Cidade do Vaticano (Segunda, 02-03-2009, Gaudium Press) O papa Bento XVI fez um apelo neste domingo para que seja dada prioridade, nas consequências da crise econômica, à manutenção dos postos dos trabalhadores. A exortação foi feita durante a homilia da benção mariana e dominical do Ângelus, que reuniu milhares de fiéis ontem na Praça São Pedro, inclusive trabalhadores demitidos de uma fábrica da Fiat no sul da Itália.

Bento XVI lançou o apelo em favor dos operários da Fiat de Pomigliano d'Arco, estendendo-o a todos os trabalhadores atingidos pela crise econômica no mundo. Os ex-operários da Fiat queriam "manifestar as suas preocupações com o futuro daquela fábrica e dos milhares de pessoas que, diretamente ou indiretamente, dependem dela para o sustento".

"Uno-me aos bispos e às respectivas Igrejas locais para exprimir solidariedade com as famílias atingidas pelo problema, e as confio nas preces por proteção a Virgem Maria Santíssima e a São José, patrono dos trabalhadores. Desejo exprimir o meu encorajamento às autoridades políticas e civis, bem como aos empregadores, para que com o esforço de todos se possa fazer frente a este delicado momento. É necessário, de fato, um forte empenho comum, lembrando que a prioridade deve ser dada aos trabalhadores e às suas famílias".

Além da crise econômica e de seu efeito sobre as famílias, o papa falou também sobre a importância de se resistir às tentações e ao pecado, ao citar o Evangelho do primeiro domingo da Quaresma, que trata da provação de Jesus no deserto.

"No deserto, local de provação, como mostra a experiência do povo de Israel, aparece com viva dramaticidade a realidade da kenosi, do esvaziamento de Cristo, que se despiu de sua forma divina. Ele, que não tem pecado e não pode pecar, se submete à provação e por isso pode compadecer com a nossa enfermidade. Se deixa ser tentado por Satanás, o adversário, que desde o princípio se opôs ao desígnio salvador de Deus em favor dos homens", concluiu.