, precisamos deixar claro que a intenção do Papa Bento XVI era positiva e que partia da premissa de que a excomunhão era um obstáculo para o caminho de união na Igreja", começou, salientando que a meta do Santo Padre é "fazer todo o possível para superar as rupturas", mesmo ciente de que teria que "assumir riscos".

"Levantar a excomunhão aos lefebvrianos não significa destruir o Vaticano II (Concílio Vaticano II, iniciado pelo papa João XXVIII e que promoveu uma série de mudanças na Igreja Católica)", apontou o padre, insistindo com firmeza que o gesto "não é um fim, mas o começo de um caminho", embora "seja difícil de explicar".

O presbítero assegurou que "o papa não tinha conhecimento das declarações (em que dom Richard Williamson nega o Holocausto)", e ressaltou que, na verdade, as afirmações do lefebvriano "nos pegaram de surpresa". Para ele, as palavras do Mons. Williamson são inaceitáveis e "é evidente que o Papa condena o Holocausto e ama o povo judeu. Ele esteve em Auschwitz, nas sinagogas e voltará à Terra Santa em breve", frisou.

"Graças a essa polêmica, ficou mais claro para nós, católicos, o que pedimos aos lefebvrianos e o que eles têm que cumprir", assegurou Lombardi. Para que a fraternidade volte a ter comunhão completa com a Igreja, é preciso reconhecer o Concílio Vaticano II, entre outras exigências.